Gravidez e filhos

"Pós-menopausa precoce, fiz produção independente e engravidei aos 40 anos"

Arquivo Pessoal
Após quatro anos de tratamento, Milena Murno conseguiu engravidar de Pedro Imagem: Arquivo Pessoal

Amanda Serra

Do UOL

05/07/2017 17h35

Aos 40 anos, diagnosticada com menopausa precoce e impossibilitada de engravidar de maneira natural, Milena Murno passou por uma verdadeira peregrinação por quatro anos para conseguir em uma só tacada realizar o sonho de ser mãe. Após choros, bombas de hormônios e o investimento de R$ 15 mil, a assessora de imprensa está grávida. Prestes a completar nove meses de gestação, ela espera Pedro, o bebê é fruto de produção independente e foi gerado por meio de FIV (fertilização in vitro).

“Eu chorava muito após o diagnóstico. Vivi um luto diário contido no peito. Foi um período bem difícil. Quando a gente entra em contato real com a impossibilidade de gerar um filho, perde-se completamente o chão, a esperança, a confiança, a fé. Perde-se tudo”, diz Milena em depoimento ao UOL.

Sem poder engravidar de maneira natural, ela também precisou lidar com uma série de análises clínicas pessimistas e médicos oportunistas, antes de concluir o tratamento que gerou a vida em seu ventre.

“Sentia meu tempo se esgotando e nada se resolvendo. Sai chorando de muitas consultas com diagnósticos horríveis dados por profissionais sem a menor sensibilidade (e encontrei muitos desses por aí). Uns diziam que eu tinha chance zero de engravidar, outros nem olhavam na minha cara e já iam logo passando valores exorbitantes de tratamentos de fertilização, como se meu maior sonho fosse apenas um monte de cifrão para eles. Eu tinha medo e dinheiro contado para uma só chance de fertilização. Ou seja, o tratamento teria que ser certeiro”, relata. 

"Eu me imaginava com três ou quatro filhos"

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

"Já havia procurado diferentes ginecologistas quando era mais jovem por causa de problemas hormonais que tinha desde a adolescência, mas não os médicos nunca deram muita atenção e eu sempre acabei deixando para lá, apesar da pulga atrás da orelha. Planejava ser mãe cedo, mas a vida me levou por outros caminhos.

Aos 35 anos, em uma consulta com um endocrinologista especialista em hormônios, fiz uma série de exames e detectamos o início de uma falência precoce dos meus ovários: a famosa menopausa, que estava se instalando cedo demais no meu corpo. Fiquei oito meses sem menstruar e tinha uma baixíssima reserva ovariana, quase nula.

Foi quando me dei conta pela primeira vez de que talvez tivesse alguma dificuldade em engravidar. A primeira vez que você tem contato com essa informação é um choque. Passei dias imaginando como seria passar por essa vida sem gerar um filho. 

Mesmo assim, eu achava que era apenas uma oscilação passageira de hormônios que tudo seria ajustado com remédios. Ignorei, por falta de informação, um histórico familiar de mãe e avó com menopausas precoces.

Mas o tempo passou, o problema foi se agravando e minha possibilidade de gerar um bebê diminuindo drasticamente. Nesse período, desanimei muito. Ouvi e li muitas mulheres falando que deixaram valores de carros importados e até casas para custear tratamentos e mesmo assim não conseguiam engravidar.

"Você gasta de R$ 8 a 20 mil, mas dói mais emocionalmente"

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Até que na metade do ano passado, já aos 39 anos, minha terapeuta me indicou uma médica. Fui desacreditada, mas me deparei com a doutora Rosane Rodrigues (da Fertility - Centro de Fertilização Assistida), um anjo colocado no meu caminho. Ela explicou tudo sobre o meu caso e me deu uma esperança enorme: de que eu seria capaz, sim, de gerar um bebê. Foi empatia logo de cara. Senti que finalmente tinha encontrado um caminho, mesmo com a idade avançada e a falência ovariana (menopausa).

O processo da FIV é doloroso financeiramente, além de um desgaste emocional enorme. Muitos hormônios, exames, ultrassons. Minhas chances eram mínimas pelo meu histórico de idade e saúde. Era um tiro no escuro e eu precisava acertar.

Mas, na primeira tentativa, em novembro do ano passado, meu corpo respondeu e conseguimos três embriões para implantar. Um deles se desenvolveu no meu ventre e se transformou no Pedro, o meu menino amado, o meu 'milagrezinho'.

Bebê leonino a caminho

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Sim, estou grávida de quase 9 meses, aos 40 anos e com histórico de menopausa. Quando recebi o positivo, quase desmaiei de emoção! Um filme inteiro passou em segundos pela minha cabeça. Tudo que vivi, as lágrimas, as dificuldades. Brinco que meu milagre chegou aos 40 do segundo tempo, quase no fim do jogo. E Pedro cresce saudável, bochechudo, chutando muito e se desenvolvendo bem.

É provável que eu não gere no meu ventre os quatro filhos que sempre quis, mas tenho uma segurança enorme do caminho novo que vou seguir. Estou muito feliz de vencer essa caminhada. Sinto uma gratidão diária.

“Desistir nunca foi uma opção para mim e espero que não seja para outras mulheres”

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Aproveito para fazer um alerta para as mulheres. Estejam atentas às mudanças no corpo e à idade, peçam exames, insistam em investigações médicas, principalmente se tiverem um histórico familiar de menopausa precoce. Se for preciso, congelem óvulos. Talvez, se aos 35 eu tivesse congelado, não tivesse passado por tantos desgastes emocionais para conseguir uma gestação. 

Hoje, com mais maturidade e já sentindo o gostinho de ser mãe, acredito que, ainda que eu não tivesse engravidado, eu me tornaria mãe de qualquer forma. Uma adoção, por exemplo, nunca foi e ainda não é descartada por mim. Quem sabe é uma forma de chegar aos quatro filhos que sempre quis ter, né?

A verdade é que a gente nunca sabe quais serão os caminhos da maternidade para nós. O importante é sempre ir em frente. Não podemos deixar nossos sonhos morrerem nunca. Meu lema é: 'pegue as rédeas da vida e seja feliz'. Como eu e o Pedro vamos ser".
 

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