Moda

Poesia nas roupas e desfiles é destaque do quinto dia

Alexandre Schneider/UOL
Na performance tocante de Karlla Girotto, os vestidos foram lançados ao céu Imagem: Alexandre Schneider/UOL

CAROLINA VASONE
UOL Estilo

16/07/2006 23h48

Depois de quatro dias sem fortes emoções, o domingo veio com uma grata surpresa: a poesia na moda, nos desfiles emocionantes de Karlla Girotto e Ronaldo Fraga.



Karlla merece destaque especial com sua performance tocante, na escadaria que dava para um dos jardins do Parque do Ibirapuera. A estilista promoveu um espetáculo reflexivo e mostrou, com isso, não necessariamente que a moda é arte, mas que através dela é possível refletir sobre a relação do vestir com grandes questões da vida.



O fato é que todo mundo se emocinou, cada um lá com suas reflexões, evocadas por toda a cena, de arrepiar. Depois de entrarem carregando balões brancos de gás que prendiam os vestidos pendurados no cabide, cada modelo masculino soltava, aos poucos, "sua mulher" ao vento. E as moças - ou melhor, seus vestidos, com muitas saias godês, várias camadas de panos e nesgas - se misturavam no céu, andavam para lá e para cá, tomavam caminhos diferentes. Enquanto isso, os homens, sem pestanejar, permaneciam imóveis em seus lugares, apenas dando asas ao feminino, soltando cada vez mais a linha que prendia os balões.



Ronaldo Fraga normalmente consegue este feito de emocionar e ao mesmo tempo brincar em seus desfiles e em suas coleções. E foi o que fez ao homenagear Guimarães Rosa por meio de roupas, criadas para o próximo verão.



"Viver é um negócio perigoso", anunciou a voz em off, sobre o fundo musical, dando início ao desfile com a frase que se repete em diversas versões ao longo do livro "Grande Sertão - Veredas", de Guimarães Rosa. É, viver é perigoso mesmo, mas pode (e deve) incluir poesia, leveza e bom humor, acredita Ronaldo Fraga.



Assim, borda e estampa os personagens e imagens do universo do escritor (onça, boi, tamanduá, pássaros), mistura tons pastéis de azul, verde e rosa e outros mais fortes como o marinho, o verde para o bandeira, o laranja, além do marrom e os tons de bege, em formas soltas no corpo, com muitas batas, bermudas, saias rodadas, vestidos soltos e túnicas.



Não tanto pela poesia mas pela atmosfera de sonho de conto de fadas e pelo rigor de seu trabalho na construção das roupas, Gloria Coelho também se destacou no domingo, com suas princesas cheias de babados delicados num verão de muitos vestidos que reuniam a leveza de tecidos, a estrutura de anáguas e de alguns babados mais duros e a personalidade de, novamente babados (eles eram muitos!) desenhados e aplicados de maneira muito feminina mas não óbvia.



Lino Villaventura, que encerrou o dia, é outro que merece um segundo olhar pela força das imagens criadas por seus vestidos inspirados na África, suas estampas multicoloridas e seu trabalho artesanal minucioso e detalhadíssimo, com nervuras, bordados e outras inúmeras técnicas.



Neste domingo, desfilaram ainda Lorenzo Merlino, Poko Pano e Miguel Vieira.

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