Gravidez e filhos

Crianças ansiosas sofrem; veja 7 maneiras de lidar com o sentimento

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Converse com a criança sobre as angústias dela e se coloque à disposição para ajudar a encontrar soluções Imagem: iStock

Gabriela Guimarães e Marina Oliveira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

05/04/2017 04h00

Diferente dos adultos, a ansiedade nas crianças pode desencadear outros problemas. Os menores não sabem administrar esse sentimento e tendem a mudar radicalmente de comportamento. “Alguns sinais indicam que eles estão sofrendo: medo excessivo, dificuldade de tomar decisão e de se concentrar, indisciplina, acessos de raiva, isolamento e até xixi na cama”, diz a psicóloga Fabíola Luciano, especialista em Terapia Cognitiva Comportamental pela USP (Universidade de São Paulo).

A ansiedade também pode causar sintomas que se parecem com uma doença. Foi assim que a empresária Flávia Teodoro de Freitas Manrique, 41 anos, percebeu a angústia da filha Maria Eduarda, de 8. “Quando ela tinha 4 anos, ia fazer um passeio com a turma da escolinha. Dois dias antes, começou a ter febre. Levei ao médico e nada foi constatado. Chegou o dia do passeio e ela não teve mais nenhum sintoma”, conta. “Isso voltou a acontecer pouco tempo depois. Antes da apresentação na festa junina da escola, ela teve febre e dor de barriga”, diz Flávia.

Também é comum a criança sentir o coração acelerado e a boca seca, suar mais e ter tremores. “Isso acontece porque os sintomas psíquicos refletem no corpo”, diz a psicóloga e pedagoga Jaci Ferfila, especializada em Psicossomática pela Associação Brasileira de Medicina Psicossomática.

A ansiedade infantil não é, necessariamente, um reflexo do comportamento dos pais. Mas o modo como os adultos lidam com as sensações do filho vai influenciar na capacidade que a criança terá de superar ou não o quadro, diz a neuropsicóloga Deborah Moss, mestre em Desenvolvimento Infantil pela USP. A seguir, as especialistas indicam 7 maneiras de enfrentar a ansiedade infantil.

1) Dizer "não se preocupe" não funciona

Pergunte o que ela sente. Dizer "não se preocupe" não funciona. O melhor é conversar com a criança sobre as angústias dela e se colocar à disposição para ajudar a encontrar soluções. “O ansioso sempre tende a se preocupar muito. Ajudar a criança a manter o foco na solução, desde cedo, minimiza o tamanho do problema que ela cria mentalmente”, explica Fabíola Luciano.

2) A situação pode ser assustadora para a criança 

Não desqualifique o sofrimento da criança. Para ela, aquela situação -- seja uma excursão da escola, seja a apresentação na festa junina -- é genuinamente assustadora e pode provocar uma reação exacerbada do sistema nervoso. Empatia é fundamental nesse momento: o filho vai se sentir melhor ao perceber que os pais entendem o que ele está passando.

3) Diga a ela que se preocupar não é ruim

O medo de sentir ansiedade pode deixar a criança ainda mais ansiosa. Por isso, vale a pena explicar que há um propósito em se preocupar: o medo nos torna mais precavidos e, em muitos casos, nos torna mais preparados para evitar situações ruins. “Quanto antes a criança reconhecer o sentimento, mais cedo trabalhará para administrá-lo”, explica a psicóloga.

4) Ensine-a a respirar

Depois que a criança aprende a reconhecer os sintomas da ansiedade, os pais podem ensiná-la a respirar fundo para se acalmar. Ela deve contar, bem devagar, de um a dez, concentrando-se apenas na ordem dos números. Assim, vai se distrair do evento que gera ansiedade. “Mas é importante que a criança entenda o propósito disso, que ela saiba que não é a solução do problema, apenas uma técnica utilizada para relaxamento”, diz Fabíola.

5) Crie situações lúdicas

Os pais podem criar um ritual diário, em que a criança pode falar, escrever ou desenhar as suas preocupações por 10 a 15 minutos. Depois desse tempo, aquilo deve ser colocado dentro de uma caixa -- que pode ser customizada por pais e filho -- e será a hora de dizer tchau para a preocupação. Outra maneira de fazer a criança entender o sentimento é dar um nome para ele, e tratar a ansiedade como se fosse um personagem. Algumas falas podem ser criadas a partir daí. Por exemplo: “Não pode deixar Fulano sair do controle” ou “Temos que conversar com Fulano para ele ficar mais calmo”.

6) Incentive-a a praticar esportes

A atividade física ajuda no controle da ansiedade, tanto de crianças quanto de adultos. “Só é preciso cuidado ao escolher a modalidade. Se houver cobrança de desempenho, o esporte pode aumentar a ansiedade”, diz Deborah Moss. O ideal é que a atividade selecionada seja divertida e proporcione prazer à criança.

7) Evite falar com antecedência sobre eventos importantes

A estratégia funciona com a empresária Flávia. “Se vamos fazer alguma viagem ou passeio, deixamos para falar um dia antes. Dessa forma, minha filha pensa no assunto por menos tempo e evita a ansiedade”, explica.

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