Moda

Dilema na indústria da moda: quando o 'nude' não é nude para todo mundo

Divulgação
A marca Naja criou a coleção após a estilista perceber que ginasta negra não tinha collant no tom nude certo Imagem: Divulgação

Kim Bhasin

 A nudez está na moda hoje atualmente, seja em trajes de banho nude, lingerie nude e roupas de marca nude. Trata-se de um visual simples, mas provocador, para quem é ousada a ponto de insinuar que está completamente despida e tolerante para aguentar ser olhada duas vezes de vez em quando. No entanto, para alguns, nude não passa de bege. Ou talvez de um leve bronzeado. O problema com essa paleta de cor específica é que, na maioria das vezes, "nude" só é nude se você tiver a pele branca.

À medida que aumenta a popularidade desse estilo, esse dilema do comércio começa a chamar atenção. Alguns estão contestando a norma do setor, menosprezando a permutabilidade de "nude" e "bege" e produzindo roupas que combinam com a pele de todos. "Finalmente as indústrias da moda e da beleza estão acompanhando o ritmo", disse Katie May Atkinson, analista da empresa de projeção de tendências WGSN. "Mas demorou muito para isso acontecer".

Por que demorou tanto? Combinar o tom da pele com as roupas foi uma tendência forte no fim dos anos 2000, e estilistas de alta-costura exibiram visuais marrom claro nas passarelas, mas com modelos brancas. Os sapatos nude conquistaram mais adeptas, assim como os esmaltes nude. Até que, em uma noite de 2010, Michelle Obama usou um vestido de festa tomara-que-caia bege em um jantar estatal -- um vestido cuja cor foi descrita como "nude". Nem tanto.

Giz de cera e direitos humanos

O conceito de "nude" como cor foi contestado há muito tempo, não só na indústria da moda. A fabricante de giz de cera Crayola, que atualmente pertence à Hallmark Cards, fazia uma cor bege rosada que se chamava "pele". Esse tom foi renomeado como "pêssego" nos anos 1960, quando referências discriminatórias começaram a surgir diante do movimento pelos direitos humanos.

A indústria da beleza, por sua vez, está muito à frente da indústria da moda em relação a atender a mulheres com peles mais escuras. Atualmente, elas têm mais opções que nunca graças a marcas como Bobbi Brown e MAC, que oferecem um conjunto inclusivo de amostras às clientes. O pó iluminador nude da Bobbi Brown, por exemplo, vem em seis conjuntos diferentes, que vão desde "porcelain" a "rich".

Getty Images
A marca do cantor Kanye West, a Yeezy, apresentou uma coleção celebrando o nude. Imagem: Getty Images

No entanto, nas passarelas não há muitos sinais do arco-íris nude. Uma exceção notória é a marca do cantor Kanye West, que incluiu muitos tons de modelos de várias etnias e gerou burburinho em torno da crescente redefinição. E sim, as Kardashian também desempenharam um papel, com a nunca tímida Kim como garota-propaganda do nude. Ela usou desde biquínis nude a blusas e saias nude.

Na verdade, algumas marcas do setor aderiram à iniciativa. A Nubian Skin foi a primeira, com uma linha de lingeries disponíveis em diversos tons de marrom escuro. BeingU, Nudest e BrownBottims também vendem roupas íntimas de vários tons. Uma nova marca de sapatos do Reino Unido, chamada Kahmune, oferece 10 tons distintos de saltos altos para combinar com os tons de pele. A Nunude é uma marca que vende moletons e roupas de ficar em casa com a expectativa de redefinir o nude. E Christian Louboutin, fabricante dos emblemáticos sapatos com a sola vermelha, explicou o leque de cores de suas sapatilhas e saltos altos nude.

"Sempre fiz um sapato nude, mas usando somente a cor bege", disse Louboutin, o estilista, na época. Mas ele decidiu mudar isso quando uma de suas funcionárias lhe disse categoricamente: "Bege não é a cor da minha pele".

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