Infância

Quer fazer o seu filho ler? Veja dicas de escritores infantojuvenis

Do UOL

Criança que lê aprende melhor e se comunica bem. Também desenvolve a criatividade, a imaginação e adquire repertório cultural.
A seguir,  quatro escritores que fazem sucesso com esse público dão dicas para estimular o gosto pelos livros.

Ziraldo

Ana Colla/Divulgação
Ziraldo é autor de "O Menino Maluquinho" (Editora Melhoramentos), que tem mais de cem edições e foi adaptado para teatro, cinema, quadrinhos e game Imagem: Ana Colla/Divulgação

“Mesmo a criança que não gosta de ler pode vir a gostar se o pai e a mãe lerem e conversarem sobre livros com ela. E se a casa for cheia de livros, a possibilidade de gostar de ler é muito grande. O filho pode até recusar a leitura por um tempo, mas, ao vir as pessoas ao seu redor lendo, em algum momento irá agir da mesma forma. Ler é uma necessidade básica do ser humano. Por isso, ao dar um livro de presente, não é preciso pensar em faixa etária. Livro foi feito para todas as idades. Se você pegar seu filho no colo e começar a ler Dostoiévski [escritor russo, autor de “Crime e Castigo”], ele vai adorar. Principalmente se for você contando. A criança quer que você se interesse por ela, que a ame. Ler para o filho é uma prova de amor muito grande.”

Eva Furnari

Laura Furnari/Divulgação
Eva Furnari é autora de mais de 60 títulos, que juntos já venderam mais de três milhões de exemplares. Escreveu “Felpo Filva” (Editora Moderna), que também foi publicado na Inglaterra Imagem: Laura Furnari/Divulgação


“Vale os pais lerem para a criança desde muito pequena e perceber suas reações. Sempre indico ler um livro para o filho antes de dormir. Isso porque gera um laço afetivo e relaxa. As crianças costumam gostar muito, porque vira um momento de prazer entre pais e filhos. Vale também levá-las sempre a livrarias -principalmente as pequenas- que costumam ter funcionários que indicam títulos de acordo com o gosto da pessoa. O adulto pode ler um pouco ali para o filho antes de comprar a publicação. Mas a obra precisa ter ligação com o comportamento da criança ou adolescente, para ajudar a despertar a curiosidade. Outra tática é procurar na internet opções do mesmo gênero que ela já leu e gostou. Para os pré-adolescentes, começar pelas obras de muito sucesso é uma ótima escolha. Eu mesma li a toda a saga do Harry Potter e acho que os pais devem incentivar os filhos a ler antes de assistirem aos filmes, para despertar o desejo de conhecer mais sobre a história. Mesmo que o filho não pegue o livro no primeiro momento, é importante que os pais não desistam.”

Ruth Rocha

Vania Toledo/Divulgação
Ruth Rocha é autora de mais 200 títulos, entre eles “Marcelo, Marmelo, Martelo” (Editora Salamandra), seu best-seller, com mais de 70 edições e 20 milhões de exemplares vendidos Imagem: Vania Toledo/Divulgação

“Se os pais gostam de ler e têm livros em casa, já é um primeiro passo. Se comprarem livros para a criança e lerem para ela desde pequena, se prezarem a escola, o conhecimento e o estudo, teremos mais um avanço. Vale perguntar aos parentes e amigos o que leram e experimentar com a criança, para descobrir do que ela gosta. Se a criança já tiver um professor, ele também pode ajudar. Só não escolha histórias tolas, que não dizem nada. Lembre-se das tradicionais: contos de fadas, fábulas e histórias folclóricas de bichos. Crianças e adolescentes também podem ler revistas, histórias em quadrinhos e livros de grande sucesso. O adolescente, especialmente, adora fazer o que os outros jovens fazem. E ler é ler. Quanto mais, melhor.”

Pedro Bandeira

Rubens Romero/Divulgação
Pedro Bandeira é autor do livro “A Droga da Obediência” (Editora Moderna), que vendeu mais de dois milhões de exemplares. As obras de Bandeira têm mais de 30 milhões de exemplares vendidos Imagem: Rubens Romero/Divulgação

“Fale com o bebê o tempo todo. Quando for trocar sua fralda, descreva o que está fazendo. É claro que ele não entende o que ouve, mas registra os vocábulos na memória para, ao longo do tempo, compreender o que significam e construir seu próprio repertório. Fale normalmente, não use o tatibitate. Desde cedo, mostre livros coloridos, aponte as figuras e nomeie. Conforme o nível de compreensão da criança for aumentando, invente histórias, incluindo-o como protagonista da narração. Repita. Os bebês adoram ouvir de novo o mesmo enredo até fixá-lo. Já se o adolescente disser que não gosta de ler, conquiste-o aos poucos. Mostre a ele textos curtos, simples e engraçados. Se for um adolescente em idade romântica, apresente letras de canções e poesia: para quem tem dificuldade de ler, as rimas e o ritmo são bem mais fáceis de serem compreendidos do que a prosa. Procure textos adequados ao universo psicológico da idade, fáceis e agitados. Histórias em quadrinhos são ótimas. Lembre-se: aprender a ler bem é como aprender a nadar bem; não importa a qualidade da piscina, o que importa é o treino.”

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