Gravidez e filhos

Crianças muito dependentes? 5 atitudes que atrapalham a autonomia delas

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Malu Echeverria

Colaboração para o UOL

04/06/2017 04h00

Qualquer ajuda desnecessária é um obstáculo na aprendizagem, já dizia a educadora italiana Maria Montessori (1870-1952). Por pressa, superproteção ou desconhecimento, muitos pais e cuidadores acabam fazendo pelas crianças tarefas que elas já conseguem cumprir sozinhas. Dar de comer, amarrar o sapato e vestir são alguns exemplos comuns, além de desafios que exigem amadurecimento emocional, como resolver conflitos com outras crianças.

“É por meio da prática, com incentivo, que as crianças aprendem novas habilidades. Se a família não estimular tal independência, elas vão aguardar que os adultos façam tudo por elas e podem ficar para trás de outras da mesma idade, tanto na escola quanto em outros espaços de convívio social”, alerta a pediatra Filumena Gomes, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da USP. A seguir, a pediatra e a educadora Maria Aparecida Corrêa, da Escola de Educação Infantil EPCO (SP), listam cinco atitudes dos adultos que atrapalham a autonomia das crianças.

1. Fazer por elas o que já são capazes de fazer sozinhas

Com 18 meses, em média, as crianças já conseguem segurar a colher e ensaiar as primeiras refeições sem ajuda. Aos 3 anos, vestem-se sozinhas. Aos 5, amarrar o tênis deixa de ser um mistério. Isso não quer dizer que não precisam de supervisão, nem que o chão estará limpo ao final de uma refeição. Mas, se não forem incentivadas a executar essas tarefas sozinhas, levarão mais tempo a aprendê-las. “Se observarmos bem, desde cedo, as crianças querem fazer tudo sozinhas. E à medida que vão adquirindo novas habilidades, ganham confiança para conquistar as próximas”, resume a educadora Maria Aparecida.

2. Afirmar, mesmo sem querer, que elas não vão conseguir algo

As conquistas acontecem por etapas. E nem sempre de modo linear. Ou seja, pode-se acertar num dia e errar no outro. Em vez de insistir para que as crianças façam tudo do “jeito certo”, Maria Aparecida sugere que os pais as estimulem a fazer “do seu jeito”. “Nada de críticas negativas. Melhor contornar a situação com um ‘deixa eu terminar para você’, por exemplo”, completa.

3. Impedir que façam suas próprias escolhas

Claro que as crianças não têm autonomia para decidir todos os detalhes de suas vidas. Decisões de impacto -- como a escola, o destino das férias, se a família pode ou não ter um bicho de estimação etc. -- cabem aos adultos. Entretanto, elas podem e devem ser incentivadas a fazer pequenas escolhas no dia a dia. Se você deixá-las escolher a roupa, talvez se decidam por algo não apropriado para a ocasião. Os pais devem dar opções: se estiver frio, por exemplo, indicar três casacos e deixar que escolham.

4. Intrometer-se demais nas brigas das crianças

Os conflitos com outras crianças, que muitas vezes acabam em disputas físicas, fazem parte da convivência social. Os adultos têm o papel de mediá-los, para evitar que alguém se machuque. Mas antes de se intrometer, podem aguardar por alguns minutos para dar aos pequenos a oportunidade de resolverem suas “diferenças” sozinhos, para que aprendam a ter autocontrole e tolerância.

5. Responder no lugar delas

O hábito surge porque, ainda que as crianças comecem a falar com 12 meses, podem levar mais alguns anos para que sejam entendidas perfeitamente. Como a família as conhece melhor do que ninguém, sabe se comunicar com elas e se transforma em “tradutora oficial”. Outra razão é a timidez para falar com estranhos, comum nos primeiros anos de vida. Para que as crianças falem cada vez mais e melhor, a dica da pediatra Filumena é ler para elas e incentivá-las a ler desde cedo. Além disso, saiba escutá-las e respondê-las com atenção, conversando na altura delas, olho no olho, e pausadamente.

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