Infância

Está preocupado se sua criança está alta ou baixa demais? Tire as dúvidas

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A baixa estatura pode ser herança genética ou representar problema de crescimento Imagem: Getty Images

Melissa Diniz

Do UOL

O desenvolvimento dos filhos é uma preocupação comum aos pais, mas nem sempre é fácil diferenciar a baixa estatura de problemas de crescimento. Para ajudar a esclarecer as dúvidas mais comuns sobre o tema, o UOL ouviu o endocrinologista pediátrico Carlos Longui, professor Titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

1. Como saber se a criança está na altura certa?

A estatura de toda criança deve estar de acordo com a curva de crescimento normal da população. Crianças que estejam abaixo do percentil 10 da curva (ou seja, que façam parte dos 10% menores da população) devem ser observadas quanto ao ritmo de crescimento e estatura relativa em relação aos pais.

2. Existe uma variação aceitável da curva?

Dependendo da idade e sexo da criança existe uma altura correta esperada. A variação aceitável é de 5 cm para mais ou para menos. Esses valores podem ser vistos em curvas normais.

3. Até que ponto o fator genético é determinante?

A estatura dos filhos depende em até 70% da estatura dos pais. Quando um dos pais é mais baixo, os filhos podem seguir a estatura deste pai (mãe) mais baixo. Cabe ao médico investigar se a redução da estatura é causada por uma doença herdada.

4. Até que idade, em geral, meninas e meninos crescem? Há um ponto ideal para interferir ou um limite?

O crescimento praticamente termina ao redor de 14 anos para meninas e de 16 anos para meninos, mas o fator mais crítico para esta parada é a idade óssea (grau de maturidade dos ossos). Portanto, com idade óssea maior de 14 anos, no caso das meninas, ou 16 anos no caso dos meninos, não é mais possível qualquer tratamento. O ideal é fazer a interferência pelo menos três a quatro anos antes do começo da puberdade, ou seja, antes dos seis anos de idade.

5. Como avaliar a idade óssea?

Em caso de suspeita de problemas no crescimento, o pediatra costuma pedir exames de raio X das mãos e dos punhos para saber se a idade óssea está acelerada em relação à idade cronológica. A idade óssea representa o grau de maturação dos ossos e, portanto, o quanto do crescimento já ocorreu. Seu avanço indica que o potencial de crescimento futuro está reduzido. Frequentemente, isso está relacionado à antecipação puberal ou ao excesso de peso (sobrepeso ou obesidade).

6. Que fatores podem alterar o ritmo de crescimento?

Ritmo de crescimento diminuído sugere que fatores nutricionais, hormonais ou doenças de base estejam presentes. Ritmo de crescimento aumentado sugere que a puberdade tenha sido antecipada ou haja presença de excesso de peso. Atrasos ou acelerações da velocidade de crescimento trazem um risco em longo prazo de perda de estatura final, devendo ser reconhecidos o mais breve possível.

7. Isso pode acontecer em qualquer idade?

O ritmo de crescimento pode ser alterado em qualquer idade. Para cada faixa etária, existem causas mais comuns. Como exemplo, entre quatro e dez anos, as causas hormonais mais frequentes de crescimento lento são o hipotireoidismo e a deficiência de hormônio de crescimento. A investigação da causa da alteração do crescimento deve ser ampla e o tratamento específico para cada uma delas

8. Suplementação nutricional ajuda no tratamento?

Nos dias de hoje, a desnutrição é uma causa rara de crescimento deficiente e, portanto, os suplementos nutricionais não são indicados e o excesso calórico deve ser evitado para que não ocorra excesso de peso.

9. O que leva ao excesso de crescimento?

Excesso de peso ou obesidade, bem como a antecipação puberal, são causas frequentes de crescimento acelerado. Dieta balanceada, com oferta calórica adequada, associada ao aumento de atividade física são essenciais para a prevenção e tratamento.

10. A presença de outras doenças, como hipotireoidismo ou diabetes, pode interferir?

Hipotireoidismo e deficiência de hormônio de crescimento são as causas hormonais mais frequentes de crescimento deficiente. O diabetes interfere no crescimento apenas se descontrolado. O tratamento é substituir os hormônios que estão em falta.

11. Quando o hormônio de crescimento é usado? Ele pode oferecer riscos?

O hormônio de crescimento (GH) é atualmente usado não apenas em quem tem falta de produção do hormônio, mas também em pacientes em que o hormônio não age de forma adequada. Quando utilizado em doses corretas, geralmente não há efeitos adversos, ou os efeitos são leves, como dor de cabeça, dor nas articulações e acentuação de problemas ortopédicos preexistentes.

12. Esportes influenciam para mais e para menos?

O crescimento normal depende de uma dieta balanceada e de atividade física regular. Faltas ou excessos são prejudiciais. Algumas modalidades olímpicas, como ginástica e natação, podem reduzir o crescimento não pelo tipo de atividade, mas, sim, pela intensidade de sua realização. Atividades com duração maior do que quatro horas por dia podem ter uma repercussão metabólica negativa e, consequentemente, determinar a redução do crescimento.

13. A baixa ou a alta estatura influenciam na vida adulta?

A repercussão da estatura na vida adulta é uma condição absolutamente individual. Quanto mais distante da média populacional, maior a probabilidade de que esta repercussão venha a ocorrer. Na atualidade, meninos e meninas se incomodam com a baixa estatura de maneira similar. A alta estatura é uma preocupação maior em meninas. Nas situações em que a alteração de estatura não é causada por doença, e o tratamento visa a melhor adequação da estatura, a conduta deve ser individualizada.

14. Qual a relação entre a antecipação da puberdade e o crescimento?

Um dos fatores determinantes da estatura final é o momento em que a puberdade se inicia. Em média, a puberdade começa aos dez anos para as meninas e aos 12 anos para os meninos. A antecipação da puberdade tem um impacto relevante na estatura final. Para cada ano de antecipação, a estatura final se reduz em cerca de 4 a 5cm. Na menina, a menstruação ocorre em média três anos após o início puberal, ou seja, ao redor dos 13 anos. O crescimento pós-menstruação é em média de 5 a 7cm. A antecipação da menstruação também se acompanha de redução da previsão de estatura.

15. Meninos crescem mais do que meninas? Qual a média e a diferença?

Na população geral, homens são em média 13 cm maiores do que as mulheres. Essa diferença se deve principalmente ao fato de que os meninos entram em puberdade dois anos depois das meninas. Também colabora para esta diferença o maior crescimento dos meninos durante a puberdade (cerca de 3 cm a mais).

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