Gravidez e filhos

Divórcio: contar aos filhos não precisa ser dramático, nem deixar traumas

Getty Images
Filhos devem ser poupados de discussões entre os pais Imagem: Getty Images

Patrícia Guimarães

Colaboração para o UOL

18/06/2017 04h00

"O papai, um dia, se apaixonou pela mamãe. E, então, eles começaram a namorar; se casaram e você nasceu. Mas, um dia, esse amor já não era o suficiente. Então cada um vai viver em uma casa diferente porque a gente não é mais namorado. Mas continua sendo seu papai e sua mamãe."

Foi essa a conversa que a professora Thais Almeida e o ex-marido tiveram, juntos, com a filha Gabriela, em janeiro de 2015, quando a menina tinha 5 anos e eles resolveram se separar. Na época, ambos concordaram que o melhor era evitar que a menina tivesse qualquer envolvimento com os motivos do divórcio.
 
"Fizemos um pacto de blindá-la de todo o processo. Queríamos que a Gabi entendesse que a separação era entre o homem e a mulher. Mas que pai e mãe não se separam nunca", lembra Thais.
 
O momento da separação costuma ser cheio de turbulências, mas contar para as crianças não precisa ser um problema.
 

Existe fórmula para contar sobre a separação?

A decisão tomada pelos pais de Gabi de "blindá-la" das razões que levaram ao divórcio foi acertada. Para a psicóloga Andressa Azambuja é importante que o casal esteja com o discurso alinhado ao comunicar a decisão aos filhos. "Isso evitará discussões na frente das crianças e a exposição de detalhes desnecessários e que irá machucá-las", diz Andressa. 
 

Evitar a culpa é essencial

"É importante que os pais possam fazer isso sem culpa. Sem pensar: 'meu filho vai ter problemas porque é filho de pais separados'. A culpa faz com que os pais assumam uma porção de coisas que na maioria das vezes não condizem com a realidade", afirma a psicóloga Lilian Graziano. "A separação, embora possa trazer alguma dor, principalmente quando não há maturidade entre o casal ao se separar".
 
Do mesmo modo, a psicóloga explica que a culpa também deve ficar longe dos filhos. "Muitas vezes o casal ainda tem mágoas e são misturadas questões do relacionamento para usar como jogo psicológico com as crianças. A gente vê situações em que o pai quer colocar o filho contra a mãe e a mãe contra o pai e isso vai gerando uma fantasia de culpa na mente infantil."
 

As crianças devem ser poupadas dos detalhes

A psicóloga Lilian Graziano concorda que a essência do que deve ser dito é que a família continuará a mesma. Que tanto o homem quanto a mulher continuarão pai e mãe de uma mesma família. Mas é bom evitar detalhar quais foram os motivos da separação.
 
"Se foi a rotina do casamento ou um dos pais se interessou por outra pessoa, a criança só deve saber quando a questão estiver muito bem resolvido para os pais. Com os pequenos não se deve entrar nesse tipo de detalhamento porque eles não têm nem condições de entender.
 

As perguntas podem ser aliadas

"É importante dar espaço para que os pequenos perguntem. São os questionamentos que darão o tom daquilo que a criança tem condição ou não de saber", defende a psicóloga. "Porque, às vezes, o que ela traz são dúvidas que não são nem sombra daquilo que os pais estão imaginando. O que ela quer saber é 'você vai continuar me vendo?' ou 'eu vou continuar vendo o papai e a mamãe sendo amigos e cuidando de  mim?'".
 

Colocar a criança na terapia não é uma regra

A psicóloga Andressa Azambuja esclarece que levar os filhos para uma consulta com um profissional não é algo imprescindível. "Há casos em que os próprios pais se surpreendem. Que a criança ou o pré-adolescente tem uma maturidade de já ter percebido que os pais já não estão felizes São os sinais de que seria importante uma consulta estão isolamento social; comportamento fixo em algo, como joguinhos ou redes sociais; queda nas notas perceptível pela escola; ou envolvimento em brigas e provocações."
 
Os pais, por outro lado, não estão imunes da necessidade de aconselhamento nesta nova fase, de acordo com Graziano. "Os filhos vão comparar a casa de um e de outro. Vão fazer joguinho entre pai e mãe. Ou seja, as crianças vão tirar proveito. E os pais precisam de muita estrutura para não descer no mesmo nível de infantilidade."

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