Estilo de vida

Há mulheres que ainda se incomodam se o cara ganha menos, e isso é machismo

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Entenda a razão do desconforto, apesar da luta pelo fim da desigualdade salarial Imagem: Getty Images

Carolina Prado e Marina Oliveira

Colaboração para o UOL

07/09/2017 04h00

“Deus me livre ganhar mais do que meu marido! Eu gosto que ele seja responsável financeiramente pela casa”. A afirmação é de Leina, 36 anos, que admite: sempre quis se casar com alguém que tivesse um salário maior do que o dela, para sentir-se segura. “Sou meio antiga nessa questão. Eu tenho o meu dinheiro, mas gosto de gastar comigo”, conta.

Leina não é exceção. Algumas de nós ainda buscam um homem que vai sustentar a casa e a família, mesmo em um momento em que a discussão sobre igualdade salarial entre os gêneros seja tão forte.

Esse pensamento tem uma razão de ser: fomos criadas em uma sociedade machista, que define o que é papel de homem e papel de mulher. E sustentar a casa e a parceira, por muito tempo, foi função masculina.

Partidão

Ao aprender que o homem ideal é o bem-sucedido financeiramente, a mulher que se depara com um par com o menor salário da relação, pode entender que fez uma má escolha, fala a psicóloga Vânia Calazans, terapeuta familiar e de casal.

Pesa, também, o preconceito de que mulher não sabe cuidar do dinheiro que, inconscientemente, é incorporado por muitas de nós, que passa a esperar por um homem que resolverá aquilo que temos pouco intimidade em lidar. Leina conta que ficou assustada ao ouvir uma amiga reclamar por ter de pagar todas as contas da casa.

“Ela estava tão frustrada que eu fiquei traumatizada. Dali em diante, coloquei na minha cabeça que jamais queria passar por aquilo”.

Por que é ruim pensar assim?

Por reforçar a desigualdade de gênero. Mulheres ainda ganham 24% a menos do que os homens, de acordo com os dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, de 2015.

“Quer saber se uma situação contém preconceito de gênero? Inverta os papéis. Qual o estranhamento em um homem ganhar mais do que uma mulher? Nenhum. Percebemos que o conflito não está em saber quem vai pagar a conta, mas, sim, em quem se supõe que deva obrigatoriamente pagar a conta. Ou, obrigatoriamente ser financiada”, diz a psicóloga social Graziela Werba, do Fórum das Mulheres de Torres, no Rio Grande do Sul.

Dinheiro é uma coisa, ambição é outra

Existe o estereótipo de que a masculinidade está ligada ao poder. Como dinheiro implica em poder, é como se um homem que ganhasse menos do que a mulher fosse um pouco menos homem. Isso explica porque muitos deles sentem-se ameaçados por mulheres bem-sucedidas.

O parceiro de Carla, 27 anos, ganha um quarto do salário dela. E isso era um problema no início da relação. “Ele se sentia inferior, por não conseguir me pagar coisas. Precisei sentar e conversar com ele, dizer que não me importava com isso e poderia ajudá-lo a pagar nossos programas, quando ele não pudesse”, diz. “Hoje, ele entende melhor, porque passamos a falar abertamente sobre dinheiro”, conta.

Mas é preciso saber distinguir falta de vontade de evoluir com ganhar menos, que pode estar relacionado, por exemplo, a trabalhar em áreas profissionais mais ou menos rentáveis. Não tem a ver com incapacidade ou fracasso.

O combinado não sai caro

“Às vezes, estamos presos a preconceitos que talvez nem sejam nossos de fato, mas trazidos de nossa família de origem”, diz Vânia. E é fundamental reconhecer isso para não jogar fora a oportunidade de viver uma relação legal. Quando isso não acontece, até mesmo um relacionamento estável pode desabar se o par, por acaso, perde o emprego e o poder aquisitivo.

Sempre dá para ajustar: fazer programas que caibam no bolso dos dois ou combinar de dividir as contas proporcionalmente com o salário de cada um são atitudes que facilitam a vida de um casal com ganhos diferentes.

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