Moda

Uma nova Alice: Calendário Pirelli recria conto só com modelos negros

Thaís Carvalho Diniz

Do UOL, em Nova York*

11/11/2017 19h34

O renomado fotógrafo de moda britânico Tim Walker foi o eleito pela Pirelli para clicar a 45ª edição do famoso calendário da marca italiana. O tema escolhido, o clássico de Lewis Carroll “Alice no País das Maravilhas”, ganhou, com Walker no comando, uma leitura diferente do que foi feito pela Disney e por Tim Burton. Para começar o ineditismo, decidiu por um elenco só de modelos negros.

“Foi um trabalho ótimo, mas para eleger algo incrível, Duckie [Thot, modelo australiana-sudanesa) me impressionou pela facilidade com qual encarnou Alice. Já as cenas com Sean ‘Diddy’ e Naomi (Campbell) foram caóticas, mas algo positivo e esperado”, disse Walker, durante entrevista em Nova York na semana de lançamento do calendário.

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Além dos talentos citados pelo fotógrafo, nomes como os das atrizes Lupita Nyong’o e Whoopi Golderg, do modelo e ator americano-beninense Djimon Hounsou e o ator e apresentador RuPaul Charles, também estarão nas folhinhas de 2018.

Para o britânico, fazer o Calendário não é buscar uma temática especificamente política. Entretanto, “quando se é um fotógrafo, precisa estar atento ao mundo e conectado ao espírito do tempo, e o que acontece na sociedade consequentemente influência minhas obras”.

“Não é possível trazer ideias, interpretações culturais ou qualquer tipo de peso para um ensaio. Não dá para chegar no estúdio e começar a clicar pensando muito no que vai acontecer. Instinto, essa é a palavra.”

“Mensagem poderosa de diversidade”

A edição foi fotografada em 20 sets de um novo “País das Maravilhas” em Londres, em maio deste ano. Se para Walker a política não é o centro do Calendário e Naomi enxerga a temática apenas pela fantasia, a modelo albina sul-africana Thando Hopa, que representa a Dama de Copas do clássico, pensa que ter 18 negros em “algo grandioso como o Calendário Pirelli é algo que vai marcar a história”.

Isso estar acontecendo é a prova de que todos podemos ser Alice. Existe uma mensagem poderosa de diversidade e unidade”

Outro nome que chamou atenção dos jornalistas e presentes nos eventos de lançamento do Calendário em Nova York foi o da ativista gambiana Jaha Dukureh, que luta pelos direitos das mulheres.

“Quando me ligaram para fazer o convite, não entendi como encontraram meu nome. Nunca tive esse glamour, minha luta é outra. Por isso, para mim, fazer parte disso é um verdadeiro 'País das Maravilhas'".

*A repórter viajou a convite da Pirelli.

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