Infância

8 coisas que precisamos parar de obrigar as crianças a fazerem

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Ensinar a pedir desculpas para se livrar de conflitos ou para agradar alguém é muito perigoso, pois transmite ideias equivocadas Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL

23/11/2017 04h00

Na tentativa de orientar os filhos a viverem em sociedade, nem sempre os adultos conseguem olhar para a criança como uma pessoa, de fato --e, portanto, alguém que, apesar da pouca idade, também tem vontades e merece respeito. É importante repensar alguns comportamentos que obrigamos as crianças a adotarem, como indicam os oito exemplos a seguir:

Leia também:

1. Beijar e abraçar as pessoas

Pressionar os filhos a beijarem e abraçarem primos, tios e adultos como forma de demonstrarem educação é ruim. As crianças não têm a mesma ideia de regras sociais do que a gente. A pessoa pode ser importante para os pais, mas, para os pequenos, é um estranho. Por que fazer com que uma criança demonstre carinho por alguém que ela não conhece?

"Isso pode ser invasivo e desconfortável. A criança pode entender que o contato físico sem permissão é normal ou que deve sempre agradar o outro", diz Mariana Bonsaver, psicóloga da Maternidade Pro Matre Paulista, em São Paulo. "Forçar a criança a tocar outras pessoas pode deixá-las vulneráveis a pessoas mal-intencionadas", segundo a coach familiar Valéria Ribeiro, do site Filhosofia.

2. Pedir desculpas por mera formalidade

Segundo a psicóloga Marganne Dubrule Bulcão, sócia do espaço Cadê Bebê, em São Paulo (SP), ensinar a criança a pedir desculpas para se livrar de conflitos ou para agradar é perigoso, pois transmite ideias equivocadas. "Se nos desculparmos por tudo, acreditamos que estamos errados o tempo inteiro ou nem sabemos mais distinguir o erro do medo do conflito", afirma. Pedir desculpas por obrigação não leva a criança entenda o que fez de errado.

"Em alguns casos, a própria criança encontra recursos para se redimir. Por exemplo, ao machucar um amiguinho sem querer, pode oferecer um brinquedo ou chamá-lo para brincar", exemplifica Letícia Gomes Gonçalves, psicóloga, doula, consultora em disciplina positiva e escritora no blog Conversa entre Marias.

3. Emprestar o brinquedo com o qual está brincando

Se o brinquedo é da criança, então por que ela teria a obrigação de emprestá-lo, ainda mais quando está se divertindo? "Devemos ensinar as crianças a compartilhar e a serem generosas. Porém, isso não é aprendido através da obrigação. Ao agirem assim, os pais acabam ensinando que não há nada de errado em interromper algo prazeroso para satisfazer o outro", diz a psicóloga Mariana.

"A criança pode acreditar que suas necessidades  e desejos vêm sempre em segundo plano perante o desejo alheio, e que, portanto, ela não pode realmente se entregar totalmente à brincadeira", fala Marganne. O melhor a fazer é sempre mostrar que cada um terá a sua vez com o brinquedo ou na brincadeira, e que precisa esperar.

4. Fazer alguma atividade que deteste

É interessante e desafiador para as crianças realizar atividades extracurriculares, como esportes ou novas línguas. Mas elas devem ser escolhidas de acordo com as preferências delas, nunca impostas. Dessa forma, a criança irá aprender de forma prazeirosa e se envolverá na atividade, com melhores chances de utilizar o aprendizado futuramente.

"Muitos pais criam expectativas e obrigam os filhos a praticarem um esporte que não gostam. Isso causa uma enorme desmotivação e pode gerar aversão aos esportes até", diz Julia Bittencourt, psicóloga clínica com experiência no atendimento de crianças, gestantes e mães e orientadora educacional do Colégio Garriga de Menezes, no Rio de Janeiro (RJ). 

5. Demonstrar compreensão com crianças chatas

Adultos podem não se relacionar com quem não simpatizam. Caso o convívio seja obrigatório --no trabalho, por exemplo-- encaramos isso da maneira mais formal e superficial possível. Então, por que insistir para que os filhos brinquem com crianças com quem não se sentem à vontade? O que pode ser feito é encontrar algo que seja de interesse das duas para que ocorra um relacionamento espontâneo.

"Empatia e convivência social são características que devem ser transmitidas. Mas ensinar o filho a se proteger e não ultrapassar seus limites pessoais é uma percepção importante e um grande exercício de autoconhecimento. Dizer 'não' e 'chega' ao outro é, também, um ato de amor", diz Marganne.

6. Agir como adultas

Obrigar a criança ficar sentada em um ambiente novo é pedir o impossível, pois ela gosta de explorar novos lugares. "Levar filhos pequenos para eventos que exijam uma postura de adulto é pedir para que fiquem estressados. Se for muito necessário que a criança vá, leve algo com que ela possa se distrair e brincar. E tenha em mente você que precisará dar atenção a ela e que, possivelmente, terá de ir embora antes do planejado", de acordo com a coach Valéria.

Outra exigência típica: que os mais velhos cuidem dos menores. "É essencial lembrar que a condição das crianças é de irmãos e de pessoas que estão aprendendo a viver. Elas não têm de se responsabilizar por ninguém. Podem, sim, ajudar em determinadas tarefas, mas jamais assumir o cuidado", diz Letícia.

7. Mandar parar de chorar

Na opinião da psicóloga e doula Letícia, mandar a criança parar de chorar ou dizer algo como "não foi nada" quando ela cai, se machuca ou tem uma explosão de raiva, é um desrespeito. "Ao invalidar o sentimento da criança, ele ensina que sentir dor é errado e que chorar não é aceitável na sociedade", afirma. Às vezes, embora o machucado não seja aparente, causa dor, assusta. 

"Chorar é uma forma natural de expressar sentimentos que as crianças ainda não sabem explicar. Por isso é importante acolher, mostrar empatia e ajudar a nomear o sentimento. Dessa forma, estamos ajudando a criar pessoas que sabem falar sobre o que sentem", afirma Julia.

8. Arrumar o quarto do jeito que você espera

"Cada um de nós tem um senso de arrumação diferente do olhar de uma criança. Muitas vezes exigimos que os filhos mantenham seus quartos arrumados dentro de um 'padrão'. Mas esse padrão é o nosso, certo? É importante permitir que os pequenos promovam a autonomia também na arrumação de suas coisas", diz Sueli Adestro, coordenadora da equipe da área pedagógica do serviço de reforço escolar Tutores BR. Não tirem as coisas do lugar que os filhos costumam deixar, apenas observem e deem uma opinião de como ficaria melhor a arrumação. Dar uma sugestão é diferente de impor.

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