Gravidez e filhos

Placenta vira arte nas mãos de doula no Paraná

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Vivian Ortiz

Do UOL, em São Paulo

11/04/2017 19h53

Já imaginou ter uma lembrança diferente do nascimento de seu bebê exposta na parede de casa? Uma doula de Pato Branco (PR) descobriu que, após o parto, é possível carimbar a placenta em um quadro, que pode ser colocado na parede e exposto como lembrança.

A ideia de fazer o registro surgiu durante a gravidez do segundo filho de Luciele de Souza, que atua como doula e consultora em aleitamento materno há mais de um ano. "Pesquisando sobre gestação e parto, vi que a placenta tem destinos variáveis de acordo com as culturas dos povos. Em alguns lugares, ela é cultuada, considerada sagrada, em outros é comida. No Brasil, algumas pessoas fazem o encapsulamento, tinturas, pinturas ou enterram. Foi nesse momento que me interessei pela impressão em tela", conta.

Ela ressalta, inclusive, que muitas pessoas costumam ter uma ideia errada da função da placenta ou até de sua existência. Outros confundem-se, imaginando que o bebê cresce dentro deste órgão, o que é equivocado. "Na verdade, a placenta se forma dentro do útero, depois da nidação do óvulo na parede uterina. Sua função é nutrir o feto, sendo responsável por fornecer todos os nutrientes e oxigênio que o bebê precisa para se desenvolver", diz. 

No caso de nascimento por via cesariana, a placenta é removida pelo médico, pois qualquer pedaço que ficar pode causar infecção. O problema também pode ocorrer no parto normal, quando a placenta costuma ser expulsa pela própria contração do útero, normalmente pouco depois do bebê.

"Árvore da vida"

Reprodução/Instagram
Arte feita com o sangue da própria placenta Imagem: Reprodução/Instagram

Luciele explica que um lado da placenta é uma espécie de velcro, onde uma das faces, a que faz a troca sanguínea, fica aderida ao tecido uterino. Já o outro, que fica voltada para o bebê, é onde ficam os vasos. São esses que lembram uma árvore ao serem visualizados.

"Seria uma interessante lembrança do nascimento, pois é graças a este órgão que o bebê pode se desenvolver", explica. Além disso, como já era mãe de uma menina de cinco anos na época, alega ter tido a preocupação de explicar para a filha todo o processo do nascimento.

"Foi uma forma lúdica de explicar como é possível os bebês crescerem dentro da barriga de uma mulher. Assim, pedi para minha doula, que já tinha feito isso para outras gestantes, fizesse a minha também", conta. Já na gravidez da terceira filha, como não tinha quem fizesse, foi Luciele mesmo quem montou a arte. "Não usei nenhuma técnica específica, apenas segui o meu instinto e ficou muito bacana", conta.

Ela acabou compartilhando seu feito com as mulheres que acompanha em seu trabalho de doula. "Sempre pergunto se interessa, vejo se é possível registrar esse órgão sem atrapalhar a rotina hospitalar e do bebê", conta.

Para Luciele, esta é uma arte simbólica e, ao mesmo tempo, incrível. "É como se fosse uma digital, pois a placenta é única para cada bebê e só tem função quando a criança se encontra na fase intrauterina. Depois, se desprende e acaba se perdendo, independente do tipo de parto", explica.

Como funciona?

Arquivo pessoal
Luciele com uma de suas doulandas Imagem: Arquivo pessoal

As mães interessadas precisam comunicar a equipe médica que gostariam de utilizar a placenta, para algum deles guardar a placenta de forma adequada. "Depois do nascimento, quando está todo mundo no quarto, a mãe acomodada, enfim, pego a placenta rapidinho e vou até o banheiro e faço o processo, que dura de 15 a 20 minutos", explica.

Se a impressão for feita com o próprio sangue do órgão, a doula retira o excesso e faz o trabalho do lado em que ficam os vasos, justamente o que dá o efeito de "árvore" ao desenho. "Eu coloco essa placenta sobre uma tela e pressiono, depois é só retirar, como se fosse uma impressão digital. Também dá para fazer o contrário e pegar a tela e fazer uma pressão em cima do órgão", diz.

Na versão com tinta, o procedimento é o mesmo, como se fosse um carimbo. Depois de tudo, a doula deixa a placenta dentro de um saco plástico e logo devolve para a equipe de enfermagem, que descarta o material de forma adequada.

Quem fez

Reprodução/Instagram
O bebê Lui posa ao lado de sua "árvore da vida" Imagem: Reprodução/Instagram

"Quando a Lu sugeriu, eu prontamente aceitei pensando em ter uma recordação a mais do dia do nascimento do nosso primeiro filho. Ao ver a tela pronta, me apaixonei pela arte, pois ela é linda e repleta de significado. Toda vez que olho para a 'árvore da vida' muitas lembranças boas do dia em que Lui nasceu me vêm à mente..  alegro-me ao lembrar de como tivemos um parto respeitoso e de como o apoio da nossa Doula foi fundamental para que o parto ocorresse de forma natural, como era meu sonho".

Alessandra Ranzan, administradora e mãe de Lui, atualmente com 10 meses

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