Moda

Iranianas escondem gosto por moda, fitness e maquiagem embaixo do véu

AFP
Iranianas ousam em tom de véu e em caimento mais ajustado do chador Imagem: AFP

02/06/2005 17h49

TEERÃ (AFP) - "Use o véu". Em lojas, no aeroporto e até nos táxis, as mulheres são lembradas desta exigência, mas as iranianas usam todas as artimanhas possíveis para permanecerem belas por trás desta barreira.

Vinte e seis anos de República Islâmica - quase o mesmo tempo em que o uso do véu é obrigatório - e de propaganda contra a moda ocidental não conseguiram acabar com os salões de beleza, nem com as perfumarias. Para algumas mulheres, trata-se praticamente de uma reivindicação numa sociedade em que os homens é que contam, uma forma de resistência ao regime que condena o uso de batom. Para outras, são os maridos que reclamam. Mas para a cabeleireira Farideh Yasami, "esta é apenas a natureza das mulheres: elas querem estar belas".

Enquanto Farideh transforma em loura uma cliente de cabelos pretos, outras 10 fazem as unhas em seu salão de beleza, onde homem não entra, anuncia um cartaz. Mas o salão é praticamente clandestino, pois fica em um apartamento particular.

No estabelecimento, as clientes fazem penteados e se depilam com pinça ou cera. Pouco importa se o penteado ficará escondido sob o véu. "A gente se sente melhor", explica uma freqüentadora.

O médico Abdullah Abasi também está acostumado com este tipo de cliente. Em nove anos, praticou 14 mil cirurgias estéticas. "As boas muçulmanas não gostavam muito da idéia de serem examinadas por um homem, mas a necessidade de estarem belas foi mais forte (...) A maioria quer retocar o nariz, mas o número de mulheres que desejam se tornar magras ou ter seios maiores só aumenta", diz o especialista. Algumas querem ficar parecidas com as cantoras Jennifer López e Britney Spears.

Nas ruas, as jovens inovam nas cores do véu, na ousadia da maquiagem e no caimento ajustado do chador, que supostamente deveria disfarçar a silhueta. As academias de ginástica também vivem cheias.

Segundo Ardavan Babaie, vendedor de uma loja de cosméticos, o interesse por seus produtos não diminuiu. Pelo contrário, o comércio prospera a ponto de tornar o Irã um mercado atraente para os produtores ocidentais. As espanholas Zara e Mango, por exemplo, são marcas de prestígio em Teerã. "Uau! É como no exterior!", exclama uma jovem numa das lojas. "Está bom, já que não há muita escolha (...) É como o que eu vi na Fashion TV", comenta.

Na teoria, a TV por satélite é proibida, mas é o que dita a moda. Os conservadores, que voltaram com força ao poder em 2004, a denunciaram, afirmando que ela traz ao país "a depravação ocidental".

Mas a moda também é um negócio, e os candidatos que irão disputar as eleições presidenciais do próximo dia 17 não querem afundá-lo, nem as conquistas em matéria de liberalização que trouxeram ao país os anos de Mohamad Khatami.

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