Gravidez e filhos

6 coisas que você precisa saber sobre mães de bebês prematuros

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"A gente se sente mãe pela metade" Imagem: Getty Images

Daniela Carasco

do UOL, em São Paulo

29/11/2017 04h00

O nascimento de um filho nem sempre é cercado daquela magia que se propaga por aí. E é por isso que ele acaba sendo tão duro para algumas mulheres, aquelas que se tornam mães de um bebê prematuro. Culpa, frustração, medo e insegurança se misturam a palpites não solicitados disfarçados de ajuda.

Quem está de fora, não tem culpa. Mas entender a fragilidade do momento é fundamental para evitar comportamentos que tendem a piorá-lo. Aqui, três mulheres que passaram por essa situação entregam tudo o que as pessoas precisam saber sobre quem vive ou irá enfrentar o mesmo que elas.

“A gente se sente mãe pela metade”

Esse foi o sentimento da microempresária Juliana Alves de Moraes, 34, ao ter que sair da maternidade sem a filha Alessandra, hoje com 8 anos, nos braços. Por conta de uma pré-eclâmpsia [transtorno gestacional caracterizado pelo aumento da pressão arterial e inchaço] da mãe, a menina veio ao mundo na 29ª semana de gestação e precisou ficar 82 dias na UTI. “Deixar o hospital quatro dias depois do parto sem ela foi a pior situação que já vivi, dá uma sensação de impotência. A gente acaba se sentindo mãe pela metade ao deixar o bebê lá”, conta.

“Rola frustração e culpa”

Não poder viver o tão almejado ritual de visitas e apresentação do filho aos familiares e amigos também foi um processo bem duro à Juliana. “Não dei o primeiro banho, nem recebi os parentes no quarto. Só consegui pegar ela pela primeira vez nos braços depois de 45 dias”, relembra. “No começo, cheguei a me senti culpada pela condição da minha filha. Achava que tinha sido algo que eu tinha feito de errado. Nossa mente fica muito debilitada, é um sonho cortado pela metade. Ninguém engravida pensando em ter um filho prematuro.”

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“É quase um luto”

A pedagoga e maquiadora Flávia Aline de Souza, 36, cuja filha nasceu de 33 semanas, precisou de tempo e de muito cuidado da família para conseguir digerir o momento. “É quase um luto. Você pensou em ter uma criança gordinha, mas aí não consegue nem amamentá-la”, conta. Durante a internação da bebê, Flávia foi diagnosticada com hemorragia interna e também acabou sendo internada. As duas ficaram 13 dias sem se ver. “Fiquei tão deprimida, chorava todos os dias. Eu só queria levar minha bebê pra casa, mas não tinha nem pego ela no colo ainda.”

“A sociedade nos cobra filhos perfeitos”

“Nossa, como ele é magrinho.” “Por que tão pequeno?” “Está entubada?” “Calma, vai vingar.” Comentários como esses são frequentes às mães de prematuro e, mesmo quando bem-intencionados, reforçam o drama pessoal de cada uma. “São coisas que não devem ser ditas”, conta Juliana. “Já não basta o sofrimento, você começa a acreditar que não está dando o seu melhor pelo seu filho. Isso machuca. Eles mostram o quanto a sociedade nos cobra por filhos perfeitos.”

A auxiliar de enfermagem Natalia Alves Barbosa, 27, que deu à luz na 32ª semana, sugere aos conhecidos apenas perguntar com cuidado sobre a saúde do bebê e não expressar opinião sobre ele. “Teve gente que questionou se minha filha ia sobreviver. Foi muito pesado”, conta. “O nosso maior medo nesse momento é o de achar que o bebê não sobreviverá à próxima visita.”

“Ficamos fartas de palpites”

A chegada do bebê em casa é um momento de extrema alegria, mas que exige cuidados. O problema é que eles costumam ser interpretados como mimo. “As pessoas querem nos ensinar a lidar com uma situação que nunca viveram. Toda criança prematura é frágil, tem baixa imunidade. Por isso exigem um tratamento especial de início”, conta Flávia. “Não se trata de uma superproteção à toa.”

“Somos fortes”

Apesar de todas as dificuldades, elas fazem questão de exaltar a força natural conquistada durante um processo como esse. “Eu não me achava tão forte ao notar minha filha entre a vida e a morte. Mas é importante acreditar que tudo vai melhorar. O amor é nosso maior motivador”, diz Flávia. Natália emenda: “por mais dolorido que seja, é passageiro.”

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