Gestação

Quer parir em casa como Bela Gil? Saiba como funciona e quanto custa

Reprodução/Instagram
No nascimento de seu segundo filho, Nino, a apresentadora Bela Gil optou por um parto humanizado domiciliar Imagem: Reprodução/Instagram

Melissa Diniz

Do UOL

22/12/2016 07h10

A apresentadora Bela Gil, a modelo Gisele Bündchen e as atrizes Sophie Charlotte e Carolinie Figueiredo engrossam o time das famosas que decidiram ter seus filhos em casa. Assim como elas, muitas brasileiras têm buscado a ajuda de parteiras para que seus bebês nasçam de maneira mais humanizada, com privacidade e conforto.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), houve um aumento de 68% no número absoluto de partos domiciliares no Estado de São Paulo entre 2010 e 2015.

Além do obstetra (que dificilmente atenderá em domicílio) e do médico de família, as parteiras --enfermeiras obstetras e obstetrizes-- são as profissionais habilitadas a realizarem o parto em casa. Nos lugares mais remotos, ainda há a figura da parteira tradicional, que precisa ser registrada pelo Ministério da Saúde. Já as doulas, profissionais que dão apoio emocional e físico às gestantes antes, durante e após o nascimento do bebê, não realizam partos.

Para fugir da cesárea

Para a enfermeira obstétrica Grazielly Alós Valim Carlos, coordenadora de mídias sociais da Abenfo Nacional (Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras), ao buscar o parto em casa, as gestantes tentam fugir do excesso de medicação associado aos procedimentos hospitalares. “O ideal seria que esse aumento não fosse resultado de uma fuga do sistema, ou por medo de sofrer violência obstétrica, mas uma escolha informada desde o pré-natal.”

A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que a decisão do local de parto deve ser da mulher. Mesmo reconhecendo a autonomia da gestante para fazer essa escolha, a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) defende o parto em ambiente hospitalar.

Para a obstetriz Ana Cristina Duarte, coordenadora do GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa), que atende partos humanizados --hospitalares e domiciliares-- em São Paulo e Campinas, o parto nunca é sem riscos, mas realizá-lo fora do hospital não aumenta o perigo em gestantes saudáveis.

Grazielly concorda: “Diversos estudos recentes mostram que gestantes de baixo risco podem ter o bebê em casa sem prejuízo ou risco aumentado”. Segundo ela, por uma questão cultural, no Brasil ainda prevalece a ideia de que um parto realizado em hospital seja mais seguro. O resultado disso é que somos campeões mundiais de cesáreas, com um índice de 53,7%, quando a taxa recomenda pela OMS é de 10 a 15%, atendendo aos casos de emergências.

Se por aqui o parto domiciliar ainda gera polêmica, em países desenvolvidos, como a Finlândia e o Reino Unido, há até incentivos para que as mulheres tenham seus filhos em casa, a fim de diminuir o número de internações e o risco de infecções.

Há casos, entretanto, em que o parto domiciliar não é, de fato, recomendável. “Mulheres com algum problema de saúde, como diabetes gestacional e hipertensão, gestação gemelar e de apresentação pélvica (quando o bebê está sentado) não devem parir em casa. Nesses casos,  um parto normal e humanizado é viável, mas no hospital, que tem a estrutura necessária”, diz a enfermeira obstétrica.

Preconceito e falta de informação

Segundo Ana Cristina, a maioria das pessoas desconhece o modo como é realizado o parto domiciliar e, por isso, tem preconceito. “O médico é formado em hospitais, está acostumado a emergências e doenças. Mas 85% das gestantes não precisam de médico, pois não estão doentes.”

Por falta de informação, diz a obstetriz, as pessoas acreditam que o ambiente hospitalar seja esterilizado, quando, na verdade, o risco de infecções é muito maior no .hospital “O que é estéril é o material que entra em contato com as aberturas corporais, isso tanto no parto em casa quanto no hospital”, afirma.

A especialista explica que o atendimento das parteiras começa já no pré-natal, quando se estabelece um vínculo entre a profissional e a família. Nas visitas, a gestante e o bebê são examinados e é elaborado o plano de parto. A parteira também verifica exames, esclarece dúvidas, dá apoio emocional à família e, se necessário, em caso de complicações, encaminha a paciente a um médico.

Caso opte pelo parto em casa, a mulher é informada sobre problemas que possam resultar em uma transferência e escolhe para qual hospital deseja ser levada e o tempo que isso pode levar.

O parto domiciliar poderá acontecer onde a mulher preferir: na cama, na banheira ou na banqueta de parto, espécie de banco aberto na frente que permite parir de cócoras sem sobrecarregar as pernas.

Equipadas para emergências

Reprodução/Instagram
Sophie Charlotte, Daniel de Oliveira e seu filho, Otto, que nasceu em casa Imagem: Reprodução/Instagram

Todo o equipamento usado no parto --como agulhas, seringas, luvas, anestésico local, material de suturas e a banheira inflável-- é levado pelas parteiras. As profissionais também ficam responsáveis pelo material de reanimação neonatal, que inclui máscara e cilindro de oxigênio, e pelo material para emergência pós-parto, contendo soro e drogas anti-hemorrágicas.

Providenciar alimentos para a gestante e equipe e o material de preparação da casa fica por conta das famílias. “Será preciso comprar absorvente higiênico, forro impermeável para o colchão, plástico descartável para cobrir a banheira, álcool 70%, sacos de lixo e material de limpeza”, explica Ana.

Durante o trabalho de parto, os batimentos cardíacos do bebê são monitorados a cada 30 ou 60 minutos, assim como acontece em um hospital. As parteiras não realizam nenhum procedimento para induzir o parto. Quando o bebê nasce, vai direto para o colo da mãe para ser amamentado e permanece ligado ao cordão umbilical até que pare de pulsar. As parteiras, então, providenciam a limpeza e a organização da casa. “Deixamos o local como encontramos”.

Segundo Ana Cristina Duarte, a maioria das equipes cobra pelo pacote de serviços, que inclui a assistência do pré-natal e até três visitas pós-parto, independentemente da duração do parto. “O serviço custa entre R$ 2 mil a R$ 8 mil, a variação de preço depende da cidade e da experiência da parteira”, diz.

A obstetriz afirma que mulheres que não podem pagar pelo serviço recebem desconto e, em alguns casos, podem ser atendidas de graça. “Temos uma rede de profissionais que presta um serviço social. Nosso lema é que nenhuma mulher seja privada de um parto adequado por falta de condições financeiras.”

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