Gravidez e filhos

Debates: Precisa esperar 12 semanas para contar da gravidez?

Getty Images
Imagem: Getty Images

Helena Bertho

do UOL

15/09/2017 12h57

É melhor esperar a gravidez "pegar" antes de contar para familiares e amigos? Ou posso compartilhar a boa notícia logo? O ideal é não criar expectativa? Ou é melhor poder contar com o apoio das pessoas caso aconteça um aborto espontâneo? São questões que a maioria das mães –e pais– encaram ao descobrir a gravidez. Sabendo que a perda do bebê nos primeiros três meses é muito comum, a dúvida sobre contar ou não contar é natural. A seguir, veja diferentes visões sobre o tema. a vida

Por que não contar antes de três meses?

  • Entre 10% e 15% das gestações não passam de 12 semanas

    Segundo Wagner Hernandez, coordenador do departamento de ginecologia e obstetrícia do Hospital São Luiz, entre 10% e 15% das mulheres grávidas sofrem aborto espontâneo nos primeiros três meses. Por isso os profissionais costumam recomendar que se espere esse período para dar a notícia. "Muitas vezes as mulheres têm dificuldade de lidar com a reação das pessoas caso isso aconteça", explica ele.

  • Comentários inadequados

    "Como o aborto espontâneo acontece quando a barriga ainda não é muito visível, algumas mulheres são tratadas como se o luto não fosse legítimo", explica a psicóloga Julieta Quayle, pesquisadora da USP que realizou pesquisa de doutorado sobre o tema. Ela explica que muitas mulheres ouvem comentários que não respeitam sua dor da perda, como "antes perder agora do que lá na frente".

Por que contar antes de três meses?

  • É importante ter apoio

    Como os primeiros três meses da gestação podem envolver dificuldades, como enjoo ou mal estar, contar com ajuda dos amigos e até de colegas de trabalho pode ser importante. "E caso o abortamento venha a acontecer ter apoio ajuda de uma forma geral a lidar com o luto", defende Julieta Quayle.

  • O luto é real

    Mesmo com poucos meses, a mulher experimentou a sensação de estar grávida e se sentiu mãe. "Existe um luto seríssimo. Naquele momento aquilo é tudo para a mulher, um dor intensa. Mais intensa ainda porque não tem muito local de expressão", diz a psicóloga. Segundo ela, um luto não resolvido pode se agravar levando à depressão.

 

Porque contei e porque não contei

  • Imagem: Reprodução/ Facebook
    Reprodução/ Facebook
    Imagem: Reprodução/ Facebook

    Sempre contei: "É preciso saber contar com as pessoas"

    Em sua terceira gravidez, a empresária Aline Abe, 36, sofreu um aborto espontâneo. Engravidou de novo e está de 11 semanas. Toda sua família, amigos e funcionários já sabem. "Eu acho que é bom contar. Se você passar mal, as pessoas já sabem. E é importante poder contar com todos nesse momento. Quando tive o aborto espontâneo, contar com as pessoas foi essencial para eu me reerguer".

  • Imagem: Arquivo Pessoal
    Arquivo Pessoal
    Imagem: Arquivo Pessoal

    Não conto: "Já basta a minha expectativa e do meu marido"

    Débora Michan, 28, sofreu um aborto espontâneo em sua segunda gravidez, com 13 semanas. "Foi horrível. Minha família me apoiou muito, mas todo começo de gravidez é incerto. Ter que explicar que perdi para todo mundo é muito chato. Depois disso, só conto para a família depois de 14 semanas e amigos, depois de 16. Não quero lidar com as expectativas alheias, já bastam as minhas e do meu marido".

Por que é comum o aborto espontâneo nos primeiros três meses?

Na fase inicial do desenvolvimento do embrião, é mais comum que problemas genéticos se manifestem levando ao aborto. Segundo Wagner Hernandez, diretor do departamento de ginecologia e obstetrícia do Hospital São Luiz, quando maior a idade a mulher, maior o risco: é de 10% para mulheres de até 30 anos, de 20% para as de até 35,  de 40% acima dos 40 e aos 45 anos chega a 80%.

"Conforme a idade da mulher vai passando, os óvulos passam a ter maior possibilidade de alterações genéticas", explica o especialista. Segundo ele, 70% dos abortos espontâneos acontece por causa genética ou má-formação cromossômica, que impedem o feto de se desenvolver normalmente.

" Muitas vezes a mulher busca alguma coisa que ela podia ter feito para evitar, mas eles são inevitáveis na maioria dos casos", defende.
Esse tipo de perda da gravidez não traz risco para a saúde da mulher e, de maneira geral, ela pode engravidar normalmente depois. A não ser que os abortos espontâneos se repitam, o que pode ser indício de alguma questão de saúde da mulher que deve ser tratada. 

 

Você achar melhor contar sobre a gravidez antes ou esperar 12 semanas?

Resultado parcial

Total de votos
Total de votos

 

 

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Moda
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Beleza e maternidade
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Topo