Moda

Lanvin faz ode à sedução involuntária; Issey Miyake, à construção espiritual

Getty Images
Lanvin apresenta coleção para o Inverno 2011 durante a semana de moda de Paris (04/03/2011) Imagem: Getty Images

CAROLINA VASONE

Enviada especial a Paris

05/03/2011 12h45

Num dia de emoções à flor da pele (por conta do último desfile do já demitido Galliano para a Dior), Issey Miyake e Lanvin exaltaram suas visões da moda, e mais, de como o que as mulheres vestem devem traduzir sua essência.

Na Lanvin, Alber Elbaz fez uma ode aos vestidos e, com eles, do que pode ser considerado um instinto feminino: o da sedução. Com um fechar de zíper, uma única peça posta no corpo, a mulher se transforma e se vê pronta para conquistar o mundo. Ou o seu homem.

Com os vestidos de Elbaz para a Lanvin, a metamorfose parece acontecer de maneira involuntária: é como se os materiais, a modelagem perto mas longe do corpo, os babados, franzidos e drapeados construídos para serem quase ingênuos, criassem uma situação em que ser desejada por todos ao redor acontecesse sem qualquer esforço, e independentemente de sua vontade. Sem querer, a mulher Lanvin já arrebatou todos os corações. Rasgue o primeiro vestido Lanvin que não quiser ser esta mulher.

Para o Inverno 2011 a Lanvin não apresentou apenas vestidos, embora os mais diferentes modelos da peça tenham sido a vedete da estação. Capas e casacos curtos e arredondados, saias curtas em modelagens mais ajustadas e mais volumosas, sempre com a cintura no lugar marcada, uma ou outra calça. Ombro e mangas evidenciados assim como o quadril, em versões contemporâneas de anquinhas (os quadris marcados por volumes variados já são uma tendência desta estação, aliás) pontuaram a coleção com muito marrom e preto intercalados com vários tons de laranja (rosado, avermelhado, mais claro ou forte) e pitadas de azul, amarelo e rosa.

No desfile de Issey Miyake, a despedida de Dai Fujiwara, diretor criativo há cinco anos e parte da equipe da grife japonesa há dezessete, evidenciou os princípios de uma marca que parece genuinamente procurar transmitir valores como a importância de olhar e querer interagir com o outro, o respeito a tudo que o cerca, a busca pela excelência sem prejuízo de outras pessoas. Enfim, também uma peça única, um pedaço de tecido, serviu para que a equipe de estilo da grife construísse esta mensagem espiritual.

O desfile começou de maneira didática, essencial para entender como é feita a modelagem origâmica das roupas que seriam desfiladas. A partir de quatro pedaços retangulares de papel os assistentes de Fugiwara criaram, ao vivo, na passarela, quatro peças de roupa: um vestido, um colete, uma saia e uma gola. Grampearam as peças e a colocaram nas modelos. Em seguida, entraram em cena as versões em tecido dos mesmos looks.

A ideia de criar uma peça única a partir de um único pedaço de tecido faz parte da essência da grife criada nos anos 1970. Além disso, a técnica minimiza o desperdício de material, contribuindo para o caráter sustentável da grife. Nesta estação, estampas criadas a partir do trabalho da artista Escher criaram efeitos geométricos com ilusão ótica, além de versões divertidas de clássicos como a estampa "pied-de-poule". O zigue-zaque também foi usado nas estampas dos paletós ajustados, vestidos com volumes nas saias e casacos, numa alusão à técnica de dobradura.

No texto de despedida de Fujiwara, distribuído junto como release da coleção, o estilista passa o bastão para seus jovens discípulos da equipe de estilo, treinada para ser a próxima geração criativa da grife.

Na última sexta (4), foram destaque ainda o brasileiro Pedro Lourenço, a conceitual Martin Margiela, a punk fashion Vivienne Westwood, a francesa roqueira "cool" Isabel Marant e japonês minimalista Yohji Yamamoto.

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