Gravidez e filhos

Spinner melhora o foco? Veja benefícios e riscos do brinquedo para crianças

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Imagem: Reprodução

Anna Fagundes

Do UOL

09/06/2017 04h00

Se você tem uma criança em casa, com certeza já ouviu falar – ou vai ouvir – sobre os spinners. Trata-se de um brinquedo portátil, no formato de hélice, que gira quando preso entre os dedos. Os desafios entre as crianças é ver quem faz o spinner girar mais rápido e por mais tempo.

Com preços para todos os bolsos (os modelos mais baratos saem por cerca de R$ 25), o brinquedo tem sido disputado até por adultos. Uma das vantagens anunciadas do spinner é que ele, em teoria, auxilia na concentração e pode ser benéfico para pessoas com déficit de atenção e autismo.

Mas o que há de verdade e de exagero no uso do brinquedo? Existe perigo no uso dos spinners? Um time de especialistas esclarece as maiores dúvidas sobre o assunto.

Os benefícios:

Sim, ele ajuda a relaxar

Os profissionais consultados pela matéria são unânimes: embora não exista nenhum estudo científico de que os spinners realmente ajudam no tratamento de ansiedade, o brinquedo é, sim, capaz de relaxar e aliviar tensões de quem usa. O segredo está no movimento repetitivo, que ajuda o cérebro a "desligar" do mundo ao redor.

Favorece a concentração

Para crianças que não sofrem com problema de concentração, o spinner é só um divertimento, mas para aquelas que tem dificuldade em manter o foco o brinquedo pode ser benéfico. O spinner até pode ser usado como uma das ferramentas em um tratamento para crianças com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista. "É importante ter auxílio de um profissional que estabeleça um objetivo dentro do contexto do quadro clínico de cada criança", explica a psicóloga Cristiana Rocca, do Hospital das Clínicas (SP).

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Imagem: CNN

"Há casos em que a criança ou adolescente agitado e desatento se concentra melhor em uma tarefa que não lhe é motivadora se ele estiver fazendo algo em paralelo", diz Cristiana Rocca. Nesse caso, o spinner ajuda a manter o foco e reduz a inquietude. Mas o benefício não vale para todos. Muitas crianças hiperativas só se concentrarão com o spinner por alguns minutos até passarem para a próxima atividade.

O psiquiatra Fernando Asbahr ressalta que ansiedade e falta de concentração precisam ser muito bem avaliadas para se dimensionar o problema e criar um tratamento eficaz, com acompanhamento médico e psicológico. "O spinner tem um quê de mágico, mas infelizmente tratamento mágico não existe".   diz .

Pode ajudar na socialização

A competição para ver quem consegue girar o spinner mais rápido e por mais tempo - ou mais de um ao mesmo tempo, ou ainda em superfícies diferentes - melhora a socialização das crianças. Elas interagem mais entre elas e brincam juntas.

A criança para de chupar dedo

Os spinners podem ser usados como um recurso extra para ajudar no tratamento de questões bem específicas. A fonaudióloga Raquel Luzado, por exemplo, usa o brinquedo como uma distração para ajudar crianças pequenas a parar de chupar o dedo ou roer as unhas, já que os pequenos mantém as mãos ocupadas com a brincadeira. "Mas não é a salvação da lavoura que estão anunciando", ela acrescenta.

As desvantagens:

Alguns modelos são perigosos

O modelo mais básico de spinner é feito de plástico ABS com as hélices arredondadas, justamente para não machucar se o brinquedo acabar escapando da mão. Alguns fabricantes, porém, criaram versões com pontas mais agudas ou imitando estrelas, asas ou armas de artes marciais, em materiais como madeira ou metal. Ou seja: se escapar da mão ao ser girado com muita força, ferimentos serão inevitáveis.

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Se você for comprar um spinner para uma criança, tome cuidado na hora de escolher o modelo.

Ao invés de concentrar, pode distrair

Justamente pela natureza chamativa do brinquedo (alguns modelos fazem barulho ao serem girados, com lâmpadas de LED nas hélices e até brilham no escuro), não é boa ideia trazê-los para a sala de aula, já que a tendência é se distrair com o spinner e não prestar atenção no que diz o professor. "É como usar o celular - não dá para você prestar atenção no telefone e na aula ao mesmo tempo", diz Fernando Asbahr.

Fontes consultadas: Fernando Asbahr, psiquiatra, coordenador do Ambulatório de Ansiedade na Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria - Hospital das Clínicas (SP); Camila Luisi Rodrigues, psicóloga especialista em Neuropsicologia pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (SP); Cristiana Rocca, psicóloga supervisora do Serviço de Psicologia e Neuropsicologia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (SP); Raquel Luzado, fonaudióloga especialista em linguagem infantil; Fabiana Meira Guimarães, psiquiatra infantil; Nelson Douglas Ejzenbaum, pediatra.

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