Gestação

Mães que viajaram sem filhos para fazer intercâmbio falam sobre julgamento

Amanda Serra

Colaboração para o UOL

05/12/2016 07h05

Estudar no exterior, aprender um idioma e vivenciar uma nova cultura é um sonho comum da juventude. Três mães entre 28 e 42 anos que tiveram de adiar a vontade de fazer intercâmbio falam como realizaram a experiência e sobre o julgamento que enfrentam por estarem longe dos filhos.

Érika Leal, 35, há dois anos estuda inglês e trabalha em Dublin (Irlanda)

Arquivo pessoal
Érika ao lado da filha, Millena, (à esq.) no castelo de Malahide, na Irlanda Imagem: Arquivo pessoal

“Fui mãe aos 17 anos, fiquei viúva aos 28 e, aos 32, em 2014, vi que precisava viver para mim. Estava sufocada. Era o meu momento de ser egoísta, mesmo que isso significasse ficar longe da minha metade, do amor da minha vida [a filha, Millena, hoje com 17 anos, vive com a avó paterna, em Guarulhos (SP)]. Precisava me descobrir e me recuperar. Senti culpa por não estar perto da minha filha quando ela estava triste, quando teve pesadelo e não pude abraçá-la. Ainda me sinto, mas a mudança foi muito importante para nós. Continuamos sendo melhores amigas, amando-nos e será assim a vida inteira. Muita gente diz que larguei minha filha, questionam o porquê de ter ido para tão longe. Não compreendem o fato de eu não estar fisicamente ao lado dela e me julgam. Mas o mais importante sempre foi a opinião da Millena. Se viajei, se hoje continuo na Irlanda é porque ela me apoia. A conversa foi primordial para a gente. Vivi minha vida me preocupando com o que iam dizer, até que disse basta, quero ser feliz, e é isso que estou fazendo.”

Dânica Toledo, 42, é pedagoga e vive há um mês na Nova Zelândia

Arquivo pessoal
Dânica em sua primeira semana na Nova Zelândia Imagem: Arquivo pessoal

“Sou mãe do Marco, 19, da Renata, 17, do Miguel, 10, e do Paulo Roberto, 8. Após perder meu emprego e ter minha casa invadida por bandidos em São Paulo, resolvi mudar para Nova Zelândia. Essa é a segunda vez que saio do Brasil. Na primeira, fui para os Estados Unidos, porque sonhava fazer um intercâmbio. Fiquei dois anos lá. Só voltei porque meu ex-marido não permitiu que os meus filhos mais velhos fossem morar comigo. Com a internet, consigo falar com eles e vê-los todos os dias, o que ajuda a driblar a carência. Óbvio que existe julgamento, já ouvi que fui fraca, que abandonei as minhas crianças, que desisti de lutar no meu país. Isso me deixa muito triste. Trabalho 15 horas por dia, durante sete dias na semana, em um bufê para juntar dinheiro e trazer os meus quatro filhos para cá, até fevereiro de 2017. Ouvir esse tipo de coisa, corta o coração, porque é claro que a gente se sente culpada. Não é porque deixamos os filhos por conta de um objetivo que não amamos, que não queremos estar junto deles. Na verdade, fazemos um sacrifício para conseguirmos algo maior para eles. Tenho certeza de que se fosse um pai indo viajar, não teria tanta crítica [os filhos de Dânica moram com o atual marido dela, em São Paulo]."

Camila Rosa, 28, ex-professora da rede estadual, há um ano na Irlanda

Arquivo pessoal
Camila ao lado da estátua do escritor Oscar Wilde, em Dublin (Irlanda) Imagem: Arquivo pessoal

“Sou mãe do Isaac, de nove anos, e sempre sonhei em morar fora do Brasil. Por conta da gravidez aos 17 e da juventude humilde, tive de esperar terminar a graduação, juntar dinheiro e assim planejar a viagem. Dois anos antes do embarque, comecei a conversar com o meu filho, expliquei que viajaria e que a oportunidade seria boa para nós dois. Busquei conselhos com uma amiga psicóloga, e ela me orientou a mostrar os motivos pelos quais estava indo fazer o intercâmbio, além de manter contato frequente com ele. Sinto-me muito culpada quando ele chora de saudade, mas tento sempre manter o foco: continuar aprendendo inglês, poder oferecer uma vida melhor para ele, uma boa educação e trazê-lo para a Irlanda. Tento ajudá-lo na lição de casa, ele tira foto do caderno e me manda, assim participo. Por mais que a sociedade imponha estereótipos machistas, nós mães precisamos saber que somos indivíduos, precisamos correr atrás dos nossos sonhos. Os filhos ficarão bem, ainda que estejamos distantes fisicamente. Mesmo sentindo saudade, com dificuldades financeiras, o meu maior aprendizado neste um ano longe foi não desistir [Isaac mora com o pai e os avós paternos em São Paulo]."

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