Comportamento

Escritora Clara Averbuck denuncia estupro por motorista da Uber

Reprodução/Facebook
A escritora Clara Averbuck Imagem: Reprodução/Facebook

Mariana Araújo

do UOL, em São Paulo

28/08/2017 12h51

 

A escritora Clara Averbuck, 38 anos, denunciou nesta segunda, 28, em seu Facebook o estupro que ela sofreu por parte de um motorista da Uber na última noite. No post, Clara conta a violência. "Fui violada de novo, violada porque sou mulher, violada porque estava vulnerável e mesmo que não estivesse poderia ter acontecido também. O nojento do motorista do Uber aproveitou meu estado, minha saia, minha calcinha pequena e enfiou um dedo imundo em mim".

A escritora também fez um alerta no seu post. "Estou com o olho roxo e a culpa de ter bebido e me colocado em posição vulnerável não me larga. A culpa não é minha. Eu sei. A dor, a raiva e a impotência também não me largam. Estou falando tudo isso para que todas as que me leem saibam que pode acontecer com qualquer uma, a qualquer momento, e que o desamparo e o desespero são inevitáveis. O mundo é um lugar horrível pra ser mulher", escreveu.

Em um papo com o UOL, Clara afirmou que não fez boletim de ocorrência porque sentiu medo, já que o motorista sabe onde mora. Ela também comentou como é fácil culpabilizar a vítima por sua situação de vulnerabilidade — esteja a mulher dormindo, bêbada, etc. —, disse que é a responsabilidade é do abusador e que é preciso desmistificar a ideia de que o estupro acontece só quando há penetração do pênis na vagina. "É estupro, sim, porque ele violou o meu corpo".

O artigo 213 da lei 12.015 do Código Penal Brasileiro considera crime de estupro "constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso", ou seja, atos sexuais não-consensuais além da penetração também são considerados estupro.

Leia o relato:

"Bom, virei estatística de novo. Queria chamar de "tentativa de estupro" mas foi estupro mesmo. Tava bêbada? Tava. F**a-se. Não vou incorrer no mesmo erro de quando eu era adolescente e me culpar. Fui violada de novo, violada porque sou mulher, violada porque estava vulnerável e mesmo que não estivesse poderia ter acontecido também. O nojento do motorista do Uber aproveitou meu estado, minha saia, minha calcinha pequena e enfiou um dedo imundo em mim, ainda pagando de que estava ajudando "a bêbada". Estou machucada, mas estou em casa e medicada pra me acalmar. Estou decidindo se quero me submeter à violência que é ir numa delegacia da mulher ser questionada, já que a violência sexual é o único crime que a vítima é que tem que provar. Não quero impunidade de criminoso sexual mas também não quero me submeter à violência de estado. Justamente por ter levado tantas mulheres na delegacia é que eu sei o que me espera. Estou ponderando. Estou com o olho roxo e a culpa de ter bebido e me colocado em posição vulnerável não me larga. A culpa não é minha. Eu sei. A dor, a raiva e a impotência também não me largam. Estou falando tudo isso para que todas as que me leem saibam que pode acontecer com qualquer uma, a qualquer momento, e que o desamparo e o desespero são inevitáveis. O mundo é um lugar horrível pra ser mulher".
 
Nos comentários do post, que já havia recebido mais de 2100 reações até a publicação desta matéria, Clara ainda respondeu que havia feito a denúncia do ocorrido à plataforma. 

Reprodução/Facebook
Clara Averbuck relata denúncia de estupro por parte de motorista da Uber Imagem: Reprodução/Facebook

O UOL procurou a empresa sobre o caso, que informou através de sua assessoria de imprensa que o motorista não pode mais voltar a dirigir através do aplicativo. "A Uber repudia qualquer tipo de violência contra mulheres. O motorista parceiro está banido e estamos à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações. Acreditamos na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher", diz em comunicado oficial.

Nascida em Porto Alegre, Clara Averbuck ficou famosa através de seus textos publicados em diversas plataformas online desde os anos 2000 e de seus livros de temática feminista. Entre algumas de suas obras mais conhecidas estão "Máquina de Pinball" (2002), "Vida de gato"(2004) e "Cidade grande no escuro" (2012). Além disso, Clara é fundadora do site feminino "Lugar de Mulher". 

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