Gestação

"Fazia xixi sem perceber": a luta de uma mulher após 3 gestações

Arquivo pessoal
Daniella, os filhos, André, Maria Laura e Catarina, e o marido Tiago Imagem: Arquivo pessoal

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo

26/09/2017 04h00

Hoje, aos 43 anos de idade, Daniella Foerster tem uma vida normal. Mas a bióloga de Campo Bom, no Rio Grande do Sul, passou por caminhos tortuosos desde quando decidiu ter seu primeiro filho, aos 27, e precisou de uma cesárea de urgência. Depois de entrar em trabalho de parto, o bebê virou na hora de passar pelo canal vaginal e, literalmente, entalou. Foi esse o ponto de partida para os problemas em relação à incontinência urinária.

"Depois do primeiro parto, tive incontinência leve. Não podia rir, tossir, espirrar, correr e pular com a bexiga cheia. Precisava ajudar a musculatura a conter as perdas por esforço. O procedimento cirúrgico para correção só era indicado após ter os filhos que pretendia. Então tive que esperar", contou ao UOL.

Quadro piorou

Daniella esperou, mas teve mais problemas na segunda gestação, aos 30 anos, e na terceira, quando estava com 37. "Comecei a ter perdas urinárias mais graves. A bexiga começava a esvaziar sozinha, e eu nem percebia. Cheguei a urinar nas calças no meio da rua".

Foi nesse período que ela foi encaminhada a fazer uma perineoplastia para reconstituição do períneo. Hoje, ela diz que tem perdas muito tênues, mas que podem ser corrigidas com exercícios de fisioterapia, que ajudam a fortalecer a musculatura.

"Quanto à vida sexual, tiveram períodos difíceis, mas meu marido sempre foi muito compreensivo, além de existirem outras formas de fazer sexo além de penetração", afirma.

Além da perineoplastia, a bióloga passou por mais quatro cirurgias na região para corrigir o assoalho pélvico. Ela foi informada que até o hímen poderia ter de volta se desejasse, mas ela não achou importante.

O que é a perineoplastia?

A perineoplastia faz parte do hall de cirurgias íntimas feitas na vagina. Nesse caso, o procedimento, feito pelo obstetra, é para a reconstrução do períneo e, na maioria dos casos, nada tem a ver com a estética.

A necessidade pode aparecer após sucessivos partos vaginais e a própria gestação, que, por conta do peso extra, enfraquecem a musculatura, como aconteceu com Daniella. Tudo isso age diretamente na qualidade de vida --e até sexual-- das mulheres. Obesidade, menopausa e histórico genético de deficiência de colágeno também podem levar à cirurgia.

"Os principais sintomas são a sensação de alargamento na vagina, pressão, causada por órgãos como bexiga e intestino e perda da sensibilidade. Entre as consequências, a incontinência urinária e fecal", explica Adriana Schmidt, ginecologista e obstetra da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e doutora em uroginecologia pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Cirurgia não é solução para sexualidade

Embora a vida sexual possa ficar prejudicada, a perineoplastia não é salvação para disfunções sexuais. Por isso, a médica Thais Guimarães, professora da Faculdade de Medicina da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica) e coordenadora da unidade de uroginecologia do serviço de ginecologia do HSL-PUCRS (Hospital São Lucas), descarta o fator sexualidade como um benefício certo do procedimento.

"Pode acontecer de a perineoplastia influenciar positivamente a sexualidade da mulher. O que realmente podemos oferecer com esse procedimento é a melhora da qualidade vida por conta de uma boa funcionalidade da bexiga, intestino e reto."

Sobre a incidência, Thais afirma que a avaliação fica prejudicada, na maioria dos casos, porque a mulher sente vergonha. Por isso, é necessário o trabalho de uma equipe multidisciplinar, com médicos, fisioterapeutas e especialistas em sexualidade.

O incômodo tem que ser seu

A fisioterapeuta Cristiane Carboni, especialista em sexualidade humana pela Sbrash (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana) e na reabilitação do assoalho pélvico, recebe mulheres que passaram pela perineoplastia ou ainda tentam evitar a cirurgia com os exercícios.

Segundo ela, é comum algumas pacientes sentirem diferença na região vaginal após o parto normal e levarem essa queixa. Entretanto, é preciso que os incômodos psicológicos batam com os físicos, principalmente nos casos cirúrgicos.

"Não é porque o parceiro disse que a vagina está diferente depois do parto, a mulher precisa sentir isso. Muitas relatam, sim, a vida sexual melhor depois dos tratamentos. Elas passam a se conhecer melhor, entendem os músculos pélvicos e algumas que não conseguiam chegar ao orgasmos antes, conseguem alcança-lo."

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