Bebês

Médica é criticada por foto no visor de berçário e diz apoiar "golden hour"

Thamires Andrade

Do UOL

04/01/2017 15h30

Uma postagem no Instagram da ginecologista e obstetra Monica Nardy causou polêmica nas redes sociais nesta terça-feira (4). Na publicação, a profissional comemora a inauguração de um berçário com visor, para que a família possa acompanhar os cuidados com os bebês, no Hospital e Maternidade Octaviano Neves, em Belo Horizonte (MG). "Tá bom... eu sei... o bebê deveria ficar o tempo todo com a mãe... #goldenhour Blá... Blá... Blá... Mas enquanto a gente não atinge a perfeição, vamos comemorar as melhorias! ", afirmou.

A publicação foi criticada por mães e ativistas que lutam para que os hospitais sigam as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Ministério da Saúde de deixar que os bebês fiquem com as mães logo após nascer e não sejam transportados para os berçários.

Em entrevista ao UOL, Monica diz que sua postagem foi mal interpretada por pessoas que não conhecem seu trabalho. Ela explicou que defende o contato da mãe e filho logo após o nascimento e que a foto era apenas a comemoração de uma melhoria no hospital, já que, agora, a família poderá acompanhar pelo vidro os primeiros cuidados do bebê naquele local. E enfatizou que não era um incentivo pra substituição do contato da mãe para que o bebê fique na sala.

"Defendo que a mãe e bebê tenham contato pele a pele [método canguru] logo ao nascer e também a 'golden hour' [tempo juntas após o nascimento]. Coloquei aquele 'bla bla bla' na publicação, pois estou cansada de dizer isso para as minhas pacientes e seguidoras. Inclusive, já fiz várias postagens sobre esse tema. Reconheço os benefícios de tudo isso", explica.

"Não sou em quem determina as melhorias do hospital. Sou defensora da sala de parto com banheira e tudo. Agora, com o berçário com visor, a família acompanhará os primeiros testes da criança antes que ela vá se juntar ao pai e a mãe na sala de recuperação", diz.

Afinal, o que é a ‘golden hour’?

De acordo com o ginecologista e obstetra Claudio Basbaum, da Clínica PróMatrix, essa primeira hora do bebê é fundamental para o vínculo com a mãe e para ter um nascimento sem violência. “Essa criatura que chegou ao mundo tem que ter direito de ir para o seio da mãe, sentir seu calor e seu cheiro, além de reconhecer e se tranquilizar ao ouvir os batimentos cardíacos dela. Em silêncio e sem interferências externas”, diz.

Basbaum explica que essa proximidade com as mães na primeira hora é altamente benéfica não só por questões emocionais, mas também físicas. “As principais são por conta da ingestão do colostro [líquido amarelado produzido pela mama antes do leito materno] que fortalece a imunidade do bebê. A criança que ingere o colostro nessas primeiras horas tem uma boa proteção até os seis meses, que é quando ela começará a produzir os anticorpos sozinha”, diz.

Esse líquido, segundo o ginecologista, tira o mecônio do intestino do bebê, previne o surgimento de alergias, infecções e diarreias, além de contribuir para o equilíbrio da flora bacteriana da criança.

Além dessa nutrição, o médico destaca a importância de tocar e abraçar o bebê para mostrar que ele é bem-recebido, o que vai contribuir muito para sua autoestima. “A criança chora pelo medo, solidão, mas as pessoas pensam que é só fome. Precisamos nutrir o bebê e, ao fazer isso, nós o acomodamos nos braços, acariciamos, massageamos suavemente, só que isso não acontece nos berçários, e sim, ao lado dos pais”, diz.

Berçário = enfermaria de doentes

Para o médico, o berçário é uma enfermaria de doentes que não traz benefício algum para os bebês, já que provoca um isolamento de quem eles mais querem sentir a presença, que é da mãe. "A imobilidade do berço, o contato com o tecido, a luz e o ruído incomodam esse bebê que estava acostumado com um ambiente de penumbra e aquecido dentro do útero. O contato com o seio materno e ouvir os batimentos da mãe, poupa dessa solidão 'gelada' que ela é submetida no berçário", fala.

Basbaum defende que o berço da criança deve ser colocado ao lado da cama da mãe, pois isso é altamente benéfico e estimulante também para a produção de leite materno. "A sucção do bebê provoca a liberação dos hormônios prolactina e ocitocina, que aumentam a produção do leite. Sem contar que sai até mais barato para o hospital colocar o berço ao lado da mãe, pois ela, se tiver recebido orientação adequada no pré-natal, saberá cuidar desse melhor do que qualquer enfermeira", explica.

O especialista não defende a extinção dos berçários, mas, sim, que eles só acomodem os bebês que estão passando por problemas médicos e que precisam de uma atenção especializada por parte da equipe de enfermagem e de neonatologistas. "Mas as crianças que nascem saudáveis, que são a imensa maioria, devem ter o direito de estar ao lado da mãe. Até por que isso faz com que elas fiquem mais calmas, mamem mais e não se sintam angustiadas. Os hospitais devem começar a seguir o que já é preconizado pela OMS e a Unicef e as mulheres devem se informar e também exigir isso", afirma.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

do UOL
do UOL
UOL Notícias
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Estilo
UOL Estilo
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
Gravidez e Filhos
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Estadão Conteúdo
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Gravidez e Filhos
do UOL
do UOL
do UOL
BBC
Topo