Bichos de estimação

Vale a pena gastar mais que o dobro em uma ração superpremium para seu pet?

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Melissa Diniz

Do UOL

Quem tem cachorro ou gato já deve ter se perguntado se realmente vale a pena pagar bem mais caro por um pacote de ração de primeira linha. Enquanto um quilo do alimento comum para cães adultos custa, em média, R$ 20, a mesma quantidade do tipo superpremium chega a custar R$ 46,90, em uma loja virtual de produtos para animais.

Segundo a médica veterinária nutróloga Raquel Valim Labres, de Porto Alegre (RS), a classificação dos alimentos para animais em standard, premium e superpremium é apenas mercadológica. “Não é uma definição científica, porém, as rações mais caras costumam oferecer benefícios que impactam a saúde e a longevidade dos bichos, por isso, valem o investimento”, diz.

Alta qualidade

A explicação para isso, afirma Raquel, é que essas rações, além de serem mais balanceadas, são feitas com ingredientes de alta qualidade e contêm substâncias que, embora não sejam obrigatórias pela legislação, evitam uma série de doenças, principalmente quando o pet fica mais velho.

“As rações de primeira linha contêm gorduras mais calóricas e ingredientes como glucosamina e condroitina, que protegem as articulações, probióticos que melhoram a saúde do intestino e facilitam a digestão. Por serem mais nutritivas, o animal não precisa comer tanto e suas fezes têm volume reduzido o que, para o dono, é ótimo.”

Já as mais baratas têm menos gordura ou, em vez de utilizar ômega 3 do salmão, que encarece o produto, usam o de linhaça, que é mal absorvido pelos cães e não é absorvido pelos gatos, afirma a médica. “A proteína também é de qualidade inferior, misturada à farinha de carne, há também pó de ossos, que não é bem absorvido.”

Algumas rações de primeira linha também oferecem outros diferenciais, como nutrição específica para animais castrados, idosos ou com problemas renais, por exemplo. “Elas conseguem ter benefícios agregados, mas não perdem o balanceamento e os nutrientes essenciais”, diz Raquel.

Corantes e flavorizantes

Outro ponto comum entre as rações mais populares é a presença de corantes. “Animais não ligam para a cor da ração. Os corantes são apenas para chamar atenção do dono. Estudos apontam que são substâncias alergênicas, então, é melhor evitar”, diz.

De acordo com o médico veterinário Régis Christiano Ribeiro, de São Paulo, que é especialista em nutrição animal, é comum que as rações inferiores usem também muitos flavorizantes e palatabilizantes, substâncias que acentuam o aroma e o sabor para que o alimento seja mais facilmente aceito pelo animal. “É por isso que vemos tantos cachorros comendo cocô, porque essas substâncias permanecem nas fezes, que são confundidas com comida”, explica.

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Quando feita com orientação do veterinário, a comida caseira é mais saudavel Imagem: Getty Images

Alimentação natural

Defensor da alimentação natural, Ribeiro afirma que 80% dos clientes que procuram seu consultório vão em busca de orientações para oferecer comida caseira aos bichos. “Esse tipo de alimentação, quando feita de maneira correta, é mais saudável, pois permite que haja um controle maior sobre a origem do alimento. Além disso, a comida é úmida e não exige que o bicho beba tanta água como a ração seca”, afirma.

Mas dieta caseira não significa dar somente arroz com carne, muito menos restos de comida aos animais. “É preciso haver um balanceamento entre proteínas, gorduras e carboidratos. Temperos como alho, cebola e sal não devem ser usados, pois podem fazer mal. E ainda fazemos uma suplementação de vitaminas, fibras e minerais.”

Alguns vegetais, afirma Ribeiro, podem causar cólicas fortes em cachorros, por provocarem muitos gases. “É o caso do grão-de-bico e da couve-de-bruxelas, que não devem ser usados.” Já os gatos precisam ter uma dieta altamente proteica, pois não digerem bem os vegetais.

Por comerem dieta caseira feita sem a supervisão de um veterinário, afirma Raquel, muitos animais estão voltando a ter problemas de saúde que não apareciam há anos nos consultórios.

Os principais sintomas de desnutrição ou sensibilidade a ingredientes em animais, explica Ribeiro, são alergias de pele, inchaço, vermelhidão, surgimento de feridas, fezes muito pastosas ou líquidas e problemas de comportamento. “Muitos cachorros ficam nervosos ou começam a se lamber sem parar por dificuldades digestivas. É preciso investigar a causa.”

A alimentação equilibrada, explica o médico, pode fazer o animal viver muito mais. “Aqui no consultório tenho pacientes cães com 22 anos e gatos com 19.”

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