SPFW

Trans na moda: new face assume identidade feminina e estreia na SPFW

Patrícia Colombo

Do UOL, em São Paulo

13/03/2017 04h01

A catarinense Maria Clara de Melo, 22 anos, ainda carrega em sua certidão de nascimento outro nome composto: João Luis. Mas no primeiro dia deste ano, assumiu a identidade feminina em sua página no Facebook --gesto que coroou um processo de mudança de gênero, iniciado em novembro de 2016, com tratamento psicológico e hormonal. Agora, ela sonha fazer sucesso no mundo da moda, se espelhando na jornada de top models como Lea T e, mais recentemente, Valentina Sampaio --ambas brasileiras e transexuais, como ela.

O primeiro passo será dado quando Maria Clara pisar na passarela da São Paulo Fashion Week, que começa nesta segunda-feira (13). Ela estará entre as modelos do desfile da grife carioca Beira, marcado para sexta (17), no Parque do Ibirapuera.

O cabelo castanho crespo com franja é o atual queridinho das fashionistas e os olhos verdes com cílios curvadíssimos dispensam o rímel. Maria tem 1,78m e calça 39. Nunca fez plásticas e ainda não sabe se passará por uma cirurgia de redesignação sexual. Nascida em Criciúma, iniciou na carreira de modelo aos 13, ainda como menino -- o único em uma família com três irmãs (duas delas, modelos).

Desde pequena, Maria se interessava pelo universo feminino e pelo mundo da moda. Descobriu-se gay aos 16, mas diferentemente de tantos casos de homossexuais rejeitados pelos pais, encontrou apoio e acolhimento em casa. Fazia terapia desde os 7 anos por indicação de uma madrinha psicóloga, e esse amparo auxilou tanto ela, quanto a família.

Divulgação
Imagem: Divulgação
De modelo masculino a trans

"Sofri muito para me encaixar em trabalhos como modelo masculino. Meu corpo era franzino e o mercado pede mais virilidade. Não conseguia tantos trabalhos", explica. As primeiras sessões de foto aconteceram quando ainda morava em Florianópolis e tinha dificuldade de pagar as contas com os poucas oportunidades que surgiam. Ao mudar-se para São Paulo, em janeiro do ano passado, foi contratada por uma agência, que acompanhou todo o processo de sua transexualidade.

"Comecei a me sentir muito vazia e em dúvida com diversas coisas na vida", relembra. Uma experiência como drag queen em uma festa entre amigos foi divisor de águas, pois garantiu que João entrasse em contato com seu lado feminino de maneira mais intensa. "Foi mágico. Apesar de estar fantasiada como uma personagem, me sentia muito confortável", diz. "A drag tem o poder de tirar a inibição das pessoas e foi uma experiência muito importante. Não era uma expressão artística, era uma expressão pessoal. Alguns meses depois compreendi que me identificava mesmo como mulher e aí resolvi organizar as coisas na minha cabeça e conversar com a minha família."

Na época, arrumou também um emprego como vendedora de uma loja descolada. Os patrões acompanharam a transformação de Maria Clara e deram apoio. Em breve, ela passará a usar peças femininas da marca para atender aos clientes. 

Influências

O mundo da moda já há algumas temporadas tem aberto o caminho para transgêneros. Após iniciar a carreira como modelo andrógino, o bósnio Andrej Pejic tornou-se Andreja e, em 2014, realizou a cirurgia de mudança de sexo, tornando-se referência no meio. A mineira Lea T é outro caso de sucesso e fonte de inspiração para Maria Clara. Foi a primeira modelo transexual a aparecer em uma grande campanha de moda --é garota-propaganda da Givenchy--, e figurou na lista da revista Forbes como uma das 12 mulheres que mudaram a moda italiana.

Valentina Sampaio, que estreou na última edição da SPFW, em outubro de 2016, tornando-se a primeira trans a ser recordista de desfiles no evento, em pouco tempo adquiriu o status de top. Virou capa da Vogue francesa, destaque de perfil extenso no "Le Monde" e é atual garota propaganda de uma marca de cosméticos ao lado da Grazi Massafera.

Maria Clara ainda está começando. Ela posou para seu primeiro book, com a razão social feminina, há dois meses e, há poucas semanas também fotografou sua primeira campanha, para a grife Martins.Tom. Tudo ainda é novo, encontra-se na fase da transformação física e se orgulha de desfilar pela primeira vez na vida em sua pele feminina. 

"Faltam ainda representantes transgênero que se mostrem no mercado", diz. "Por não ter referências, acreditava que só me entenderia como mulher após cirurgia plástica e outras mudanças mais drásticas. Quando me deparei com as minhas primeiras fotos como Maria Clara, me emocionei muito. Vi ali eu mesma, sem intervenção, como uma verdadeira mulher."



 

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