Infância

Por que Adele está certíssima ao ensinar o filho a respeitar as mulheres

Mike Blake/Reuters
Adele com os cinco Grammys que ganhou na edição deste ano: álbum do ano, gravação do ano, música do ano, melhor performance solo e melhor álbum vocal pop Imagem: Mike Blake/Reuters

Do UOL

21/02/2017 19h12

Depois de reinar no Grammy e ainda dividir o prêmio principal com Beyoncé, Adele mostrou que tem muito a ensinar sobre maternidade. Em entrevista à revista britânica Ok! Magazine, a cantora afirmou que um de seus objetivos na criação do filho, Angelo, 4, é que ele aprenda desde de cedo sobre o respeito às mulheres.

"Ele está sendo criado para respeitá-las. Ele sabe que sou uma força poderosa. E sente isso em casa e principalmente quando me acompanha no trabalho --e ele sempre me acompanha no trabalho", disse à revista.

Se nós queremos um mundo mais igualitário, o exemplo precisa partir de dentro de casa, como Adele está fazendo. De acordo com Nathalia Borges, psicóloga e coordenadora dos projetos de relações de gênero da Escola de Ser, a conscientização sobre a igualdade começa na infância.

"Não podemos só empoderar meninas sobre suas potencialidades e direitos. Precisamos educar meninos para que respeitem o corpo, o espaço e as decisões delas. Não podemos só ensinar meninas a tomarem espaços públicos e posições de tomada de decisão. Os meninos precisam saber que se apropriar do espaço doméstico também é responsabilidade deles", disse em entrevista ao UOL. Para ela, apenas trabalhando fortemente na educação de ambos os gêneros é possível dividir a responsabilidade para um mundo mais justo. 

De maneira prática, os responsáveis precisam repensar as próprias atitudes e não apenas o que dizem aos filhos. “A criança precisa ver a igualdade de gênero acontecer diante dela. Como quem cuida da criança se relaciona? Como é a divisão das tarefas da casa? Esses são componentes essenciais para a percepção sobre como homens e mulheres se comportam e dividem as funções do dia a dia”.

Dentro dos ensinamentos, segundo a educadora, outro ponto fundamental é ampliar o conceito de masculinidade para que os meninos saibam que existem outras possibilidades de existir e ser além do estereótipo do “machão que não chora”.

“Parece que não, mas eles também sofrem com a rigidez dos padrões de gênero. Muitos deles são vítimas e assistem a violência doméstica. Por falta de modelos e alternativas acabam repetindo esses comportamentos. É preciso ensiná-los que não precisam ser agressivos ou territorialistas para serem masculinos”.

Frases que devem ser abolidas da criação de meninos

- "Homem tem que ser cavalheiro com as mulheres": a real é que homens devem tratar as mulheres da mesma forma que devem tratar qualquer pessoa, com respeito e gentileza.

- "Segurem suas cabras que meu bode está solto": essa frase é a tradução da cultura do estupro e autoriza meninos a assediarem e agirem como pegadores. Ao mesmo tempo, sugere que meninas que não estiverem protegidas, podem ser vítimas de um impulso sexual incontrolável deles.

- "Menina que cozinha já pode casar": o ato de cozinhar não deve estar vinculado ao casamento ou à função de uma mulher. Meninos também podem e devem aprender a se virar na cozinha e todos os outros afazeres domésticos.

- "Meninas devem se dar o respeito": na verdade, elas não precisam fazer isso, uma vez que o respeito já está garantido por lei como direito de qualquer cidadão. Não cabe a ninguém julgar atitude, roupa ou postura de uma mulher.

- "Seja homem": afirmativas como essa exigem da criança que ela se comporte com agressividade e uso de poder. Porém, cada ser humano tem características próprias e deveria ter a possibilidade de se expressar da maneira que preferir.

Fonte: Nathalia Borges, psicóloga e coordenadora dos projetos de relações de gênero da Escola de Ser; Caroline Arcari, pedagoga e diretora da Escola de Ser

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