Moda

Estilistas da Noruega criam coleção de burcas; veja fotos

BBC
A idéia da grife Marked Moskva é popularizar a burca Imagem: BBC

14/03/2008 13h33

A tradicional burca acaba de estrear nas passarelas da moda da Noruega com o lançamento de uma coleção totalmente inspirada na vestimenta que cobre, da cabeça aos pés, algumas mulheres muçulmanas.

A idéia da grife norueguesa Marked Moskva é popularizar a burca como peça básica - e libertadora - do vestuário feminino.

"A burca pode dar mais liberdade às mulheres", disse a estilista Tonje Nordmo em entrevista por telefone à BBC Brasil.

"Para as ocidentais, ela dá a oportunidade de poder sair de casa sem se preocupar com o cabelo ou a maquiagem, por exemplo, além de proporcionar privacidade. E se as ocidentais começarem a usar burcas, as muçulmanas podem passar a sofrer menos discriminação", acrescentou ela.

Até o momento, segundo a estilista, não houve nenhuma reação negativa por parte de grupos muçulmanos.

"Temos tido apenas reações positivas", afirmou Tonje Nordmo. "E não estamos com medo, porque nossas intenções são as melhores possíveis."

Criação e venda
As túnicas da coleção, destaca a estilista, foram criadas tanto para mulheres muçulmanas como para não-muçulmanas. A Marked Moskva empregou duas islamitas para ajudar na criação da coleção, e três peças já foram vendidas para muçulmanas.

Versões estilizadas da burca já passaram pelas passarelas da London Fashion Week em 2007. Mas a coleção norueguesa é mais fiel ao estilo original, cobrindo totalmente a cabeça e os olhos. A diferença está na variedade de estampas e texturas.

Há, por exemplo, a "burca-verão", com estampas florais, e a burca de peles, adaptada para os vários graus negativos do inverno nórdico. A coleção inclui ainda uma "burca-doll" para dormir, e até uma burca para noivas.

A idéia de criar a coleção surgiu depois de os três designers da grife - Tonje Nordmo, Maria Kartveit e Cedric Stevens - terem resolvido adotar a burca como parte de seu guarda-roupa.

"Tivemos que mandar trazer as peças do Afeganistão", conta Tonje. Mas usar as tradicionais túnicas negras nas ruas da capital norueguesa, Oslo, foi uma experiência estressante.

"Ouvimos vários insultos e fomos impedidos de entrar em restaurantes. Outras pessoas pareciam assustadas, com medo da nossa presença. Sentimos na pele a discriminação sofrida pelas muçulmanas", disse a estilista.

Cores
Foi então que o grupo de designers decidiu criar sua própria versão da burca, em cores quentes e tecidos variados.

"Assim, ninguém pode saber se quem está usando a nossa burca é uma muçulmana ou uma ocidental", observa Tonje.

A estilista rebate as críticas de quem vem interpretando a coleção da Marked Moskva como uma piada: "Não se trata de piada, de modo algum. Há de fato aspectos positivos na burca. Nossa mensagem é: experimente, você vai gostar. É uma maneira de as pessoas serem julgadas pelo que realmente são e não pela sua aparência", diz Tonje Nordmo.

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