Moda

Há 60 anos, uma "explosão" sacudia o mundo da moda: o biquíni

29/06/2006 18h18

PARIS - Há 60 anos, seu aparecimento causou escândalo, foi condenado pelas autoridades religiosas e proibido em muitos países: em 5 de julho de 1946, o francês Louis Réard apresentava em Paris "o menor traje de banho do mundo", o biquíni.

Seu nome foi inspirado em uma verdadeira explosão, a do teste nuclear americano na ilha Bikini, quatro dias antes. Seu criador deu esse nome ao traje de banho de duas peças minúsculas (quatro triângulos unidos por tiras) por ser "tão explosivo" quanto uma bomba.

De fato, sua primeira apresentação ao público, na piscina Molitor de Paris, coube a uma bailarina do teatro de revista, Micheline Bernardini, porque Réard não conseguiu que nenhuma modelo aceitasse usar um traje de banho tão pequeno, visto que na época mostrar o umbigo era inaceitável, lembra Kelly Killoren Bensimon em seu livro "The Bikini Book".

Peça escandalosa durante mais de uma década, o biquíni só conseguiu ser aceito plenamente nos anos 1960, quando a liberação sexual, os movimentos juvenis e as reivindicações feministas romperam todo tipo de tabu no mundo.

"O biquíni se impôs em função da força das mulheres e não da força da moda", destaca o historiador de moda Oliver Saillard. A emancipação da vestimenta "está sempre relacionada à emancipação da mulher", acrescenta.

Mas o biquíni não é uma verdadeira invenção, mas uma peça reinventada. Em 1.

400 AC, já eram usados na Grécia trajes de banho de duas peças. E os mosaicos romanos do século IV mostram mulheres fazendo ginástica trajando o que chamaríamos hoje de biquíni, sem falar das roupas tradicionais das mulheres de muitas ilhas do Pacífico.

Mas no mundo ocidental, uma cultura secular de recato feminino havia imposto a ocultação, mais ou menos rigorosa segundo a época, do corpo feminino.

A progressiva emancipação feminina no século XX foi mudando os costumes e com eles, a moda. Nos anos 1920 apareceram os primeiros trajes de banho de duas peças, mas limitados durante anos a certos ambientes, como o teatro de revista.

Começava a época da grande influência do cinema na sociedade e do "star-system". E não se deve esquecer que, a partir dos anos 30, o chamado Código Hays, a legislação que impunha regras de moralidade e conduta ao cinema americano, proibia expressamente a nudez - e concretamente que se mostrasse o umbigo -, impondo um tipo de vestimenta na tela que servia de padrão para todas as mulheres.

O cinema adotou, portanto, a roupa de banho de duas peças em que a parte de baixo chegava até a cintura e a de cima destacava o busto. Pouco a pouco, a censura foi sendo burlada - e as peças, diminuindo. Em 1962, por exemplo, Marilyn Monroe, que havia posado de biquíni em várias fotos havia anos, aparece em seu último filme, o inacabado "Something's got to give", de George Cukor, com um quase biquíni cuja parte de baixo tem cós levemente levantado em curva, tapando apenas o umbigo.

Em 1956, estreava na França "E Deus criou a Mulher", de Roger Vadim. O filme transformou Brigitte Bardot em um arquétipo de sensualidade feminina e impôs a moda do biquíni.

Desde então, o cinema criou várias referências de sensualidade feminina indissociáveis no imaginário popular do biquíni com que apareciam na telona: basta lembrar de Ursula Andrews saindo do mar com seu biquíni branco em "007 e o Satânico Dr. No" (1962) e Raquel Welch, de biquíni de pele de mamute em "1000 Séculos AC" (1966).

Uma vez popularizado o biquíni e esquecida sua conotação escandalosa, a liberdade do corpo seminu fez mais um avanço nos anos 1970. Em algumas das praias mais famosas do mundo, as mulheres se libertaram da parte de cima, inventando o "monoquini", enquanto a diminuta tanga se popularizava no Brasil.

Rompidos os tabus, nos nossos dias a moda não hesita em recorrer novamente ao traje de banho de peça única, enquanto as grandes inovações dizem respeito à matéria-prima, criando peças com novos tecidos cada vez mais elásticos e confortáveis

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