Moda

Semana de Moda de Londres sofre com crise econômica

Ilana Rehavia
Da BBC Brasil em Londres

15/02/2008 12h06

A Semana de Moda de Londres não escapou do clima de pessimismo e da preocupação em relação à economia americana que atinge o mercado financeiro mundial.

A edição de Outono/Inverno 2008 do evento, que termina nesta sexta-feira, sofreu com a ausência de compradores de algumas das principais lojas de departamento dos Estados Unidos.

O evento de Londres já é considerado o menos comercialmente interessante entre as principais semanas de moda (Milão, Nova York e Paris), sendo mais conhecida por revelar novos talentos que, à medida que vão ganhando espaço, passam a mostrar suas coleções em uma das outras capitais.

Além do medo de uma recessão nos Estados Unidos, a desvalorização do dólar em relação à libra e ao euro também contribuiu para a ausência de compradores americanos e, em conseqüência, para o fato de que parte da imprensa especializada americana decidiu ignorar o evento londrino.

Compradores ausentes
Segundo reportagem do jornal Financial Times, as lojas de departamentos Saks Fifth Avenue e Barneys, por exemplo, decidiram não mandar compradores para a semana de Londres.

"Esta realmente não é a melhor estação para a Semana de Moda de Londres", disse Andrew Tucker, do Conselho Britânico de Moda. "Os compradores americanos e também japoneses estão cuidadosos em relação ao que selecionam. Por causa do atual clima econômico, nesta estação eles estão indo direto para Paris."

Mas, segundo Tucker, muitos dos estilistas que se apresentam em Londres têm escritórios na capital francesa, e acabaram vendendo suas coleções por lá para os mercados americano e japonês.

Para Tucker, a ausência de certos compradores afeta mais as grandes marcas, que precisam responder a acionistas, do que aos estilistas menores, que estão apenas começando e não tem tantos compromissos financeiros.

Mapa da moda
Já para a assessora de relações-públicas Courtney Blackman, diretora da empresa Forward PR, que é especializada em moda, são exatamente os estilistas iniciantes que podem sofrer mais com a atual crise.

Blackman contou à BBC Brasil que alguns de seus clientes que participaram da feira para compradores que ocorre durante a Semana de Moda de Londres relataram ter recebido menos encomendas do que em outras estações.

"Muitos estilistas menores dependem da semana de Londres para conseguirem fazer negócios com o mercado americano, que é muito importante para quem está começando. Eles não têm a estrutura das grandes marcas para absorver o baque de uma semana fraca como esta", disse Blackman.

"É quase como se Londres estivesse à beira de ficar de fora do mapa de moda nesta estação", afirmou Blackman.
A feira e muitos dos desfiles, principalmente de estilistas ainda pouco conhecidos, realmente pareciam mais vazios do que em estações anteriores e a BBC Brasil conversou com vários expositores que confirmaram ter feito um volume menor de negócios do que normalmente.

Westwood
Por outro lado, a fama de Londres como uma semana irreverente e inovadora garantiu cobertura de alguns veículos especializados importantes nos Estados Unidos, como o site da revista Vogue (style.com) e o diário Womens Wear Daily.

Estilistas novatos, mas já festejados, como Christopher Kane e Gareth Pugh, foram os que receberam mais atenção da imprensa internacional. Outro fato que ajudou a atrair as atenções para Londres foi o retorno da estilista Vivienne Westwood que, após nove anos mostrando em Paris, retornou à capital britânica para mostrar sua coleção Red Label, de preços mais acessíveis.

Se depender de Westwood, outros estilistas britânicos seguirão o exemplo e voltarão a desfilar em Londres.
Em entrevista ao site da revista Vogue britânica, Carlos D'Amario, diretor da marca, disse esperar que "nosso exemplo seja seguido por colegas de outras marcas britânicas que atualmente mostram fora".

"Eu convoco John Galliano, Alexander McQueen e Burberry, entre outros, a mostrarem suas linhas mais jovens aqui em Londres e a se unirem para tornar a Semana de Moda de Londres não só um centro para criatividade, mas também para negócios".

Resta esperar até setembro, quando acontece a edição Primavera/Verão 2009, para saber se outras marcas britânicas voltaram para casa e se a Semana de Moda de Londres conseguirá superar os desafios e se tornar tão importante quanto Paris, Nova York e Milão.

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