Pós-parto

Os 8 kg que Kelly Key perdeu em 11 dias têm a ver só com amamentação?

Reprodução/Instagram
Kelly Key e o filho Artur; cantora comemora oito quilos a menos em 11 dias Imagem: Reprodução/Instagram

Adriana Nogueira

DO UOL

06/02/2017 17h44

Kelly Key deu à luz Artur, seu terceiro filho, em 25 de janeiro e, 11 dias depois, já comemora oito quilos a menos na balança. No post em seu Instagram em que contou o feito, a cantora disse que o menino está sendo amamentado exclusivamente no peito. Mas amamentar é sinônimo de perda de peso para todas as mulheres?

Segundo a endocrinologista Maria Fernanda Barca, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Sociedade Endócrina dos Estados Unidos, não se trata de uma verdade absoluta.

“A amamentação e os cuidados com o recém-nascido exigem um gasto calórico maior, mas nada que vá gerar emagrecimento por si só. Varia de mulher para mulher. Se ela estava com um peso adequado antes de engravidar, se não engordou demais na gestação e como é a sua alimentação no pós-parto. Se ela comer demais, não vai emagrecer só porque está dando o peito ao filho”, afirma Maria Fernanda.

O pediatra e nutrólogo Mauro Fisberg, coordenador do Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto Pensi do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, diz que quem amamenta tem uma chance maior de voltar ao peso de antes da gestação, mas que isso depende dos fatores listados pela endocrinologista, entre outros.

“Para produzir o leite, a mãe gasta mais calorias e seu corpo está mais ativo metabolicamente por conta da amamentação, mas, se ela comer demais ou tiver engravidado muito acima do seu peso, dar de mamar ao filho não fará com que emagreça”, diz Fisberg.

No caso de Kelly, a perda de peso é uma combinação de sua boa forma antes de engravidar, dos cuidados que adotou na gestação e do que está fazendo agora. Em entrevista ao UOL por telefone, ela contou que está sendo acompanhada por uma nutricionista especializada em gestantes e adotando uma alimentação balanceada.

“No café da manhã e no almoço, como carboidratos, proteínas e vamos variando os alimentos. Até para ver o que dá cólica no Artur. À noite, já tirei carboidrato e, durante o dia, tenho tomado água com gengibre e limão para acelerar o metabolismo”, fala Kelly.

A cantora, que ainda tem de perder 10 kg para chegar no peso de antes da gestação, diz que não tem pressa. “Estou sendo acompanhada por especialistas em lactantes porque não quero meter os pés pelas mãos. Quero fazer tudo em prol da minha saúde e da do Artur.”

Sobre atividade física, Kelly contou que, nesta segunda-feira (5), estava aguardando a visita da ginecologista obstetra que a acompanha para ser liberada para começar uma caminha leve.

“No máximo, meia hora, para ver como fico. Daí a ideia é com o tempo ir intensificando, começar a descer e a subir escadas. Depois ir para a academia para exercitar os membros superiores”, diz a artista, que está amamentando o filho caçula em livre demanda durante o dia, ou seja, sempre que ele manifesta vontade.

O cuidado com a alimentação faz todo o sentido. Segundo Mauro Fisberg, a mulher que está amamentando precisa de, no mínimo, 1.800 calorias diárias. “Há casos em que a lactante precisa de até 50% a mais do que isso para dar conta de produzir leite”, fala o pediatra e nutrólogo.

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Saúde do homem também pode complicar gestações; veja entrevista

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 10% das mulheres grávidas e 13% das que acabaram de dar à luz sofrem algum tipo de distúrbio mental. Em países em desenvolvimento o índice sobe para 20%. A depressão seria o comportamento mais comum entre esses distúrbios e requer, na maioria das vezes, interferência psiquiátrica. Ela se difere de baby blues ou tristeza materna, que é uma situação considerada normal e temporária, e atinge cerca de 80% das mulheres. Depressão pós-parto e perda gestacional foi o tema da transmissão ao vivo da "TV Folha" nesta quarta-feira (27), com as participações da obstetra e ginecologista do Hospital das Clinicas de São Paulo Albertina Duarte e da especialista em cuidados com bebês e crianças Mariana Alves. A mediação é da blogueira Camila Appel, do "Morte Sem Tabu". Há alguns fatores de risco para se considerar, como passar por quebras de expectativas (ter imaginado o parto perfeito ou não sentir amor imediato pelo bebê), já ter tido depressões prévias e perdas gestacionais. O momento é de extremo cansaço para mãe, que pode sofrer de transtornos de humor normais em até um mês após o parto. Se o quadro se agrava depois do período, é recomendada a busca por ajuda médica. A perda gestacional impacta cerca de 10% das mulheres e é sentida como um luto profundo, por mulheres e homens. Entre as causas, Albertina destaca a má-formação do feto, infecções, falta de vitamina (D especialmente) e stress. Ressalta também que a perda pode acontecer devido a infecções presentes no esperma e por isso ser algo não apenas relacionado à saúde da mãe. Mariana fala em um aumento tanto de casos de depressão pós-parto quanto de perdas gestacionais. Albertina e Mariana concordam que sintomas da sociedade contemporânea estariam associadas a essa realidade, como o stress e a má alimentação.

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