Gravidez e filhos

Sem penetração, tá liberado! 9 dúvidas esclarecidas sobre sexo pós-parto

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Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL

11/06/2017 04h00

Depois de dar à luz, nós, mulheres, passamos por uma série de sensações diferentes e até mesmo conflitantes. Afinal, o corpo continua sentindo os efeitos de ter gerado uma criança. A vida sexual muda, mas não é por isso que precisa ser chata, problemática ou sofrida. Para você encarar essa fase de forma muito mais tranquila, esclarecemos nove dúvidas entre mães:

1. Calma, sua vagina não ficou mais larga!

No pós-parto, é comum achar que a região genital ficou meio esquisita. Também pudera: todo o organismo se preparou e se adaptou para a gestação e o parto. Antes da gravidez, o útero pesa 50 gramas. Ao final, chega a atingir um quilo! A musculatura se distende, especialmente a do assoalho pélvico, e as estruturas aumentam de volume para a passagem do bebê. A queixa sobre sentir a vagina larga é transitória na maioria dos casos, segundo especialistas. Na verdade, o que determina a perda crônica da elasticidade devido à frouxidão muscular é o número de gestações, possíveis lesões perineais e o ganho de peso.

2. Parto normal não diminui a quarentena

Por mais que a recuperação do parto normal seja mais tranquila do que a da cesárea, o período de resguardo é o mesmo: cerca de 40 dias, sob orientação médica. Antes disso, nada de sexo com penetração. É preciso esperar o útero voltar ao tamanho normal e o colo fechar novamente. Antes de retomar a atividade sexual, o sangramento e as secreções -- normais nesse período -- precisam ter acabado, para evitar infecções.

3. Sexo sem penetração: tá liberado!

O resguardo proíbe a penetração vaginal e anal. Isso não impede de apostar em outras saídas eróticas: sexo oral, masturbação, massagens, beijos e amassos são permitidos e muito bem-vindos. A intimidade e o carinho entre o casal devem ser estimulados -- quando for possível, é claro, já que os cuidados com o bebê são prioridade. Se não estiver a fim, ver um filme de mãos dadas no sofá, quando a criança dormir, já é um namorinho bom.

4. Relaxe, não ter tesão é normal

Não é porque o médico liberou que toda mulher já sai do consultório se sentindo preparada para o sexo. A avalanche hormonal atinge a libido -- e tudo bem! O foco de toda mãe é o filho e isso é perfeitamente OK. A mulher fica cansada por não dormir nem comer direito e muitas vezes prefere dedicar qualquer folguinha ao descanso, e não ao sexo. Além disso, ela precisa lidar com a nova rotina e com o filho. Com o passar dos meses, as coisas vão se encaixando, o leite vai diminuindo, o bebê passa a comer outras coisas e a dormir mais e a vida e a libido vão voltando ao normal.

5. A primeira vez costuma doer

Isso acontece por dois motivos: o primeiro é pelo tempo sem penetração. O segundo é porque a amamentação dificulta a lubrificação, causando desconforto. Invista nas preliminares e use lubrificante. Caso o incômodo continue, consulte o médico.

6. Não se assuste com o sangue

Quando você volta a transar, pode haver um pequeno sangramento. Às vezes, ainda fica um filete de sangue no útero, que é eliminado com a contração durante o orgasmo. O sangue também pode aparecer por causa do ressecamento vaginal -- por isso é bom usar lubrificante nas primeiras transas pós-parto. Agora, se houver sangramento persistente com dor ou cheiro ruim, consulte seu médico para ver se não há uma infecção.

7. Durante a transa, pode sair leite dos seios

Durante o orgasmo é liberada a ocitocina, mesmo hormônio que faz o leite sair pelos mamilos. Não fique constrangida por causa disso. Se preferir ficar de sutiã ao transar, tudo bem! E se o par quiser experimentar o leite, também não há mal nenhum.

8. Você pode engravidar, sim!

Teoricamente os hormônios da produção de leite inibem a ovulação, principalmente em quem faz amamentação exclusiva e de livre demanda. Como alguns bebês mamam de forma irregular, no entanto, pode ocorrer uma ovulação e o retorno da menstruação. Se não quiser correr o risco de engravidar, é melhor bater um papo com o médico e escolher um contraceptivo compatível com a amamentação.

9. Não há nada de errado com seu corpo

Tenha paciência, não se cobre e muito menos julgue a si mesma. Não queira que um corpo que viveu nove meses de transformações volte ao que era antes em poucos dias. Fuja de exemplos irreais, como o de celebridades que recuperam a forma em poucos dias, e seja generosa com você mesma. Seu corpo acabou de gerar uma vida, de passar uma experiência maravilhosa e empoderadora. Dê tempo ao tempo e curta as descobertas.

 

Fontes: Alberto Guimarães, ginecologista, obstetra e um dos criadores do programa Parto Sem Medo; Cecilia Pereira, ginecologista da All Clinik, do Rio de Janeiro (RJ); Cristina Carneiro, ginecologista e obstetra, de São Paulo (SP); Domingos Mantelli, ginecologista e obstetra, autor do livro “Gestação: mitos e verdades sob o olhar do obstetra” (Segmento Farma), e Vamberto Maia, ginecologista e especialista em reprodução humana assistida da Clínica Mãe, de São Paulo (SP)

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