Estilo de vida

Com 10% da visão, brasileiro quer escalar as 6 maiores montanhas do mundo

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Eduardo Soares (o primeiro da esq. para a dir.) e Ana Gomes (com a bandeira), entre outros membros da expedição ao Elbrus, na Rússia Imagem: Divulgação

Adriana Nogueira

Do UOL

26/10/2017 04h00

Em agosto, o massoterapeuta e atleta amador Eduardo Soares da Silva Costa, 37 anos, escalou, pela primeira vez na vida, uma montanha: o Monte Elbrus, na Rússia, com 5.642 metros de altura. Um mês depois, subiu no topo do Kilimanjaro (5.895 metros), na Tanzânia. O que já seria um feito e tanto para qualquer um tem um brilho maior quando se sabe que ele tem apenas 10% de visão.

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Eduardo tem retinose, doença hereditária que causa degeneração da retina. “Nasci com cerca de 40% de visão. Hoje vejo pouco mais do que vultos”, explica o massoterapeuta.

Mas a aventura não deve parar por aí. A ideia é que ele faça outras quatro altas montanhas, nome dado às zonas elevadas a partir de 4.000 metros de altura. A próxima da lista é o  Aconcágua, na Argentina, com seus 6.962 metros de altitude.

“Nunca duvidei de que seria capaz, mas muita gente para quem falei o que faria disse que eu não conseguiria. A sociedade é implacável com a pessoa com deficiência”, fala Costa.

Preparo físico

As viagens do massoterapeuta são fruto de uma parceria entre o projeto social Expedições Inclusivas, da montanhista amadora Ana Borges, com a operadora Grade6, especializada em viagens para prática de trekking e alpinismo.

Costa e Ana se conheceram na ONG Grupo Terra, onde ela começou dando aulas de pilates e outras atividades físicas para os deficientes visuais atendidos pela instituição.

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Eduardo é praticante de corrida de aventura, que envolve trekking, remo e bike Imagem: Divulgação
Quando resolveu iniciar as viagens para montanhas do Expedições Inclusivas, Ana pensou em Eduardo, por causa do seu preparo físico.

O massoterapeuta pratica esportes desde a adolescência. Lutou judô por nove anos, corre meias-maratonas e maratonas e participa de corridas de aventura. Esta última modalidade consiste em percorrer determinado percurso por meio de remo, bike e trekking.

“Participo de corridas de aventura desde 2002, integrando equipes de pessoas que não têm deficiência”, fala Eduardo.

Pequenas adaptações

Nas duas expedições das quais participou até agora, Eduardo foi o único deficiente, em meio a cerca de dez praticantes de montanhismo. Para que ele acompanhasse o grupo, a única adaptação feita foi o uso de uma barra direcional. Trata-se de  uma haste que era segurada em uma ponta por um guia e na outra, pelo atleta amador.

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O guia local Vladimir Klotyar auxilia o atleta Eduardo Soares, na escalada ao Elbrus Imagem: Divulgação
“Quando o guia virava para a direita, a barra se afastava de mim e assim eu sabia para onde tinha de seguir”, diz Eduardo, que treinou o uso do instrumento, ainda no Brasil.

Outra estratégia simples usada pelo guia de Eduardo era narrar os obstáculos mais difíceis do caminho. “No Kilimanjaro, o chão tinha muitas pedras, então, se quem estava me guiando tinha de pular uma, falava e eu replicava o movimento.”

Eduardo fala que, apesar de estreante no montanhismo, não sofreu grandes efeitos da altitude. “Tive dor de cabeça. No Kilimanjaro, vendo tanta gente vomitar e com diarreia, cheguei a ficar balançado. Pensava: ‘Como não estou passando mal?’ Mas refleti que não tinha como ajudar ninguém e decidi não me abalar psicologicamente.”

Em busca de recursos

A viabilização financeira das viagens só ocorreu com a venda de camisetas e rifas do Expedições Inclusivas e com a parceria com a Grade6, que doou 10% de cada roteiro vendido para clientes não deficientes para o projeto. “Eu não teria recursos, só se ganhasse na Mega-Sena.” Cada viagem custou cerca de R$ 25 mil.

Agora o desafio é juntar o valor para que Eduardo consiga escalar o Aconcágua. “As outras viagens foram de dez dias. Essa será mais demorada. Deve durar 17 dias e por isso mais cara”, diz o massoterapeuta.

Ana Borges conta que essa viagem deve ser filmada pela produtora Movioca. “Gravamos de forma amadora as duas primeiras e a próxima será captada pela produtora, que está buscando recursos pela Lei do Audiovisual. A ideia é fazer um documentário sobre o que estamos chamando de inclusão reversa. As expedições impactam não só o deficiente, mas principalmente quem não tem deficiência e vê o que ele é capaz de fazer”, finaliza Ana.

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