Bebês

Deixar o bebê comer com as próprias mãos tem prós e contras; entenda o BLW

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Mesmo pegando os alimentos sozinho, o bebê precisa de supervisão de um adulto na hora de comer Imagem: Getty Images

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL

09/12/2016 14h45

Em vez de alimentar os bebês com a tradicional papinha, algumas famílias têm optado pelo "baby-led weaning", mais conhecido como BLW, um tipo de introdução alimentar guiada pela criança. A ideia é de Gil Rapley, mãe britânica formada em saúde pública que iniciou a experiência com os próprios filhos e escreveu um livro sobre o assunto. Na prática, significa dar o alimento nas mãos do bebê --que deve ter a partir de seis meses (quando a Organização Mundial de Saúde indica que seja iniciada a alimentação com sólidos, em paralelo com a amamentação)-- para que ele coma sozinho

Para Kelly Oliveira, pediatra do Hospita Albert Einstein, em São Paulo, não existe o melhor ou o pior método de introdução alimentar. Tudo depende da dinâmica de cada família. No BLW, precisa-se ter paciência, pois ele demanda tempo e faz sujeira.

“O BLW é uma filosofia de introdução alimentar que tem a ver com autonomia e respeito. É preciso dar tempo para o bebê se alimentar e explorar os alimentos. Com o tempo, ele ganha cada vez mais iniciativa para comer sozinho”, diz Kelly.

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) vê o BLW com reservas. “Aos seis meses, a criança está no processo de amadurecimento das funções neuromotoras, digestórias e renais. Por isso, oferecer o alimento em pedaços para ela pode causar problemas de saúde”, declara Virgínia Weffort, presidente do Departamento Científico de Nutrologia Pediátrica da entidade.

Para a médica, uma das maiores complicações é o oferecimento de alimentos crus. “Muitas vezes, o processo de digestão do alimento pode não ser completo e ele ser eliminado intacto nas fezes, além disso, a criança pode engasgar.”

Há ainda outras dificuldades. Quando só a criança pega o alimento para comer, pode se cansar e ingerir pouca comida ou apenas um tipo de alimento. “A digestão do ingrediente inteiro é menor e, em qualquer idade, todos os grupos alimentares são importantes”, diz Virgínia.

A recomendação da SBP é que, mesmo fazendo uso do BLW, outra pessoa ofereça a comida na colher. “Assim a criança terá a experiência de conhecer o alimento pegando-o e colocando na boca, ao mesmo tempo que estará nutrida com a oferta do ingrediente na consistência adequada para sua digestão”, afirma a pediatra da SBP.

Em relação à preocupação de a criança acabar comendo menos do que precisa, os defensores do BLW são categóricos ao afirmar que os pais têm de confiar que o filho vai comer o quanto precisa, porque tem um mecanismo natural que controla a saciedade e a fome.

“Se a criança quiser comer mais, dará sinais”, fala Kelly. Ela ainda explica que a alimentação com papinhas não garante que o bebê vá comer a quantidade desejada pelos pais. “Como obrigar a comer se ele não quiser mais?”, questiona.

A respeito do risco de engasgos, além de oferecer alimentos no formato e textura recomendados (leia mais abaixo), é imprescindível que, na hora das refeições, o bebê esteja sempre sentado ou apoiado na cadeirinha na posição vertical. Isso garante que alguma comida que ele não seja capaz ou não queira engolir seja expelida naturalmente.

Para quem optar em oferecer alimentos na boca da criança usando talheres e quiser lançar mão do BLW também, a ressalva de Kelly é não usar a comida em pedaços para distrair a criança.

“Comida não é brinquedo e, enquanto se alimenta, a criança precisa estar focada no que estiver fazendo. Caso contrário, pode engasgar”, fala. No caso de crianças que estão na escola, a médica esclarece que não há problema em apostar ao BLW apenas nos fins de semana.

Esclareça as principais dúvidas sobre o BLW

1 - Existem alimentos proibidos nesse método?
Sim, por questões de segurança. Os com sementes, pois são secos e duros demais, e as oleaginosas, que podem provocar engasgos. Também é preciso que cada família saiba a quais itens os pais da criança têm alergia, pois é provável que ela seja alérgica a eles também.

2 - Em qual formato e tamanho os alimentos devem ser cortados?
Sempre em forma de palito grosso ou com o mesmo formato do punho da criança. No caso de alimentos que tenham cabo, como brócolis e couve-flor, recomenda-se mantê-los, assim a criança pode usar essa parte para segurá-los.

3 - É recomendável oferecer alimentos crus ou cozidos?
Depende. Pera e melancia, por exemplo, por serem itens mais macios, podem ser crus. Já legumes e tubérculos devem ser cozidos a ponto de ficarem fáceis de serem amassados.

4 - Como oferecer carne?
No início, em pedaços grandes. Provavelmente, a criança vai preferir chupá-los e explorá-los em vez de mordê-los e mastigá-los --e tudo bem ser assim. Depois de um tempo, é possível picá-la mais.

5 - Meu filho nem tem dentes ainda, vai conseguir mastigar?
Sim, porque bebês não precisam de dentes para morder ou mastigar. Aos seis meses, as gengivas deles já estão duras o suficiente para desempenhar essas atividades.

6 - Se a criança se alimenta sozinha no BLW, qual tipo de supervisão o adulto deve fazer?
Qualquer criança pequena precisa ser supervisionada por um adulto enquanto se alimenta --seja no BLW ou manuseando talheres.

Consultoria: Camila Teresa Tortamano Latorre Campana, nutricionista e doula de São Paulo, e Kelly Oliveira, pediatra formada pela USP, especialista em amamentação pelo International Breastfeeding Centre localizado em Toronto, no Canadá, e médica do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

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