Moda

Me empresta essa blusinha? Guarda-roupas compartilhados conquistam adeptas

Bruno Santos/UOL
A House of Bubbles, que trabalha com locação de roupas e acessórios Imagem: Bruno Santos/UOL

Ju Silva

Do UOL, em São Paulo

25/09/2016 07h00

Sabe aquela máxima "na crise as pessoas se unem"? A moda não ficou de fora e o consumismo desenfreado dos anos anteriores deu espaço a uma nova maneira de se vestir: o guarda-roupa compartilhado.

Quem está atento às redes sociais já deve ter trombado online com a House of Bubbles, uma "roupateca" de São Paulo (SP). O local contava com 700 peças de grifes como Reinaldo Lourenço, Osklen e Dior. Ao contrário de um brechó ou das lojas de aluguel de roupa de festa, a agora rebatizada Roupateca ganhou endereço próprio e funciona como se fosse um serviço por assinatura: o usuário paga uma mensalidade de R$100, R$200 ou R$300 e pode retirar, respectivamente, uma, três ou seis peças por mês.

Tudo começou quando as consultoras de estilo Daniela Ribeiro e Nathalia Roberto decidiram mudar a forma de trabalhar com moda. Elas tocavam o Entre Nós, projeto que funcionava como um bazar com peças de descarte dos guarda-roupas da clientela. "A gente quis criar algo novo e relacionado à economia colaborativa. O conceito tem conexão com nosso trabalho e, como estávamos mergulhadas nisso, chegamos no formato da biblioteca de roupas", diz Daniela. "As pessoas que assinam o serviço buscam também por design e informação de moda. Roupa é história e queremos que as pessoas contem as delas", completa.

Enquanto examinava as roupas nas araras, a estudante Catarina Rimbauld, que se tornou adepta dos guarda-roupas colaborativos quando morou na Europa, fazia looks mentais com as peças expostas. "Fiquei muito feliz quando o conceito chegou aqui! Por ser algo que você constrói em grupo, se forma uma espécie de comunidade, de seita", brinca a consumidora que não sabe ainda qual plano escolher.

Bruno Santos/UOL
Luciana Nunes, fundadora da Lucid Bag Imagem: Bruno Santos/UOL
Foi seguindo exatamente este conceito que Luciana Nunes decidiu largar o emprego na área da publicidade para ampliar não só o guarda-roupa, mas principalmente seu círculo de amigos e experiências. "Sempre trabalhei com moda e constantemente ouvia as pessoas reclamando que as peças ficavam encostadas no armário, mas tinham alguma história bacana para contar. Achei que era hora dessas roupas saírem e irem para as ruas", fala. Foi assim que nasceu o armário compartilhado Lucidbag, em São Paulo (SP).

A fotógrafa Raissa Nosralla é uma das usuárias do coletivo. "Gosto de pegar peças para o dia a dia, porque sou uma pessoa que não se monta muito. Deixei algumas saias e vestidos que adoro, mas não consigo usar", fala Raissa.

Luciana teve que adaptar seu negócio cinco vezes até chegar no formato de "guarda-roupa compartilhado". Agora são três planos disponíveis: um básico que custa R$ 50, com roupas de fast fashion e para o dia a dia; um mais refinado por R$ 150, com grifes bacanas como Herchcovitch e Cris Barros; e um luxuoso que sai por R$ 300, que também inclui Gucci e vestidos de gala. E o lucro, aliás, é dividido --para cada peça alugada, a "proprietária" recebe 20% do valor.

Mas não vá pensando que é só pagar a mensalidade para usufruir do armário estrelado. Para alugar, é preciso deixar pelo menos uma peça e passar por uma consultoria. "É muito difícil as pessoas entenderem que o vestuário delas, muitas vezes, não é tão especial quanto elas pensam. Por isso damos esse cursinho, analisamos o guarda-roupa e diagnosticamos o estilo de cada cliente", fala Luciana. "As peças de uma pessoa dizem muito sobre ela. Agora que nos tornamos uma comunidade, e consequentemente sabemos o que tem a ver com cada menina, rola essa cumplicidade. São histórias escritas em conjunto", conclui.

Bruno Santos/UOL
Peças da Lucid Bag, que trabalha com locação de roupas e acessórios Imagem: Bruno Santos/UOL
Ao que tudo indica, para multiplicar é necessário dividir. Segundo a revista "Forbes", a economia compartilhada já movimenta cerca de US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 11,4 bilhões) somente nos Estados Unidos e tem ajudado o país a superar a crise.

No Brasil, embora o modelo seja ainda embrionário, o compartilhamento vem ganhando cada vez mais espaço. Para Ricardo Abramovay, professor da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo), estamos passando por um processo de mutação da economia, de um sistema de oferta para outro que valoriza a experiência. O futuro? É se adaptar. ?O mundo se transformou e a economia já percebeu isso. Hoje o capital mais valioso é a relação humana?, define.

Veja onde encontrar alguns guarda-roupas compartilhados:

SÃO PAULO (SP)

Roupateca
Rua Lisboa, 445 - Cerqueira César
Aberto de segunda a sexta-feira, das 11h às 20h, e aos sábados, até as 17h
www.instagram.com/roupateca/

Lucidbag
Rua Aimberê, 2004 - Sumaré
Atendimento com hora marcada
www.lucidbag.com.br

Casa Goiaba
R. Marta, 115 - Barra Funda
Atendimento com hora marcada
www.facebook.com/casagoiaba

BELO HORIZONTE (MG)

Armário compartilhado
Aberto de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h e aos sábados, das 10h às 14h.
R. Araripe, 245 - Floresta
www.armariocompartilhado.com.br

GOIÂNIA (GO)

Casulo Moda Coletivo
Terça-feira a sábado, das 16h às 22h.
Rua 1136, Qd 244, Lt 13, Nº 550 - Setor Marista
www.casulomodacoletiva.com
 

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba seu horóscopo diário do UOL. É grátis!

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Mulher - Moda
Ana Aoun
do UOL
do UOL
do UOL
Moda
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Mulher - Moda
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Mulher - Moda
do UOL
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Mulher - Moda
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Ana Aoun
Topo