Comportamento

Morto há 3 meses, George Michael ainda não foi sepultado; como é possível?

Denise de Almeida

Do UOL

09/03/2017 04h01

Setenta dias após sua morte, o cantor George Michael ainda não foi enterrado. A demora é porque os laudos iniciais sobre a causa da morte foram inconclusivos e novos exames foram pedidos. O resultado foi divulgado nesta terça (7): o astro pop morreu de causas naturais e agora poderá ser sepultado. Mas como um corpo pode ficar preservado durante todo esse tempo?

Segundo Nelson Pereira Neto, diretor de funerais especiais no Grupo Bom Pastor, se conservado apenas em câmara fria, o cadáver se manteria intacto no máximo por três semanas. Por isso, o especialista aposta que o corpo do cantor foi submetido a procedimentos de conservação, chamados de tanatopraxia.

As técnicas de tanatopraxia teriam surgido durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), quando as tropas precisavam enviar os corpos de oficiais mortos nas batalhas de volta para suas famílias. É uma forma moderna de embalsamar os cadáveres, explica Nelson.

Como isso acontece? O sistema circulatório sanguíneo da pessoa morta é utilizado para a injeção de substâncias químicas. Assim, o sangue é retirado e substituído por uma composição capaz de preservar os tecidos. Geralmente a fórmula é composta por aldeídos - e o formaldeído (popularmente chamado de formol) é um dos mais utilizados, em concentrações que variam a cada caso.

Após o procedimento, também realizado quando o funeral será em uma cidade diferente de onde a morte ocorreu, o corpo é mantido conservado por até 40 dias em clima ambiente. "Existem casos, ainda não comprovados cientificamente, de duração de mais de 100 dias. Isso no Brasil, onde a técnica vem sendo especializada e igualada aos países de primeiro mundo", explica Nelson.

No entanto, quanto mais cedo a tanatopraxia é feita, melhores são os resultados. "Muitas vezes a preservação tem finalidade estética, para que a última lembrança dos entes queridos ou dos fãs seja a melhor possível nesses últimos instantes antes do sepultamento", conta José de Anchieta de Castro e Horta Jr., professor do Departamento de Anatomia do Instituto de Biociências da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

José de Anchieta conta que as fórmulas conservantes usadas nos laboratórios de anatomia da universidade são diferentes das funerárias. "A fórmula e a composição, no nosso caso, é bem conhecida. No caso dos serviços funerários muitas vezes o produto é protegido por patente. Existem empresas que vendem isso para as funerárias aplicarem e cada formulação tem o seu segredo".

O professor explica que o ideal é que, no caso da realização de um velório, essa solução preserve os tecidos, mas que não exale um odor muito forte, como é o caso da composição utilizada nas universidades. Nelson revela que a causa da morte e até o peso do cadáver influencia na proporção usada de formol e de outras substâncias.

Velórios que duram dias

No caso de George Michael, o funeral atrasou pela falta de respostas sobre a causa da morte, mas nem sempre as cerimônias de enterro ou cremação ocorrem rapidamente. Enquanto no Brasil normalmente o enterro acontece no dia seguinte à morte, em muitos países a cultura é diferente: um velório pode durar vários dias ou o enterro só é feito alguns dias depois da morte. Isso é muito comum nos Estados Unidos, por exemplo, para esperar que familiares que morem em outros locais consigam chegar a tempo para a despedida.

Nelson conta que, em casos de morte natural de idosos, os familiares geralmente preparam o funeral de acordo com as vontades e gosto do falecido, que já havia pensado em tudo anos antes. “É como se fosse o último evento social de suas vidas. É uma celebração, não menos importante que um casamento ou aniversário", relata o especialista.

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