Bichos de estimação

Alexandre Rossi: "Já ensinei um morcego a voar e gatos a descer de árvores"

Divulgação
Alexandre Rossi e Estopinha Imagem: Divulgação

Patrícia Guimarães

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/05/2017 04h00

Ele é pai de Estopinha, 8, uma adorável vira-lata que é sensação nas redes sociais. Expert em comportamento animal, o zootecnista Alexandre Rossi, o Dr. Pet, 43, ficou famoso em programas de televisão, na rádio e na internet. E ele não adestra só cachorros, não: peixes, morcegos, coelhos, hamsters e gatos também já foram seus "pacientes".

O amor de Alexandre pelos animais vem desde criança. Aos 6 anos, ele treinou os peixes que tinha em um aquário a passar por argolas e tocar pequenos sinos na hora de comer. Durante a infância, o fascínio pelos animais esteve sempre ali. "Nas fotos com os meus irmãos, vejo que é muito engraçado... As crianças todas brincando e eu olhando para uma taturana ou formigas", conta.

Isso se refletiu na escolha da faculdade. Ao entrar em Zootecnia na USP (Universidade de São Paulo), ele pensava que poderia trabalhar com algo de que gostasse e ter boas chances no mercado. Para ele, seu futuro estaria em uma grande empresa ou entidade que atuasse com a reintrodução de animais em seu habitat natural. "Brinco até que as pessoas escolheram por mim o que eu deveria fazer e elas acabaram escolhendo o que eu amo. Mas eu achava que eu nunca conseguiria, que não daria certo. Não considerava uma opção válida transformar o meu hobby numa profissão", diz.

Morcego e gatos

Depois da faculdade, Alexandre se mudou para Queensland, na Austrália, para se especializar em comportamento animal. Quando estava lá, encarou um morcego raposa-voadora, o maior do mundo. O bicho era mantido em uma gaiola na casa de uma família australiana e depois de uma denúncia foi parar em um centro de reabilitação em que ele trabalhava como faxineiro, para ficar perto dos animais.

Ali estava sua primeira missão como comportamentalista. "Eu pensava: 'como vou fazer o morcego voar?' E ele andava e agarrava no meu braço. Mas aí ele me deu uma mordida, eu sacudi e ele caiu no chão. Nisso, abriu as asas. Então fiz uma espécie de poleiro numa balança. Quando ele sentia que estava na descida, abria um pouquinho as asas. Foi quase um comportamento simulado de queda para dar a ele o instinto de se segurar, batendo as asas. Com essa simulação, fui repetindo e aumentando, até que ele aprendeu a voar", conta.

Ainda na Austrália, ensinou gatos a descer de árvores. "Lá eles chamam uma espécie de bombeiro para esses casos. E quando ocorria mais de uma vez, alguns davam o meu cartão e diziam: 'olha, esse cara ensina o seu gato a descer de árvore'. E assim ensinei vários gatos, que não tiveram a experiência que deveriam ter tido com a mãe e com os irmãozinhos quando eram filhotes e ficavam presos. O truque era ensiná-los a descer de costas. Imagina que você vai descer umas dessas escadas encostadas na parede e tenta fazer isso de frente. O gato tenta, mas a unha dele, pelo formato, escorrega quando ele está de frente. Quando ele percebe que a unha funciona para se segurar quando está de costas, perde o medo", explica.

Tem de ter paciência

Superar desafios com os animais nem sempre é simples. Na primeira temporada do "Missão Pet", ele tentou reeducar Baruck, um labrador extremamente agressivo, que vivia em um abrigo temporário após ter sido resgatado passando fome em uma avenida de Osasco (SP). "Ele atacava pra valer. Foi uma superfrustração eu não ter conseguido, porque todo mundo quer adotar um labrador. Trabalhei com toda a intensidade, com pessoas me ajudando e não consegui fazer com que ele melhorasse. Fomos gravar a segunda temporada e eu disse: 'Quero ir com o Baruck, que significa abençoado em hebraico', mas foi outro fracasso. No final, o adotei e ele viveu comigo muito bem até o ano passado, quando morreu, porque já estava velhinho."

Para Alexandre, esse caso é um exemplo de como cuidar de alguns animais e conseguir melhora para o bem-estar de todos pede muita dedicação dos treinadores e tutores, tempo nem sempre suficiente para gravar um programa de televisão. "Os problemas de comportamento demandam esforço muito grande da família e, às vezes, isso muda o dia a dia dela. Não tem mágica. Com a edição, as pessoas não veem a dimensão do esforço, que algumas vezes demanda ainda mais tempo, como foi com o Baruck."

O bem-estar dos bichos é uma preocupação recorrente para ele. Por essa razão também decidiu estudar Medicina Veterinária, mesmo com a carreira estabelecida. "No curso, quero ver se dá para aprender usando menos animais ou diminuindo o sofrimento. O bem-estar do animal poderia ser muito mais levado em consideração. No dia a dia, você tem que conter o animal e fazer muita coisa contra a vontade dele e acaba tratando o bicho como vários sistemas que precisam de soluções fisiológicas e ignorando as questões psicológicas, o que pode causar desconforto, traumas e outros problemas", defende.

Fama e timidez

Autor de sete livros, Alexandre comanda um horário na rádio Jovem Pan e já esteve à frente do quadro Desafio Pet (no programa "Eliana", no SBT) e do programa "Missão Pet" (no canal por assinatura National Geographic e disponível pela Fox). Um de seus principais desafios é enfrentar a timidez.

"Até em festa de família eu fico com vergonha. E de repente eu me vejo com programa de rádio e programa de televisão. Até hoje é bastante esquisito para mim. Jamais tinha ideia de que isso tudo poderia acontecer. Sofro um pouco em algumas situações, mas elas são tão recompensadoras, que não posso reclamar. Recentemente, estava criando coragem para subir em um palco para dar uma palestra. Eu estava atrás de um carro, esperando o momento e pensando: 'agora eu vou', e me viram. Fiquei com tanta vergonha que não sabia o que fazer."

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Barthô, Alexandre, Cynthia Macarrão e Estopinha Imagem: Divulgação

"It-dogs"

Encarar a fama pode até ser difícil para Alexandre, mas Estopinha, adotada em 2010, o ajuda muito nessa tarefa. Companheira fiel, a cadela se tornou uma celebridade que participa de eventos, tem canal no YouTube, quase 3 milhões de curtidas no Facebook e um perfil no Instagram com mais de 300 mil seguidores. "A gente fica impressionado com o poder dela. E o mais louco é que as pessoas entram tanto na brincadeira, que fazem como se os bichos delas também estivessem respondendo para ela."

O companheiro de Estopinha, o vira-lata Barthô, 3, também tem uma página no Facebook com quase 300 mil curtidas. Resgatado nas ruas de Botujuru (SP), o cachorro, apesar de muito bondoso e brincalhão, era muito ansioso e hiperativo, o que acabou dificultando a adoção. Foi assim que ele chegou à família Rossi, que no começo ofereceu ao animal um lar temporário, mas não resistiu a seus encantos.

"A gente arrumou alguns donos para ele. Um deles, uma pessoa que trabalha comigo, supercarinhosa, mas que depois de uma semana veio chorando devolvê-lo e dizendo que o amava, mas que ele era muito terrível. Outras duas pessoas que iam adotá-lo, desistiram. E aí a gente já estava muito apegado. Ele é um dos bichos mais bondosos que já conheci na minha vida", conta Alexandre.

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