Gravidez e filhos

É possível ter parto normal depois da cesárea? Especialistas explicam

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"Submeter-se a um parto normal com cesárea prévia não só é possível como tem altas chances de sucesso e segurança." Imagem: Getty Images

Gabriela Guimarães e Rita Trevisan

Colaboração para o UOL

07/11/2017 04h00

Até algum tempo atrás, a mulher submetida a uma cesariana estava praticamente fadada a ter filhos sempre dessa forma, pois havia o entendimento de que tentar o parto normal, depois da intervenção cirúrgica, era perigoso. Hoje em dia, os obstetras buscam muito mais informações sobre o estado de saúde da mãe e da criança antes de dar a palavra final. “Submeter-se a um parto normal com cesárea prévia não só é possível como tem altas chances de sucesso e segurança. Segundo estudos, as complicações não atingem 1% dos casos”, diz Wagner Hernandez, ginecologista e obstetra da Maternidade São Luiz Itaim.

Mais saúde para a mãe e para o bebê

As vantagens do parto natural em relação à cesariana são incontestáveis. “A recuperação materna é mais rápida e os riscos de infecção são muito menores. No recém-nascido, diminuem as chances de aparecerem desconfortos respiratórios”, afirma Anatalia Lopes Basile, enfermeira e professora do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim). Daí a importância de que essa seja uma decisão tomada em consenso pela mãe e pela equipe médica, com base em dados objetivos e não em crenças infundadas.  

Baixo risco

A maior preocupação, nos casos de parto normal depois de uma cesariana, era uma ruptura no útero por causa das contrações, o que poderia levar a uma hemorragia interna com consequências gravíssimas para a mãe. “Acreditava-se que a cicatriz resultante de uma cesárea anterior sempre apresentaria um risco de ruptura em um trabalho de parto futuro. Mas as evidências científicas mostram que esse problema é bastante raro. O índice de complicação é tão baixo que não justifica o risco de uma nova cirurgia”, explica Juliana Clemente, ginecologista e obstetra da Matterclin. Exceção deve ser feita às mulheres que passaram pelo procedimento há menos de dois anos. Esse é o tempo considerado necessário para que o corpo se recupere totalmente da intervenção e esteja preparado para o parto vaginal.

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Avaliação rigorosa

Hoje em dia, entende-se que a cesariana, por si só, não contraindica o parto normal. A decisão do tipo de parto, para o segundo filho, será tomada após uma minuciosa avaliação, que deverá levar em conta os aspectos clínicos da paciente, o histórico da gestação e do parto anterior. “É necessário saber o que motivou a realização da cesárea, como ocorreu, se a paciente entrou em trabalho de parto ou não, se houve dilatação do colo do útero, que tipo de incisão uterina foi realizada, entre outras informações”, diz Débora Oriá, ginecologista e obstetra da Clínica FemCare e do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Todo esse levantamento é necessário porque, no caso das mulheres que já passaram por uma cesárea, alguns cuidados extras precisam ser observados. Um deles é não induzir o parto normal. Nessas mães, a ocitocina só pode ser usada após o início do trabalho de parto. “Se o quadro evolui naturalmente para um parto normal, ele deve ser conduzido dessa forma. Mas é importante que todo o procedimento seja feito de modo adequado, para a segurança da mãe e do bebê”, diz Fabiane Berta, ginecologista e obstetra da clínica Malka.

Cuidados

Outro dado importante a ser avaliado é a relação entre o tamanho do bebê e as condições da bacia da mãe. “Quando o bebê é muito grande em relação à bacia da gestante, as contrações uterinas se tornam mais fortes e podem causar o rompimento da cicatriz. Durante o trabalho de parto, as contrações devem ser rigorosamente monitorizadas”, afirma Fábio Cabar, ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana assistida e gestação de alto risco.

Em geral, o parto natural é desencorajado no caso de múltiplas gestações com cesáreas anteriores, quando o feto está sentado ou tem mais de 4 kg e nos casos de placenta prévia, localizada próxima ao colo do útero. Ainda assim, é preciso que a equipe médica analise caso a caso antes que seja tomada a decisão final.

Fontes: Anatalia Lopes Basile, enfermeira  e professora do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam). Débora Oriá, ginecologista e obstetra da Clínica FemCare e do Hospital das Clínicas de São Paulo. Fabiane Berta, ginecologista e obstetra, da clínica Malka. Fábio Cabar, ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana assistida e gestação de alto risco. Juliana Clemente, ginecologista e obstetra da Matterclin (SP). Rodrigo da Rosa Filho, ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução Humana. Wagner Hernandez, ginecologista e obstetra da Maternidade São Luiz Itaim.
 

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