Gravidez e filhos

Sincerão! 9 verdades que professores gostariam de falar na reunião de pais

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Imagem: Getty Images

Gabriela Guimarães e Marina Oliveira

Colaboração para o UOL

28/04/2017 04h00

Assim como em qualquer ambiente profissional, na escola, os professores devem seguir um protocolo. Por isso, durante as reuniões pedagógicas, eles nem sempre falam o que estão pensando, mesmo sabendo que determinadas impressões poderiam até ser úteis ao desenvolvimento dos alunos. No entanto, para o UOL, eles revelaram alguns desses "segredos" que gostariam de ter num papo sincero com os pais.

“Seu filho não estuda tanto quanto você pensa”

É comum os pais se surpreenderem com as notas baixas dos filhos e argumentarem que costumam vê-los com a cara nos livros. “Nesse momento, eu sempre pergunto sobre as condições de estudo: há barulho, ele mexe no celular o tempo todo, escuta música, utiliza o computador durante o estudo? Geralmente, o pai não percebe que o filho se distrai com toda essa influência externa”, diz Guilherme*, 23 anos, professor de Ensino Fundamental há quatro. “Não é difícil encontrar pais que responsabilizam apenas os professores pelos insucessos de seus filhos, esquecendo-se de que a educação se apoia no tripé família, aluno e escola. Já fui responsabilizada por lições de casa malfeitas ou incompletas, por exemplo”, diz a professora Heloísa*, 38 anos, docente do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio há 18 anos.

“Seu filho tem que brincar também”

Muitas vezes, os pais preenchem o dia inteiro dos filhos com estudo e atividades extracurriculares e não deixam que as crianças tenham tempo para se divertir. Até na escola, é preciso que elas tenham lazer. “Dentro da escola, a vida social é tão importante quanto o conteúdo; o tempo livre para elas interagirem e relaxarem é tão crucial quanto o tempo dedicado às atividades obrigatórias. É importante deixar os filhos viverem e não apenas seguir roteiros”, diz a professora de Ensino Infantil, Pilar*, 44 anos, há quatro anos na área.

“Nós não estamos perseguindo o seu filho”

Longe dos pais, as crianças têm um comportamento completamente diferente, diz a professora Celina*, 23 anos, que trabalha com Educação Infantil há quatro. “Durante a reunião de pais, eu gostaria de poder abordar essas questões comportamentais sem pudores ou meias palavras. Apresentar para o pai e a mãe como o filho é em sala e comparar a criança que temos na escola com a criança que eles têm em casa”, afirma a professora. Guilherme concorda. “Já tivemos um caso de aluno suspenso cujo pai posicionou-se contra a decisão. Muitos não percebem que desmoralizam as medidas socioeducativas tomadas pela escola quando dão toda razão ao filho”, diz o professor.

“A responsabilidade da educação também é sua”

De acordo com Celina, muitos pais delegam à instituição a educação do filho, quando deveriam assumir essa responsabilidade em conjunto. “É tarefa dos pais ensinar boas maneiras e o respeito ao próximo. A escola entra para reforçar tudo isso, além de introduzir conhecimento”, diz. A professora de Ensino Fundamental Raquel*, 49 anos, que leciona há 22, também se incomoda com pais que querem ensinar como os professores devem trabalhar. “As críticas e as sugestões são sempre bem-vindas, mas recebemos orientações dos pais sobre a melhor estratégia de estudo e o método de ensino. Nas reuniões, todos viram especialistas em educação”, diz.

“O ensino de antigamente não era melhor”

De acordo com Raquel, os pais que criticam métodos de ensino geralmente dizem “antigamente, no meu tempo, o ensino era mais forte”. Mas a realidade é outra. “Melhoramos muito nas duas últimas décadas: há mais recursos disponíveis, há mais professores formados e titulados e até um Plano Nacional de Educação – que é resultado de amplas discussões estabelecidas por representantes de vários segmentos das escolas e da sociedade como um todo”, diz. “Percebo que os pais esperam filhos ‘profissionais do século XXI’, mas desejam ‘alunos do século XIX’”, afirma a professora.

“Reunião de pais não é sessão de terapia”

Há pais que saem completamente do roteiro da reunião e utilizam esse momento para desabafar sobre questões íntimas. “É momento coletivo, não particular”, diz Pilar.

“Agora eu entendi porque seu filho age assim”

As crianças, geralmente, refletem o comportamento dos pais em casa. “Os professores não tocam nesses pontos por receio da reação negativa. Principalmente nas instituições de ensino particulares, há o medo de perder o aluno”, diz Celina. “A criança é reflexo da família. Já tive uma aluna que demonstrava muita agressividade em sala e, quando eu chamei a mãe para conversar, descobri que ela era exatamente igual. Ela tinha o mesmo jeito de falar e de se colocar da criança”, diz Keila*, 50 anos, professora de Ensino Fundamental e Médio há 25.

“Eu sei o que acontece na sua casa”

Crianças não costumam frear o que devem dizer ou não para os professores, muitas vezes falam abertamente sobre brigas, intimidades e maus hábitos do pais, como vícios. “Há crianças que contam que os pais brigaram quando eu pergunto a razão da mudança de comportamento. Mas eu não posso conversar sobre isso com os adultos, muitos dizem que estamos lá apenas para ensinar e não para nos intrometermos na vida deles”, diz Keila.

“Temos alunos favoritos e eles não são os melhores da turma”

Os professores se esforçam para não demonstrar preferência por algum aluno, mas não é verdade que eles gostam de todos com a mesma intensidade. “Geralmente, eu me apego mais às crianças que precisam de atenção, porque os bons alunos vão sozinhos”, diz Joana. “Não dá para negar, tem alunos com quem nos conectamos melhor”, diz Keila.

*Os nomes foram trocados para preservar a identidade dos entrevistados.

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