Moda

"'Não me pagaram pelo meu trabalho": queixas são deixadas em roupas da Zara

Reprodução/BBC
Imagem mostra produto da Zara com a etiqueta "Eu fiz este item que você vai comprar, mas não fui pago por isso!" Imagem: Reprodução/BBC

Selin Girit

Da BBC News, em Istambul

15/11/2017 13h13

Clientes da Zara em Istambul, capital da Turquia, se depararam com etiquetas contendo este texto atípico em peças de roupas, escondidas nas dobras de calças jeans ou no bolso de jaquetas. Longe de serem mensagens enviadas por alguém preso ou em apuros, esta foi a forma surpreendente que funcionários da companhia local Bravo Tekstil, que produzia roupas para a Zara e outras grandes marcas internacionais como Next e Mango, encontraram para fazer um protesto sobre sua situação. 

A confecção faliu em julho de 2016, e seus trabalhadores disseram que ficaram vários meses sem receber. Agora, eles pedem à Zara para compensar suas perdas pagando três meses de salários e indenização. "Chegamos para trabalhar uma manhã e a empresa já era. As persianas estavam fechadas. Nosso chefe havia desaparecido", disse Filiz Tutya, um dos trabalhadores da Bravo Tekstil. "Não tivemos outra escolha que não fosse começar essa campanha. Pusemos as etiquetas em peças de roupas em cada loja da Zara, em cada shopping de Istambul. Não queremos prejudicar a Zara. Não é disso que se trata. Mas queremos o que nos é devido".

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As mensagens dos trabalhadores foram encontradas em várias lojas da Zara na cidade de Istambul, na Turquia Imagem: Getty Images

Outro funcionário da empresa falida, Betul Sahin, disse que a situação financeira de vários dos ex-empregados da Bravo Tektsil é precária: "alguns tiveram de adiar planos de casamento, outros não podem mandar suas crianças para a escola". "Talvez esse dinheiro não seja grande coisa para todo mundo. Mas para nós cada centavo conta. Nós trabalhamos muito por isso. Perguntamos à Zara: Por que você não nos paga? Por que não nos dá nossos direitos básicos?".

Desde que a companha começou, milhares de pessoas postaram mensagens de apoio nas redes sociais usando a hashtag sugerida nas etiquetas: #BravoIscileriIcinAdalet, que significa "Justiça para os trabalhadores da Bravo". Uma petição online já foi assinada por mais de 270 mil pessoas.

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Os trabalhadores prometem continuar campanha para sensibilizar a varejista, caso não sejam compensados por perdas Imagem: Getty Images

A Inditex, empresa controladora da Zara, disse que pagou à Bravo Tekstil tudo o que devia mas que o dinheiro não chegou ao bolso dos trabalhadores. A Zara disse ter estabelecido, em conjunto com a Mango e a Next, um fundo especial de 210 mil euros (o equivalente a R$ 810,39 mil) para ajudar os trabalhadores mais vulneráveis. "Há um sofrimento injusto aqui e nós sentimos muito que esses trabalhadores tenham que suportar isso", disse Murat Akkun, gerente de sustentabilidade da Inditex na Turquia. "Mas não somos nós e sim a empresa local e seu chefe que têm causado esse sofrimento. Ele fugiu da justiça. Os tribunais da Turquia precisam encontrar esse homem e fazê-lo pagar tudo o que é devido".

Em um comunicado, a Zara também disse que "agiu imediatamente para tentar ajudar aos trabalhadores nesta situação injusta e que a Inditex permanece comprometida em se unir aos esforços para encontrar uma solução para eles". O DISK Tekstil, sindicato representativo dos trabalhadores, contudo, ressaltou que se a Inditex não compensar as perdas salariais, a campanha vai continuar.

"A Zara anunciou para o mundo inteiro que é responsável por cada trabalhador produzindo suas mercadorias. O fundo que a empresa propôs só cobre um quarto das perdas dos trabalhadores", disse Asalettin Arslanoglu, do DISK Tekstil. "Há pacientes de câncer em meio a esses trabalhadores, há aqueles que sofreram derrames. Se as marcas não compensarem todos eles - são 153 no total - vamos continuar a promover essa conscientização por meio da campanha".

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A empresa já esteve sob fogo cruzado antes sob acusações de escravidão e trabalho infantil Imagem: Getty Images

Com sede na Espanha, a Inditex é uma das maiores varejistas de moda do mundo, com uma rede de 7.405 lojas e 162.450 pessoas empregadas. Sua maior marca, a Zara, já esteve sob fogo cruzado anteriormente ao ser acusada de permitir o uso de trabalho escravo e trabalho infantil na confecção de suas roupas, assim como de explorar refugiados sírios. O grupo Inditex prometeu investigar esses incidentes e fortalecer o monitoramento nas unidades de produção de seus fornecedores.

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