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Maria Casadevall fala sobre feminismo e fama: "Qualquer rótulo me incomoda"

Gleeson Paulino/Divulgação Glamour Brasil
Maria Casadevall posa em Paris para revista Imagem: Gleeson Paulino/Divulgação Glamour Brasil

do UOL, em São Paulo

31/08/2017 10h12

Maria Casadevall falou sobre abertamente sobre militância política, feminismo, drogas e aborto durante o ensaio de capa da revista "Glamour Brasil" de setembro. Fotografada em Paris, onde esteve para assistir a um desfile da Dior, ela também aproveitou a oportunidade para discutir como lida com a fama e todos os rótulos que a cercam.

"A fama nunca foi um objetivo. Nunca refleti sobre essa questão antes de alcançá-la. Os olhares não me incomodam, o que me incomoda é o sequestro da minha condição de observadora e da condição de observada. Mas essa não é uma regra. Ainda reconquisto meu lugar do anonimato no centro de São Paulo, por exemplo. Ali eu ando com meu cabelo bagunçado, vou à banca de chinelo e pijama, caminho sem disfarce. E, quer saber? Ninguém me olha".

Gleeson Paulino/Divulgação Glamour Brasil
Maria Casadevall posa em Paris para revista Imagem: Gleeson Paulino/Divulgação Glamour Brasil

Aos 30 anos, Maria ainda refletiu sobre como o público enxerga sua jornada até aqui — e como ela rejeita se limitar a possíveis definições. "Qualquer rótulo me incomoda. E o de atriz-cabeça não foi o primeiro. Antes teve o de namoradinha do galã [Caio Castro], namoro que eu nunca assumi. O “não” em relação a um homem começou de forma orgânica, só depois entendi que era porque eu não queria compactuar jamais com esse pensamento machista de que a minha existência depende de uma relação amorosa masculina. Então, se você me perguntar se estou namorando, não vou responder".

"Eu e todas as mulheres temos e somos muito mais do que isso. O segundo rótulo foi o de gay, porque saiu uma foto minha dando um selinho em uma amiga. O que eu respondi? Que tanto faz, que não importa, porque, de fato, não importa. Depois, caí na caixa da atriz hipster, da atriz-maluca, da atriz-cabeça… Podem até tentar me enquadrar, mas eu não me coloco em caixa alguma", afirmou.

Atualmente no ar como a médica humanitária Rimena da supersérie "Os Dias Eram Assim", que retrata o período da ditadura militar, a atriz também falou sobre sua formação política. "Nunca tive um incentivo político ou intelectual dentro de casa. Na época da ditadura militar, minha mãe, aos 19 anos, lutava contra um câncer seríssimo. Ela sobreviveu, mas, obviamente, as questões dela eram outras. Ainda jovem, comecei a sentir essa carência intelectual e fui buscar respostas na faculdade e nos livros que devorava. Mas leva tempo até absorver informação e transformá-la em opinião", lembrou. 

"Em 2013, com as manifestações explodindo nas ruas de São Paulo, essa tomada de consciência política me fez pensar sobre questões que antes eu julgava serem apenas minhas. Me entendi feminista ao compreender que as minhas questões eram questões de outras, quando assimilei que somos treinadas a reproduzir valores de uma sociedade machista e sexista. Tomei gosto pela discussão".

Maria ainda abordou algumas de suas posições: "Nunca fiz [um aborto], mas faria. Sou totalmente a favor, por uma legislação menos machista e conservadora, que valorize a vida da mulher, principalmente a mulher negra da periferia, que opta pela interrupção da gravidez, garantindo o acesso legal e o acompanhamento médico apropriado para isso. Por uma legislação que reconheça os direitos da mulher sobre seu próprio corpo e respeite as escolhas feitas por ela". 

"Sobre a descriminalização das drogas, sou a favor de um amplo debate que não defenda interesses nem privilégios, que discuta efetivamente a possibilidade de regulamentação e controle sobre produção e venda e que leve em consideração as condutas desiguais dos agentes de repressão em relação ao porte, uso e tráfico de drogas de acordo com raça e condição social", concluiu.

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