Gravidez e filhos

Aborto espontâneo: Mulher cria Instagram empoderador onde discute o tema

Reprodução/Instagram
O perfil @ihadamiscarriage coleciona histórias de mulheres que tiveram um aborto e as empodera Imagem: Reprodução/Instagram

do UOL, em São Paulo

09/08/2017 09h57

A psicóloga clínica americana Jessica Zucker sofreu um aborto espontâneo em 2012, com 16 semanas de gravidez, enquanto estava sozinha em casa. Abalada, ela encontrou nas redes o apoio necessário para superar essa dor.

Tudo começou em 2014, quando Jessica passou a buscar (e alimentar) a hashtag #IHadAMiscarriage ("Eu tive um aborto", em tradução livre). Diante das histórias de outras mães em situações semelhantes, ela decidiu criar seu próprio perfil, o @IHadAMiscarriage, em que conta essas histórias, compartilha lições de vida e frases inspiradoras. Além disso, Jessica tem sua própria linha de cartões para mães que sofreram esta perda — formando uma rede de superação e proteção a quem está passando por isso.

Nos posts, ela defende o debate do tema, já que o silêncio pode deixar a mulher ainda mais sozinha em um momento como esse. Em entrevista à revista americana "Glamour", a psicóloga falou sobre o luto da experiência e como a sociedade lida de maneira precária com ele: "Eu gostaria que as pessoas tivessem menos medo de serem diretas. Eu precisava de apoio seis semanas depois, seis meses depois..." 

"Nossa cultura tem tanta dificuldade com o luto. Nós não nos sentimos confortáveis e, por isso, não conversamos sobre essa perda que é fora de ordem. Nós nos sentimos mais confortáveis falando da perda esperada, como a de um avô. Mas a perda de uma gravidez nos deixa confusos. Tenho tentado entender: é o estigma que cria a vergonha ou é a vergonha que cria o silêncio e o estigma?". 

Em seu projeto, Jessica ainda reforça a importância de entender que um aborto não acontece por culpa da mulher (por ter transado, por ter se movimentado demais, etc), fala sobre o medo frequente que envolve a gravidez de um rainbow baby, o filho seguinte à perda, e sobre a compreensão da perda.

Um dos posts mais comentados,"Maçãs e Laranjas", mostra um papo entre a autora e uma de suas entrevistadas. A troca entre as duas é esclarecedora e empoderadora sobre este processo:

Ela: Eu sinto que já deveria ter superado. Eu estava com apenas 6 semanas. Poderia ter sido muito pior. Eu tenho amigas com histórias piores: bebês que morreram no parto, nos primeiros anos de vida, mulheres que não conseguiam nem mesmo engravidar. Pelo menos, foi cedo. Pelo menos, eu sei que posso engravidar. Pelo menos, meu leite não veio. Pelo menos, eu não senti o bebê mexer, pelo menos não estava apegada demais. Pelo menos, meu luto não irá tão longe quanto o delas pode ir...

Jessica: Sua dor é tão real e válida e importante quanto a de qualquer outra pessoa. Sua perda importa porque é sua. Sua esperança perdida. Seu corpo de luto. Sua tristeza, sua jornada.

Ela: Mas poderia ter sido tão pior.

Jessica: Tente resistir ao desejo de comparar. Não há uma hierarquia de luto e perda. Isso só serve para minimizar a sua experiência. Encare sua dor sem tentar fazê-la parecer menor. Ou maior do que a dos outros. Você importa. Seu coração está partido. Sinta esta dor que é a sua. 

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