Moda

Num mercado de trabalho ainda desigual, mulheres levam vantagem na moda

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Mulheres importantes na moda, as tops Alessandra Ambrósio e Carol Ribeiro, a empresária Eloysa Simão e as estilistas Fernanda Yamamoto, Isabela Capeto e Luiza Barcelos discutem a presença feminina no mercado atual Imagem: Getty Images/Folhapress/Divulgação/Folhapress/UOL/Divulgação

Fernanda Schimidt*

Do UOL, em São Paulo

08/03/2012 06h00

“A moda é algo intrinsicamente ligado às mulheres”, afirma a estilista Fernanda Yamamoto, jovem talento do São Paulo Fashion Week, principal semana de moda do país. A afirmação é compartilhada pela modelo gaúcha Alessandra Ambrósio neste Dia da Mulher. “A moda é feita, em grande parte, para elas. Com a mulher ocupando outros segmentos atualmente, ela se preocupa mais com a aparência e aquece o mercado”, explica a top.

Presença no mercado

As mulheres sempre estiveram bem colocadas, porque a moda era considerada até pouco tempo como parte do universo feminino

Eloysa Simão, empresária

Fonte de inspiração para os criadores e consumidoras ávidas por novidade, as mulheres marcam presença na moda desde a revolução provocada por Coco Chanel, em 1920, que deu liberdade para o guarda-roupa feminino explorar peças além das saias e vestidos. Cargos de prestígio são comumente relacionados a mulheres poderosas: as editoras das revistas mais importantes, as estilistas de grifes cobiçadas e, é claro, as modelos. “Muitas das marcas internacionais que admiro, como Prada e Isabel Marant, são comandadas por mulheres”, comenta a designer de sapatos Luiza Barcelos, de Minas Gerais.

A moda, como mercado, é de fato mais amigável à sua força de trabalho feminina, quando comparada aos índices gerais, publicados em relatório do Banco Mundial na última terça (6), com o dado de que a cada US$ 1 recebido pelos trabalhadores homens, US$ 0,73 são pagos às mulheres pela mesma função. O cachê de uma modelo, por exemplo, costuma ser 60% maior do que o de um colega, diferença que aumenta quando se tratam das tops. Aqui, vale explicitar o outro lado deste “paraíso profissional”: estas mulheres, muitas vezes, são ainda meninas, passando por longas jornadas de trabalho e pressões em busca da beleza ideal.

Para a empresária Eloysa Simão, responsável pelo Fashion Business (principal salão de negócios da moda brasileira), no Rio de Janeiro, a diferença de salários é facilmente compreendida. “É uma questão mercadológica. A moda feminina ainda é a líder de vendas no mundo todo. Quando a venda de roupas masculinas for maior, os homens serão os mais bem pagos”, diz ela. Alessandra levanta outro ponto, o da publicidade: "A comunicação publicitária para vender produtos e serviços, independente do consumidor, é mais focada na mulher como personagem. Mesmo produtos masculinos usam mulheres para atingir seu público-alvo".

Eloysa acredita que os homens têm ganhado espaço na moda nos últimos tempos e tendem a acirrar a área. “As mulheres sempre estiveram bem colocadas, porque a moda era considerada até pouco tempo como parte do universo feminino. Hoje, com a entrada cada vez maior de homens, elas enfrentam uma competição comum ao resto do mercado [de trabalho]”.

Objeto de inspiração

A moda é feita, em grande parte, para elas

Alessandra Ambrósio, modelo

Seu principal desafio é, como em qualquer área, conciliar as diferentes funções que exerce ao longo do dia, e aí entra a maternidade. “É como se ela ganhasse mais uma profissão. A mulher trabalha em vários lugares ao mesmo tempo: como dona-de-casa, mãe, mulher, namorada e ainda tem o próprio trabalho para tocar”, diz a estilista carioca Isabela Capeto. Já Alessandra Ambrósio, aos sete meses de gestação do segundo filho, acredita que o maior obstáculo para o sucesso é a aceitação do mercado. “E isso não melhora ou piora com a maternidade”, afirma. Para a modelo e apresentadora paraense Caroline Ribeiro, as mudanças acontecem em outro nível, mais individual. "Não muda a aceitação, mas ajuda no amadurecimento e no conhecimento do próprio corpo", diz.

O excesso de jogo de cintura pode ter seu lado negativo, segundo Isabela Capeto. "Nos preocupamos tanto em ocupar um espaço no mercado – e conseguimos – que às vezes acaba existindo uma falta de romantismo. Mas essa foi a nossa escolha", conclui. Carol Ribeiro completa: "Hoje, as mulheres não querem igualdade, já a temos. Buscamos a feminilidade que ficou um pouco de lado na nossa busca pelo reconhecimento no mercado de trabalho e na sociedade".

*Com colaboração de Julia Guglielmetti

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