Gravidez e filhos

Gabriela Kapim conta do caso mais difícil e como fez seu filho comer feijão

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Gabriela Kapim, apresentadora do programa "Socorro! Meu Filho Come Mal" Imagem: Divulgação

Bárbara Stefanelli

Do UOL

31/01/2017 04h00

Foi porque se escondia no mato, ao brincar com os primos de esconde-esconde, que Gabriela de Mattos Gonçalves ganhou o apelido de Kapim. “Me chamam assim desde os cinco anos, porque eu era menor que o capinzal do sítio. A maioria dos meus amigos nem sabia o meu primeiro nome.” E é pela alcunha carinhosa de infância que a nutricionista é também conhecida pelos pequenos participantes do seu programa “Socorro! Meu Filho Come Mal”, exibido no canal pago GNT.

E, pelo visto, essas brincadeiras no mato lhe renderam não só um apelido, mas também todo um modo de trabalhar. Na atração, em que ajuda pais que têm dificuldade em oferecer alimentação saudável aos filhos, Kapim sempre encontra maneiras divertidas, dinâmicas e soluções criativas, que empolgam as crianças a comerem melhor. Uma atitude simples e lúdica, como embalar frutas em embalagens de bombom, pode ser a solução que muitas famílias precisavam para fazer os pequenos comerem aquela “fruta esquisita”.

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Gabriela Kapim e os filhos, Sofia e Antônio, de 9 e 11 anos, respectivamente Imagem: Divulgação
“Meu trabalho sempre teve essa coisa experimental. Fui inventando essas brincadeiras e dinâmicas de uma maneira muito intuitiva. Até hoje vejo que estou conversando com um pai ou uma criança e me vem uma ideia. Minhas estratégias são percepções do momento”, conta em entrevista ao UOL. Suas sacadas deram tão certo que, agora em março, ela vai ganhar um novo programa, “Cozinha Colorida da Kapim”. “Vão ser várias crianças cozinhando comigo”, diz, empolgada.

Abaixo, leia a entrevista completa, em que Kapim conta qual foi o caso mais difícil que pegou e ainda dá dicas para pais e cuidadores que já não sabem mais o que fazer para a criança se alimentar melhor.  

UOL: O que leva uma criança a comer mal?
Gabriela Kapim: Existe um padrão comportamental, crianças com determinadas idades começam a parar de comer, aí vira uma bola de neve. Com dois para três anos, começa um processo seletivo que, se os pais não reverterem ou perceberem rápido, a criança chega com cinco, seis anos, comendo arroz, nugget, farofa e macarrão. Tudo começa com uns nãos.

UOL: É uma maneira de chamar atenção também?
Kapim: Tem muito de uma conduta desafiadora, de ansiedade, de angústia pela falta, porque quando uma criança come mal, pai e mãe se preocupam, param de fazer o que estavam fazendo para prestar atenção nela, para levar ao médico, ao pediatra. Isso cria uma atenção especial em volta dela. Uma criança que não tem pai e mãe presentes vai chamar atenção de um jeito e, muitas vezes, é pela alimentação. Por isso, minha prioridade é encaixar almoço e jantar com meus filhos no meu dia. Não gosto de deixar de jantar ou de almoçar com eles.

UOL: Você já teve problema com a alimentação dos seus filhos?
Kapim: Eles já tiveram fases, mas nunca duraram muito. Não permiti. Teve uma época que meu filho disse que não queria comer feijão. Aí ele ficou dois dias sem comer [feijão]. No terceiro, eu ofereci e ele não quis. Falei: “Azar o seu”. Aí ele comeu, resmungando, e depois passou a comer normalmente. Às vezes, ele fica catando a cebola. Eu deixo, mas falo para não catar todas as cebolas do prato. Digo: “Paciência, eu também não gosto de pimentão, mas é o que tem e eu como”.

UOL: Então, a solução é não parar de oferecer.
Kapim: Tem que insistir, pode até aceitar o não em um dia. Se um dia pediu para peneirar a comida, peneira. O problema é reclamar e todo dia ir cedendo. E daí, em uma semana, ela não come mais aquilo. A criança se empodera desses nãos, ninguém vai insistindo e as coisas vão saindo do prato.

UOL: Muitos pais acabam recorrendo ao tablet ou celular para os filhos comerem. O que você acha da estratégia?
Kapim: Aí a gente começa a ter outros problemas. Por conta da distração e do estímulo fotossintético muito forte, nosso cérebro tem dificuldade de registrar o que está comendo. E o corpo perde nutricionalmente, porque a absorção é prejudicada. Outro fator relevante que se perde é a socialização. Quando a criança está olhando o tablete, ela não se apropria do que está comendo nem interage na mesa. Então, o que pode ser uma solução no início acaba se tornando um problema. E percebo que as crianças se interessam muito mais pelo contato afetivo do que com o tablete. A questão é que o problema está no afeto, porque muitos pais não querem jantar juntos dos filhos, porque essa é a hora deles, de sentar e conversar.

UOL: Para esses casos, tem algumas frutas e legumes que são de mais fácil aceitação?
Kapim: Não, tem que oferecer de tudo. O que eu vejo é que a gente tem uma predisposição a oferecer banana, maçã e mamão. E aí acaba esquecendo de oferecer lichia, abacaxi... No dia a dia, acabamos esquecendo de oferecer alimentos diferentes e pode até ser que a criança goste. O que eu falo muito é: “Ofereça tudo”. Se ela quer comer uma cebola crua, deixa ela comer. Eu já vi criança comendo como se fosse maçã, para ela estava gostoso. A gente que pensa que cebola é esquisito e a criança não vai comer.

UOL: E qual foi o caso mais difícil que você pegou?
Kapim: Tive muitos. Mas teve um de uma criança que só comia industrializado. Era uma mãe que só consumia industrializado. Na cozinha dela, tinha quilos de comida congelada, macarrão instantâneo, batata palha, caldo de legume pronto. Então ela tinha dificuldade de pegar minhas orientações. Tive muita dificuldade no início, mas em algum momento ela percebeu e conseguimos juntas. 

UOL: É que para muitas famílias é mais simples, mais prático, dar comida industrializada.
Kapim: Será? Acho que não. O que é mais fácil, passar a mão em uma maçã ou cenoura e sair comendo ou abrir um pacote de bolachas? Esses dias fiz um omelete para a equipe do programa que ficou pronto em dez minutos. Todo mundo ficou impressionado com como ficou pronto rápido. Mas ter uma alimentação saudável é questão de prática, observação e escolha. Você vai ficando rápido com o tempo. Fora que comer bem sai mais barato do que comprar industrializado.

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