Comportamento

Jennifer Lawrence diz ter ficado traumatizada com vazamento de nudes

Vianney Le Caer/Invision/AP
Jennifer Lawrence filme em Londres Imagem: Vianney Le Caer/Invision/AP

Do UOL, em São Paulo

10/08/2017 16h16

Jennifer Lawrence falou, em entrevista para a revista Vogue, sobre o vazamento de fotos suas nuas em 2014. A atriz, atualmente com 26 anos, revelou ter ficado aterrorizada e traumatizada após ver imagens suas sendo divulgadas por hackers. "Ter sua privacidade violada é a pior coisa, é assustador quando você tem o mundo inteiro te julgando", contou.

Ela ainda afirmou que sempre fica preocupada quando recebe alguma ligação do próprio empresário, achando que será vítima novamente. "Não quero ser pega de surpresa outra vez", disse ela.

Responsável pelo vazamento das fotos nuas da atriz e de pelos menos outras trinta celebridades em 2014, o hacker Edward Majerczyk foi condenado a nove meses de prisão. Ele também precisou pagar o valor de US$ 5,7 mil para uma dessas celebridades--equivalente aos gastos dela com terapia em decorrência do ocorrido.

Assim como Jennifer, fui vítima. E agora?

Getty Images
Imagem: Getty Images

De acordo com a advogada especialista em Direito Digital Gisele Truzzi, o correto é, em primeiro lugar, tirar prints das publicações, a fim de documentar tudo, além de listar todos os links exatos onde o material se encontra hospedado.

"De posse desses endereços, a vítima também poderá dirigir-se à um Cartório de Notas e solicitar ao tabelião que documente o ocorrido em uma Ata Notarial. Como o profissional tem fé pública, esta é uma prova 100% forte e aceita judicialmente, sendo incontestável (ao contrário de um print, que por ser arquivo de imagem, pode ser contestado)", explica.

Após isso, a advogada ressalta que o próximo passo é entrar em contato com o site/rede social em questão, solicitando a retirada do material. "Também é válido registrar um boletim de ocorrência, além de procurar um advogado especialista em Direito Digital ou a Defensoria Pública do município, para que sejam analisadas as medidas extrajudiciais e judiciais cabíveis", ressalta.

Dependendo do caso, o advogado poderá enviar notificações extrajudiciais aos sites que hospedam o material, solicitando a sua exclusão. E, caso o autor das publicações não autorizadas seja desconhecido e a vítima queira descobrir sua identidade, pode ser possível ingressar com uma ação judicial específica, no intuito de descobrir o nome real da pessoa.

Posso procurar qualquer delegacia?

Sim, pois qualquer delegacia de polícia brasileira pode registrar esse boletim de ocorrência. "A de crimes eletrônicos, localizada em São Paulo, não registra esse tipo de ocorrência, pois sua competência é relacionada a crimes eletrônicos com prejuízo financeiro", explica Dra. Gisele.

O responsável irá para a cadeia?

Carlos Magno/Divulgação
Imagem: Carlos Magno/Divulgação

Segundo a advogada, esse tipo de situação geralmente é enquadrada como difamação e injúria. "Lembrando que as penas de detenção não são de 'prisão', e resultam nas chamadas 'penas alternativas', como pagamento de cestas básicas ou prestação de serviços comunitários", explica.

Sendo condenado, o indivíduo terá esse registro em seu nome pelo período de cinco anos, ou seja: nesse prazo, caso necessite de atestado de antecedentes criminais, constará essa condenação.

"Se durante esse período, ele for condenado por um 2º crime cuja pena também seja de detenção, ele não poderá ter o benefício das “penas alternativas” e então por este novo fato, correrá o risco de ser preso", ressalta.

Caso o autor do crime tenha (ou teve) algum vínculo afetivo com a vítima, é possível o enquadramento também na Lei Maria da Penha, que exclui a possibilidade de aplicação das 'penas alternativas', ou seja, o ofensor poderá ser preso por essa prática.

Se eu receber conteúdo do tipo, tudo bem compartilhar?

Não é bem assim, pois os tribunais brasileiros já compreendem que quem passa para frente conteúdo difamatório pratica o mesmo crime daquele que fez a postagem inicial. "A pena pode ser reduzida, tendo em vista que a pessoa não foi a autora da postagem, mas é compreendido nesse caso, que ela pode ser co-autora ou participante do delito", explica Gisele.

Uma importante decisão judicial do Tribunal de Justiça de SP, julgada em novembro de 2013, abriu precedente a respeito. Segundo ela, quem compartilha comentários ou notícias ofensivas pode ter que pagar danos morais àquele que foi ofendido. A indenização chegou a R$ 20 mil.

Como sobreviver ao "vendaval"

Christof Stache/AFP
Imagem: Christof Stache/AFP

Pessoas apontando na escola, fofoca entre a vizinhança e até convites para relações sexuais são algumas das situações enfrentadas por quem é vítima da vingança pornô.

A psicóloga clínica Miriam Barros dá dicas para passar da melhor forma possível pelo acontecimento:

• Não sofra sozinha: por mais envergonhada que esteja, procure sempre a ajuda de pessoas mais próximas atrás de ajuda ou conselhos.

• Se poupe: evite ficar olhando o resultado da vingança na internet, seja acessando as fotos ou a repercussão do assunto. "Cada comentário é como se a pessoa estivesse se re-traumatizando, fazendo mal para ela mesma", diz a especialista.

• É passageiro: "Apesar de concordarmos que isso é devastador para a pessoa que sofre, sabemos que a internet é algo muito rápido. Chegam sempre novidades, outras histórias. Por isso, lembre-se que isso logo vai passar", aconselha.

• Olho nos adolescentes: "Se é horrível para um adulto, a situação torna-se mil vezes pior para os jovens. Por isso, é importante que pais e familiares acompanhem a situação na escola e, se for o caso, até troque a vítima de colégio. Tome a frente do problema", diz Miriam.

• Dá para confiar de novo? Em um próximo relacionamento amoroso, a psicóloga lembra que nem todos os homens são iguais e vão fazer o mesmo com você. "Mas também é importante não ser ingênua, para não repetir seu erro de confiar na pessoa errada novamente".

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