Moda

Herchcovitch cria fórmulas matemáticas de modelagem para o Inverno 2008

Alexandre Schneider/UOL
Look da coleção feminina de Alexandre Herchcovitch Imagem: Alexandre Schneider/UOL

CAROLINA VASONE
Editora de UOL Estilo

16/01/2008 20h39

Fila na porta de entrada da sala 1, na Bienal: convidados e imprensa se aglomeravam, de editores de moda a clientes e fãs sem convite, numa pequena multidão aflita por garantir seu lugar na primeira, na segunda, na décima fila que fosse, mas que fosse com vista para o desfile de Herchcovitch. Backstage, momentos depois da apresentação: outra multidão, desta vez de câmeras de televisão, bloquinhos de anotação e microfones, se formava em volta do estilista, com assédio que dava a dimensão do frisson causado por Herchcovitch. Luzes apagadas, modelo na passarela: o estilista mostra, mais uma vez, por que hoje é considerado o mais importante criador da moda brasileira.

No primeiro desfile depois da venda de sua marca para o grupo I'M Identidade Moda (que também comprou a Zoomp e Fause Haten), Alexandre Herchcovitch investiu pesado na técnica de construção das roupas, e, sob a inspiração da geometria, criou verdadeiras fórmulas matemáticas de modelagem, com triângulos, cubos, retângulos, que, juntos, viravam vestidos femininos, ora arredondados no quadril, marcados na cintura, ora com mangas complexas e bonitas, com a cava lá em baixo, terminando na saia mais reta. Mesmo quando a cintura marcava, ela não grudava no corpo: parecia desenhar um outro corpo em cima da base da modelo, usando os ombros como ponto de referência e sustentação.

"O início do desfile lembrava um pouco Balenciaga", comentou Mariana Rocha, consultora de moda do UOL, sobre os looks pretos, em especial, do começo da apresentação. Impossível não lembrar do revolucionário criador espanhol, não usado como espelho, mas como referência de rigor e criatividade na construção das formas que dão outra forma à mulher. "Meu conceito de sensualidade é outro", resumia Herchcovitch, ao final do desfile.

Com o colorido da única estampa do inverno, de círculos que formavam um alvo desconstruído, a coleção chamou atenção ainda na mistura de tecidos como lã, seda pura, algodão puro, muitas vezes numa mesma peça.

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