Gestação

Como encarar os desafios de gravidez de Helô, personagem de "A Lei do Amor"

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Na trama das 21h, Helô (Cláudia Abreu) quer engravidar de Pedro (Reynaldo Gianecchini) Imagem: Divulgação

Melissa Diniz

Do UOL

17/01/2017 04h00

Em cena da novela “A Lei do Amor”, exibida pela Rede Globo na faixa das 21h, Helô, personagem de Cláudia Abreu, revelou que deseja engravidar de Pedro (Reynaldo Gianecchini). A notícia revoltou Tião (José Mayer), seu ex-marido e vilão da trama, que acredita que, por estar acima dos 40 anos e por ter tido uma gravidez tubária no passado, ela jamais conseguirá.

Tião está errado. Apesar de uma nova gestação nessas condições ser mais difícil, não é impossível. A idade da mulher, dizem os especialistas ouvidos pelo UOL, atrapalha mais do que a complicação na gestação anterior.

“A gravidez tubária danifica uma das trompas. Se a tuba remanescente for normal, as chances de ocorrer uma nova gestação natural são de cerca de 50%, porém, com risco de 10% de recorrência do quadro. Acima dos 40 anos, as chances de engravidar se reduzem para 15 a 20%”, explica Daniel Suslik Zylbersztejn, médico do setor de Reprodução Humana da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e assessor médico do laboratório de análise seminal do Grupo Fleury.

Helô teve um embrião fora do útero 

Chama-se gravidez ectópica a presença de um embrião fora da cavidade uterina. “Em 99% desses casos, o embrião aloja-se na trompa, criando uma gravidez tubária, mas em 1% das vezes pode estar na cavidade abdominal”, explica Márcio Coslovsky, ginecologista especialista em reprodução humana e diretor médico da clínica Primordia, no Rio de Janeiro. Nessas situações, a gestação não pode evoluir.

Se a gravidez tubária não for descoberta a tempo, a tropa pode se romper com o crescimento do embrião, causando hemorragia interna que pode até colocar a vida da mulher em risco.

Como é a nova gravidez agora?

Se não houver comprometimento da outra tuba, uma gravidez natural é possível, embora possa ser mais demorada. “Não se pode controlar por qual ovário a mulher vai ovular em cada mês, algumas ovulam pelo mesmo lado por vários meses seguidos e pode acontecer de ser exatamente o lado em que a trompa foi retirada”, afirma Coslovsky.

Mas acima de 40 anos, diz o médico, a mulher não tem tempo a perder. Para mais facilidade e segurança, pode-se propor um tratamento de fertilização in vitro (FIV).

“Na FIV, diz, Zylbersztejn, as trompas não participam. “O embrião é formado no laboratório e transferido diretamente para dentro da cavidade uterina. Entretanto, pode se mover para dentro de uma das tubas e não conseguir sair, promovendo uma nova gravidez ectópica. Estudos recentes mostram que a transferência de embriões criopreservados (congelados) reduzem o risco de isso acontecer”, afirma.

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Helô terá mais dificuldades para engravidar novamente Imagem: Divulgação

Tratamento da gravidez ectópica envolve cirurgia

"'A escolha do tipo de tratamento para a gravidez ectópica depende do estado clínico da mulher, do desejo de ter uma gestação posterior, do grau de evolução da gravidez e da localização do embrião." A conduta mais frequente é a cirurgia de salpingectomia, que promove a retirada inteira da tuba que contém o embrião para evitar hemorragia, explica o médico. 

“Nos casos em que haja a presença de um embrião sem batimentos cardíacos e o nível de HCG seja menor do que 5000 UI/L, pode-se usar o medicamento Metotrexato”, diz.

Quando uma paciente apresenta uma gravidez ectópica, explica, a outra trompa também pode estar comprometida, pois as doenças atacam as tubas de uma maneira bilateral. Portanto, é preciso descartar o problema antes de tentar engravidar naturalmente de novo.

Por que acontece?

Daniel Zylbersztejn explica que, após a fecundação, a tuba é responsável por levar o embrião recém-formado para dentro do útero, onde irá se alojar e se desenvolver. “A trompa não é um túnel simplesmente, mas uma estrutura extremamente complexa, contendo cílios na sua parte interna que agem ativamente para ajudar o embrião em seu caminho.”

Quando esta estrutura ciliar está comprometida, diz, o embrião não consegue chegar até ao útero e acaba por se implantar dentro da própria tuba ou simplesmente interrompe seu desenvolvimento por não encontrar o ambiente mais adequado, provocando nas mulheres apenas um leve atraso menstrual que, na verdade, tratava-se de uma gravidez inicial que não evoluiu.

DST, tabagismo e infecções: as causas

As principais causas de problemas nas trompas, segundo o médico, são o tabagismo, cirurgia e doença inflamatória pélvica, mais conhecida como DST (doença sexualmente transmissível). “A paciente com DST pode apresentar sintomas como febre, corrimento vaginal fétido e até abcesso tubário, em que é necessário o tratamento cirúrgico e uso de antibióticos, ou não ter nenhum sintoma”, diz.

De acordo com Márcio Coslovsky, a clamídia é a principal responsável por essas infecções que podem levar a obstruções das trompas.  “Essa bactéria tem uma predileção pelas trompas e pode causar um tipo de entupimento absoluto ou relativo. Antigamente, a gonorreia era a causa principal do problema. Há também casos em que a mulher tem uma malformação de nascença”, diz. 

Na maioria das vezes, diz o especialista, a obstrução das trompas só é descoberta quando a mulher tenta engravidar e não consegue ou quando a gravidez tubária já aconteceu. “Se a gravidez não acontece naturalmente, um dos exames pedidos pelo médico é a histerossalpingografia, que verifica anomalias nas trompas”, diz.

Beta HCG (exame que detecta a presença do hormônio gonadotrofina coriônica humana, somente produzido na gestação) baixo ou subindo pouco é sinal de que algo está errado. “Com cerca de cinco a seis semanas de gravidez, o saco gestacional deve ser visível dentro da cavidade uterina no exame de ultrassom”, diz Zylbersztejn.

 

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