Moda

Detentas do Panamá viram modelos de sua própria coleção de roupas

Reprodução/Facebook
Marca tem roupas, acessórios e artigos de decoração elaborados por pessoas privadas da liberdade Imagem: Reprodução/Facebook

Do Panamá

08/03/2017 19h29

Em uma pequena sala de uma prisão nos arredores da Cidade do Panamá, Kathia Thomas toca com cuidado a tela de uma máquina de costura digital onde escolhe as cores e o tipo de bordado da sua próxima peça de roupa. 

Acompanhada de outras mulheres, entre máquinas de costura, linhas, estampas e imagens religiosas, Thomas, com 43 anos e cinco filhos, prepara a próxima coleção. Ela faz parte do projeto governamental IntegrArte, que tem uma marca de roupas, acessórios e artigos de decoração elaborados por pessoas privadas da liberdade.

Thomas cumpre atualmente uma condenação por venda de drogas e dedica oito horas diárias à confeção, especialmente ao bordado, enquanto desconta os três anos que ainda deve permanecer na prisão. Vive junto a dezenas de prisioneiras em uma das casas com pátio, sala, cozinha, lavanderia, banheiro e dormitórios no centro penitenciário Cecilia Orillac de Chiari, onde moram cerca de 800 internas.

"Aqui o problema que temos é o encarceramento, isso provoca muitas coisas, por isso gosto sempre de fazer algo para manter a mente ocupada. A moda te liberta", disse Thomas em entrevista à AFP. Nesse centro, 25 mulheres trabalham para IntegrArte, enquanto outras 50 fazem cursos de corte e costura.

Já lançaram a primeira coleção, chamada de "Paraíso Étnico", uma combinação de estilos dos anos 70 e 80 com técnicas tradicionais dos trajes típicos do país. "Adoro fazer moda porque é uma maneira de me sentir completamente normal, mesmo que na prisão nos falte materiais e se trabalhe basicamente com as unhas, com o que temos", diz a colombiana Claudia Luna.

Cada vestido uma história

No total, pouco mais de 100 presos escolhidos por uma junta técnica trabalham em quatro centros penitenciários do país nesse programa de ressocialização criado há um ano e apoiado pelas Nações Unidas. Nesse centro as mulheres fazem roupas, chapéus, colares e carteiras, enquanto nos outros três os homens fazem artigos para o lar e artesanato.

Os detentos que trabalham para IntegrArte podem ter suas penas reduzidas e obter uma remuneração pela venda dos produtos que fazem, seguna a gerente da marca, Hania Fonseca. Hoje vendem seus artigos em feiras e através de catálogos, mas as autoridades estão em busca de pontos fixos para venda.

O programa "envolve essas mulheres nas diferentes etapas da elaboração e venda dos produtos", disse à AFP a vice-presidente panamenha Isabel de Saint Malo. Com Isso há um incentivo de maior participação das mulheres na atividade econômica, algo "fundamental no esforço de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres", acrescentou.

Várias líderes do Panamá já usaram essas peças, entre elas De Saint Malo, cujo vestido foi confeccionado por Luna, que está presa por narcotráfico. "Vestir a vice-presidente é o mais importante que aconteceu aqui porque ninguém pensa que vai conhecer uma pessoa dessas", disse Luna. "Cada produto que desenvolvemos traz uma história da pessoa que o produz", disse Fonseca. 

Desfilar: um sonho

As próprias detentas são modelos na hora de apresentar suas roupas. Em um pequeno pátio várias reclusas, maquiadas e penteadas, ensaiam com novas peças e modelos. Algumas delas eram as mais rebeldes, "das que subiam no telhado e faziam as greves", segundo a diretora do centro penitenciário, Lizeth Berrocal.

Agora, mudaram as brigas pelo sonho de serem modelos quando saírem da prisão. "Isso dá a oportunidade da pessoa privada da liberdade de demostrar que pode ser diferente, que pode mudar e ser melhor", diz Teresa Santamaría, presa desde 2015, enquanto usa um top branco bordado.

Sua companheira Stefani Edwards, de 34 anos, improvisa uma passarela para mostrar um colorido vestido com inspiração na África e nas Antilhas. "Modelar sempre foi meu sonho, mas não tive apoio econômico nem familiar. Penso que ao sair daqui essa vai ser minha meta", disse Edwards, presa desde 2014 e à espera de julgamento.

Outras detentas dizem que a costura e a modelagem permitiram que conhecessem talentos escondidos. Acreditam também que a moda as liberta, por momentos, da dura realidade que enfrentam. Thomas comanda a máquina de bordar digital e lamenta: "Há mulheres que necessitam, que que um presente ou punição, que as escutem. Aqui não há mulheres ruins".

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