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Cris Cyborg: "Quando comecei a lutar, diziam que eu queria caçar homem"

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A lutadora Cris Cyborg, 17 vezes campeã e atual dona do cinturão Imagem: Lucas Lima/UOL

Bárbara Tavares

Do UOL, em São Paulo

29/08/2017 04h00

Já se passaram 12 anos desde que a curitibana Cristiane Justino Venâncio, 32, estreou em uma luta oficial. E perdeu. Foi sua primeira e única derrota para uma adversária. A lutadora, mais conhecida como Cris Cyborg, tem 17 vitórias no MMA e é a atual detentora do cinturão do peso pena feminino do UFC.

A segunda derrota veio bem depois da estreia, em 2012. O rival? O doping. "Foi difícil. Eu era campeã da minha categoria, não tinha necessidade nenhuma de usar nada para melhorar performance", explica. "Usei uma substância que falaram que era para perder peso. Acreditei". O resultado lhe rendeu uma suspensão de um ano, multa de US$ 2.500 e a perda do cinturão.

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Cris Cyborg: machismo existe entre os lutadores Imagem: Lucas Lima/UOL
A recuperação de Cris Cyborg – alcunha que herdou do ex-marido, o também lutador Evangelista "Cyborg" dos Santos – veio rápido. Duas lutas depois de sua reestreia e ela já ostentava o cinturão dos penas do Invicta FC.

"Uma das coisas que aprendi perdendo o cinturão foi que não se pode confiar em qualquer pessoa, nem em amigos. Seu amigo não vai saber falar qual a melhor coisa para comer antes de uma luta se ele não for nutricionista".

Ao UOL, a lutadora falou sobre machismo no UFC, maternidade, vaidade e sobre suas voltas por cima dentro e fora do octógono. 

"Não sou agressiva"

"Quando eu comecei a lutar, a maioria dos meus colegas era homem. Você vai treinar e eles pensam que você está indo lá para caçar namorado. Eles não veem você como alguém que quer lutar e treinar. Você tem que impor o seu respeito para eles te respeitarem", diz Cyborg.

A lutadora diz que hoje é respeitada pelos colegas. Namora com um americano que conheceu há três anos – o também lutador Ray Elbe. E diz que hoje quase não é assediada.

Acho que os homens têm medo de mim, da minha reação. Às vezes sou meio grossa, mas quando percebo, peço desculpas 

Mas ela não se considera agressiva. "Bipolar, talvez. Às vezes estou com paciência, às vezes não, assim como toda mulher. Mas agressiva, não".

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Cyborg: "às vezes perco a paciência" Imagem: Lucas Lima/UOL

Por causa da carreira, Cyborg deixou Curitiba e mudou-se para os Estados Unidos. Lá ela se lançou como uma das principais lutadoras mulheres e também foi uma das responsáveis pela criação de uma nova categoria no UFC, o peso pena. "No masculino existem várias categorias, então eu acho que para a mulher devem ter todas também. Aos poucos nós vamos ganhando espaço".

Segundo ela, as mulheres enfrentam alguns desafios a mais. "Nós temos mais dificuldade de perder peso, por exemplo, e por isso seria melhor termos mais categorias. Estamos buscando espaço devagarinho e mostrando que viemos para ficar. Já temos duas representantes no Brasil que são campeãs". Atualmente, ela e a baiana Amanda Nunes, dos galos, são as únicas brasileiras detentoras de cinturões.

"Ninguém comenta a beleza dos lutadores. Das lutadoras, sim"

Cyborg é vaidosa e adora se cuidar. "Sempre procuro estar com a unha pintada. Meu cabelo é vermelho, então dá muito trabalho", diz. "Quando meu cabelo quebra, eu quase choro".

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Cris Cyborg: cabelo vermelho é o xodó da esportista Imagem: Lucas Lima/UOL

Ela conta que nunca fez nenhuma plástica - mas já fez maquiagem definitiva na sobrancelha, na linha d'água dos olhos e na boca. "Já cortei o nariz, mas nem pensei em plástica. Eu sou lutadora, isso acontece", diz. "Não sou o tipo de mulher que acorda de manhã e vai passar maquiagem, até porque eu treino o dia inteiro, mas procuro passar protetor solar todos os dias". 

As opiniões não solicitadas sobre sua aparência física já lhe machucaram. Cyborg conta que até já brigou com outras atletas por esse motivo. "Hoje a mulher tem que ser lutadora e ser a Miss Brasil. Vê se a Gisele Bündchen quer lutar?".

Pode ter mulher que é boa na porrada e é bonita? Pode. Mas também pode ter aquela que não é bonita e luta bem. As pessoas têm que parar de julgar as outras pela aparência

Cyborg diz que gosta de um estilo "não tão delicado" de se vestir. "Gosto de uma coisa mais sexy. Mas gosto de estar assim para mim, não me visto para as outras pessoas".

A lutadora se considera feminista. "Quando você luta pelos ideais e direitos das mulheres, você é feminista", defende. 

A maternidade não está nos planos. E está bom assim para Cyborg. "Já sou quase mãe, na verdade. Tenho uma sobrinha que criei desde pequenininha e está com 12 anos agora. Tenho o desejo, mas hoje em dia está muito difícil criar filho".

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