Bebês

Creche colaborativa é opção para famílias que não querem escolinha

Divulgação
O Lá em Casa foi criado no início de agosto e, por enquanto, funciona duas vezes por semana Imagem: Divulgação

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo

27/08/2017 04h00

Quando a primeira filha, Rahva, completou 1 ano, a artista plástica Tati Steter sentiu que a menina, hoje com 4, precisava interagir com outras crianças. Entretanto, colocar na escola não era a melhor opção. Por isso, ela procurou projetos de brincar na região que mora em São Paulo. Hoje Rahva está na escola, mas seus irmãos, os gêmeos, Cora e Gael, de pouco mais de 12 meses, frequentam um quintal parental, criado por Tati e mais uma mãe.

A iniciativa de Tati acompanha um movimento de creches colaborativas entre pais. Diante da pouca idade dos filhos, eles se organizam por desejarem uma experiência mais flexível --e, muitas vezes, mais econômica-- do que escolinhas convencionais. Existem diversos tipos, com lugar e cuidadores fixos ou não. O Lá em Casa tem sua sede em uma propriedade alugada na zona oeste da capital paulista. Com três bebês e uma educadora, o projeto funciona duas vezes por semana, por cerca de quatro horas. O objetivo é ir além e formar um grupo com dez crianças entre 1 a 3 anos.

"Temos espaço, areia, gramado e diversos tipos de brinquedos e objetos. A ideia é a criança fazer o próprio percurso de descoberta. A educadora propõe algumas atividades com tinta, leitura, músicas, mas não há uma programação definida."

A creche é em casa

Divulação
Crianças do Quintal do Limoeiro, creche parental de São Paulo Imagem: Divulação

Os pais que procuram esse tipo de alternativa precisam ter horários flexíveis para se adequarem ao que a creche parental pode oferecer. E cada projeto lida com o tempo de uma forma. O Quintal do Limoeiro, também da capital paulista, existe há pouco mais de um ano e funciona todos os dias da semana por seis horas.

"Os valores da família precisam estar alinhados e, mesmo assim, há divergência porque cada um pensa de um jeito. Dá mais trabalho do que deixar na escolinha e ir buscar, mas vale muito a pena", diz Manuela Colombo, uma das idealizadoras do quintal.

A gestora pública disponibilizou a própria casa para fazer a creche funcionar. Junto com outros três bebês, a filha dela, Martina, divide o espaço de brincar com duas cuidadoras, que eram assistentes de berçário. A diferença de idade entre as quatro crianças é de seis meses e ela pretende manter essa estrutura até que completem 4 anos.

Segundo ela, não é fácil manter a creche em casa, pois o lugar se torna um espaço coletivo. "Tem que estar disposto, pois a demanda é extensa. Entretanto, compensa pelo propósito. Além disso, é uma solução mais econômica, cerca de R$ 800 de diferença em relação as escolinhas da região."

O que os educadores pensam

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A creche parental Quintal do Limoeiro tem quatro crianças e duas cuidadoras Imagem: Divulgação

A pesquisadora da primeira infância Cinthia Airosi, do departamento de educação da Unesp (Universidade Estadual Paulista), diz que a questão não é a alternativa substituir a instituição, mas sim o objetivo e princípios de cada família.

"Os projetos parentais podem conviver com as creches convencionais, uma vez que a essa faixa etária não tem a obrigatoriedade, como a partir dos 4 anos. Do ponto de vista do desenvolvimento do vínculo, as creches parentais, talvez, sejam uma alternativa mais afetuosa e tranquila para a criança."

Um dos argumentos dos pais que procuram essa solução é a vontade de ver o filho socializar, como aconteceu com a Tati, do início da matéria. Diante desse ponto de vista, a pedagoga e psicanalista Francisca Monteiro, mestre em educação pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), alerta sobre a padronização da criação e desenvolvimento.

"As crianças têm ritmo e tempo diferentes. Cabe aos adultos cuidadores observar e conhecê-las. Principalmente para os bebês, o mais importante não é o estímulo, mas estar em um ambiente seguro e acolhedor, propício para o seu desenvolvimento, seja na creche ou em casa."

Neide Noffs, psicopedagoga e professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), diz que as creches parentais são uma alternativa democrática para a reorganização dos pais após a chegada do bebê. Porém, o bem-estar da criança precisa ser o centro da reflexão, e não ser apenas uma solução prática e barata para os que não podem ficar em casa.

"Qualquer que seja o local, é necessário que tenha uma rotina, não no sentido de rigidez, mas de previsão das ações. A criança precisa saber o que vai acontecer com ela. Só assim é possível criar vínculo com o ambiente e os cuidadores."

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