Adolescência

Trabalhar pode ser "banho de realidade" para adolescentes de classe média

Thyago Andrade e Graça Paes/ Brazil News
A atriz Yanna Lavigne trabalhou como operária em uma fábrica de eletrônicos do Japão Imagem: Thyago Andrade e Graça Paes/ Brazil News

Do UOL

15/12/2016 06h01

Na adolescência, a atriz Yanna Lavigne, hoje com 27 anos, trabalhou como operária em uma fábrica de eletrônicos no Japão, conciliando uma carga horária de sete horas com os estudos. Para a psicóloga e consultora em educação Rosely Sayão, trabalhar nessa fase da vida –ainda que não de forma tão intensa—pode ser uma experiência maravilhosa, principalmente para os filhos de classe média.

“Os jovens desse segmento social têm sido criados em bolhas. Os pais concordam com quase tudo o que fazem, limitam-se a cobrar que passem de ano na escola. Não assumem tarefas em casa, colaboram com a família. É um banho de realidade”, afirma Rosely. No Brasil, a legislação só permite o trabalho a partir de 16 anos.

A psicóloga conta que conhece muitos jovens adultos com formação intelectual invejável, com cursos no exterior, que não conseguem se adaptar ao mercado de trabalho. “Teve um que, mesmo com pós-graduação nos Estados Unidos, entrava e saía de empregos, por não tolerar ser chamado a atenção pelo chefe.”

Permitir que o filho tenha um trabalho temporário nas férias ou uma função em um negócio da família são possibilidades que a especialista levanta para o jovem entrar em contato com o mercado de trabalho. “No caso da empresa familiar, só não vale colocar o jovem para chefiar. Ele tem de trabalhar nas funções de base, para aprender a importância do trabalho colaborativo, em equipe”, afirma Rosely.

A consultora em educação conta que é significativo o número de jovens que chegam na faculdade sem saber realizar um trabalho em grupo. “Eles só conhecem o chamado trabalho Frankenstein, em que juntam pedaços. Não sabem desenvolver nada em equipe.”

Rosely Sayão diz que qualquer tipo de trabalho pode ter valor para o adolescente, mesmo funções mais braçais, como a que a atriz Yanna Lavigne desempenhou no Japão. “É uma forma de o adolescente desenvolver empatia pelos trabalhadores braçais.” A especialista diz que a única exigência dos pais deve ser no sentido de o jovem manter o desempenho na escola.

Segundo a psicóloga, trabalhar na adolescência pode inclusive abrir um canal de comunicação entre os pais e o filho. “Tem muitas famílias que não conversam, e com o jovem trabalhando, passam a ter um assunto para ser falado em casa.”

Rosely fala que mesmo que a decisão de trabalhar tenha sido motivada por dificuldades financeiras –caso da atriz Yanna Lavigne--, o trabalho na adolescência sempre será proveitoso para o jovem. “Ainda que os pais achem que não, o jovem tem como lidar com a pressão da situação. O trabalho é uma maneira de se inserir no contexto social. Importante para um ser humano prestes a entrar na vida adulta.”

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