Gestação

"Tive gêmeos de parto natural, e um deles nasceu no carro"

Matheus Brito/Divulgação
Grávida de gêmeos, Raphaella posou com o companheiro Thiago e as duas filhas, Maria Carolina, 5, e Helena, 2 Imagem: Matheus Brito/Divulgação

Thamires Andrade

Do UOL

16/12/2016 16h32

Gêmeos só nascem de cesárea? Thiago e Raphael, filhos de Raphaella Ramos e Thiago Guimarães, são a prova de que essa crença não tem fundamento. Entusiasta do parto natural, a professora de 28 anos recebeu muitas críticas quando optou por esse tipo de parto. E ela ainda viveu uma emoção maior ainda: uma das crianças nasceu dentro do carro. Passado um mês com os bebês, ela conta essa história ao UOL:

"Em abril, descobri que estava grávida do meu companheiro, Thiago. Não foi planejado, mas estávamos radiantes: primeiro filho dele, terceiro meu. E aí veio a surpresa: gêmeos. Sempre fui entusiasta do parto natural –sem anestesias ou intervenções.

Quando você descobre que terá gêmeos, todo mundo já pressupõe que você fará uma cesárea. As pessoas perguntavam quando seria o dia do parto ou quem me ajudaria quando eu chegasse em casa operada. Ouvi esse papo até da minha mãe. 

Tenho duas filhas: Maria Carolina, 5, e Helena, 2, do meu primeiro casamento. A primeira veio ao mundo de cesárea. Eu era muito nova, não tinha muita informação, ainda que fosse meu sonho desde pequena ter um parto natural. A bolsa estourou, fui para o hospital e me deram várias desculpas para fazer a cirurgia.

Arquivo Pessoal
Maria Carolina e Helena, seguram os irmãos, Raphael e Thiago, no colo Imagem: Arquivo Pessoal

A segunda veio ao mundo de parto normal. Passei a gravidez estudando o que era ou não indicação para a cesariana. Contratei uma equipe para ter um parto domiciliar, mas, como meu trabalho de parto durou dois dias e meio, acabei indo para o hospital. Sofri violência obstétrica durante o parto: puxaram meu cabelo e me obrigaram a deitar na maca de um jeito específico.

Por isso, dessa vez, não queria passar nem pela cesárea, nem por um parto violento. Fui atrás da minha doula e, juntas, montamos um plano de parto. Contratei uma equipe de enfermeiras obstetras, que trabalham com assistências pré-hospitalar e parto domiciliar. O plano era ficar em casa enquanto fosse seguro para as crianças. A enfermeira obstétrica indicaria o momento mais seguro para ir para o hospital. 

Muita gente dizia que eu era irresponsável, doida e até que eu iria matar meus filhos. E esse é o pior tipo de terrorismo.

Quando estava na 36ª semana e dois dias, estava tendo contrações de treinamento e eliminei o tampão mucoso. Como estávamos ansiosos, fomos para o hospital e descobri que estava com quase 2 cm de dilatação, e tudo estava certo comigo e com os bebês. A médica me ofereceu ficar no hospital, mas sabia que a chance de passar por uma cesárea ou parto com intervenções era grande, então, optei por ir embora e aguardar um sinal mais preciso.

Dois dias depois, saí com o Thiago para passear. Quando voltamos, comecei a sentir contrações dolorosas e irregulares. Ele avisou a equipe e, quando a enfermeira chegou, estava com 5 cm de dilatação, que logo aumentou para 7 cm. A enfermeira, então, recomendou que fossemos para o hospital.

No trajeto, percebi que as contrações vinham sem parar e a bolsa estourou. Senti que o bebê estava vindo, pedi para a enfermeira pegá-lo, e foi assim que o Thiago veio ao mundo. Ela olhou os sinais vitais e estava tudo bem.

Ao chegarmos no hospital, todos estavam avisados que um dos bebês havia nascido no caminho. Fui atendida por uma médica muito gentil, contei minhas preocupações de violência obstétrica. Ela me deixou livre para ficar na posição que quisesse. A doula, a enfermeira e o pai também puderem ficar na sala de parto.

Dentro de 20 minutos as contrações voltaram, ainda espaçadas, e, depois de um tempo, a bolsa estourou imediatamente antes do Raphael nascer, assim como o irmão. Quando ele veio ao mundo, fiquei mais calma, pois vi que todo nosso plano tinha dado certo. Tive um parto gemelar natural sem laceração."

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